50 Tons de Cinza divide opiniões entre os praticantes do BDSM

Cena do Filme '50 Tons de Cinza' onde Christian Grey alisa Anastasia com um instrumento utilizado em práticas de BDSM (Foto: Reprodução)
Cena do Filme ’50 Tons de Cinza’ onde Christian Grey alisa Anastasia com um instrumento utilizado em práticas de BDSM
(Foto: Reprodução)

O filme 50 Tons de Cinza, baseado no livro homônimo da escritora E. L. James, estreia nessa quinta-feira (12) nos cinemas do Brasil. Ele conta o romance entre Anastasia Steele, jovem estudante de literatura, e Christian Grey, poderoso empresário. Anastasia vai entrevistar Christian para o jornal da faculdade e surge uma complexa relação entre os dois: a descoberta sexual de Anastasia, que era virgem, e os desejos secretos de Christian. Criticado por uns e elogiado por outros, o filme levanta uma questão antiga sobre a sexualidade: tudo é válido entre quatro paredes?

O BDSM, sigla que significa Bondage, Dominação, Sadismo e Masoquismo, é a forma de relacionamento retratada no livro. Muitas pessoas possuem uma ideia equivocada sobre a prática. Domme Lucy é praticante e conta que o BDSM não se restringe a âmbitos sexuais.”A distorção do senso comum é grande e acaba se baseando apenas no fetiche. O BDSM é uma filosofia de vida e, assim sendo, acaba sendo mais conhecido por esse aspecto sexual. Mas não é bem assim”, explica Lucy.

 

Os três livros da série 50 Tons de Cinza (Foto: Reprodução)
Os três livros da série 50 Tons de Cinza
(Foto: Reprodução)

BDSM

O BDSM é um cultura enorme e a prática tem muitos pormenores, se baseando em um código de conduta. Esse tipo de relacionamento pode ser restrito ao fetiche, mas também é abrange aspectos do dia a dia, sempre seguindo a regra do SSC – São, Seguro e Consensual.

 

O bondage (amarrar) é uma das práticas mais comuns no BDSM (Foto: Reprodução)
O bondage (amarrar) é uma das práticas mais comuns no BDSM
(Foto: Reprodução)

No livro 50 Tons de Cinza, por exemplo, Christian Grey e Anastasia Steele assinam um contrato detalhado contendo os direitos e deveres de ambos. Entre os termos do contrato estão as práticas aceitáveis e as inaceitáveis, as palavras de segurança, os limites e o tempo de duração. No caso do livro, Christian é o Dom e Anastasia é a sub. Entenda melhor os conceitos na lista abaixo:

Bondage: é a arte de amarrar ou ser amarrado. Pode ser feito tanto com cordas quanto algemas, correntes ou grilhões.

Disciplina: é a técnica de disciplinar ou ser disciplinado por uma pessoa para diversos fins, normalmente associado às práticas sexuais, mas também podendo ser praticado no dia a dia.

Sadismo: é quando uma pessoa sente prazer em provocar dor em outra pessoa. No BDSM, essa prática é sempre consentida pelo parceiro.

Masoquismo: é quando uma pessoa sente prazer em sentir dor. No BSDM, essa prática é consentida pelo parceiro.

Dominador ou dominadora (Dom/me): É quem sente prazer em controlar, física ou psicologicamente, o parceiro. Lembrando que os termos foram acordados previamente entre os dois. Qualquer gênero pode ser dominador. Não existe um Dom sem um sub.

Submissos ou submissas (sub): É quem sente prazer em receber e acatar as vontades de seu Domme. Novamente, pode ser de qualquer gênero. Não existe um sub sem um Dom. Também existem as pessoas que gostam de ocupar as duas posições, tanto de dominante quanto de submisso. São os chamados switch.

Palavra de segurança: Uma ou mais palavras – podem ser movimentos ou gestos também –  usadas pelo submisso para comunicar o dominador que chegou ao limite. No livro, Anastasia utiliza as palavras vermelho e amarelo.

Código de boas práticas: Todo relacionamento seguro baseado no BDSM deve ser regrado por um contrato onde são colocados limites e traz proteção para os envolvidos. Na prática, os praticantes devem seguir o código de boas práticas (http://consensual.org.pt/joomla/index.php?option=com_content&view=article&id=1&Itemid=156). Um deles, por exemplo, é sobre o consumo de drogas e álcool, que não é recomendado que os praticantes façam uso antes ou durante a prática. Também é recomendado que os participantes façam alguns exames de saúde, para saber os limites e as restrições de cada um.

 

Divergência entre os praticantes

Domme Lucy acredita que o livro traz seus pontos positivos e negativos. “O livro instigou as pessoas a conhecer a prática, principalmente por conta do contrato (http://lasciva.blog.br/sexo/os-contratos-de-cinquenta-tons-de-cinza/) assinado entre Christian e Anastasia. Também humanizou o BDSM, trouxe para mais perto do público. Entretanto, também há seus contras. “No código de boas práticas está explícito que o relacionamento com menores de idade é proibido, e no livro Christian diz que foi iniciado com 16 anos. Outro grande problema é a falta de segurança em várias passagens do livro. Christian não mostra conhecimento teórico suficiente para uma prática segura. Cada sub deve ter seus próprios acessórios, por exemplo, por questões de saúde e higiene”, explicita.

Marcelo Zanata, engenheiro de telecomunicações de 33 anos, conta que existem duas opiniões dentro do movimento BDSM. Uma, acredita que a exposição provocada pela obra pode causar problemas, pois as pessoas vão querer praticar sem conhecimento, podendo causar acidentes. Por outro lado, alguns praticantes acreditam que a trilogia ajuda a demonstrar que o movimento é algo normal. ”Apesar de a obra ter muita coisa fora da realidade do BDSM, ela mostra que a pessoa não é doente e não tem problemas, mostra a relação de forma mais natural”, conta Marcelo.

”É um filme romântico onde o BDSM aparece em segundo plano apenas”, constata o engenheiro e praticante. “Dentro da prática do BDSM também existe o amor, a paixão e isso está explicito no filme.” concorda Domme Lucy.

 

Serviço

Filme: 50 Tons de Cinza

Estreia: 12 de fevereiro

Locais: Cinemark (Shopping Mueller, Avenida Cândido de Abreu, 127 – Centro Cívico); UCI Cinemas (Shopping Palladium, Av. Pres. Kennedy, 4121 – Portão; Shopping Estação, Avenida Sete de Setembro, 2775 – Rebouças) e Cinépolis (Shopping Pátio Batel, Avenida do Batel, 1868 – Batel).