A Anonymous nas manifestações e a “Operação Sete de Setembro”

A Anonymous Brasil organizou, agora, a “Operação Sete de Setembro”, uma manifestação que foi às ruas em oposição aos desfiles do feriado de Independência. A OP7, como é chamada, possui causas suprapartidárias, que estão acima dos interesses políticos de qualquer partido, colocando as reivindicações populares em um único plano. Com o intuito de levar o povo a uma democracia participativa, menos desigual e mais justa, a Anonymous criou a OP7.  “A Operação não é de esquerda, direita ou centro, não tem partidos, não tem bandeiras, não tem siglas”, informa o site da operação.

Com mais de 140 cidades confirmadas, o “Maior Protesto da História do Brasil”, foi marcado por confrontos com a polícia. Foram mais de 400 mil pessoas confirmadas, mas as passeatas contaram apenas com centenas de manifestantes pelas ruas das principais capitais do país.

Em Curitiba, o tradicional Desfile da Independência aconteceu na Avenida Cândido de Abreu, no Centro Cívico. Além da apresentação das bandas e escolas, policiais e agentes penitenciários protestaram silenciosamente por melhores condições de trabalho. Ao final do desfile, a avenida foi desbloqueada para que os manifestantes entrassem.

Antes, eles se reuniram na Praça Santos Andrade, às oito e meia da manhã. Ainda no local, cerca de 150 manifestantes entraram em confronto com a polícia, na tentativa de furar o bloqueio para invadir o desfile. Um grupo que escondia o rosto foi abordado e revistado pela ROTAN, para identificação dos integrantes. Ao revistarem as mochilas, a polícia encontrou martelos, estilingues e bombas de fabricação caseira. Trinta e um manifestantes foram detidos, ouvidos e liberados em seguida.

Polícia apreende máscaras dos manifestantes.   Foto: Vinícius Carvalho

Após algumas tentativas de furar o bloqueio, houve um acordo entre a polícia e os manifestantes: assim que o desfile oficial acabasse eles estariam autorizados a entrar na Av. Cândido de Abreu. A passeata seguiu pela manhã em direção ao Centro Cívico, na maior parte do trajeto sendo escoltada pela polícia. O protesto pedia o fim da corrupção, o voto livre e melhorias na saúde e educação.

“Anti”, um dos membros mais antigos da Anonymous, em Curitiba, espera resultados efetivos nesses novos protestos e, pessoalmente, protesta “pelo direito de protestar, que vem sendo retirado da população”.

 

A Anonymous e as “Jornadas de Junho”

A Anonymous é uma ideia que surgiu em 2004 – buscando mudança, renovação, revolução. Lutando contra as injustiças, eles não possuem líderes e são formados por pessoas comuns, de diversos lugares do Brasil e do mundo. Eles se organizam através de redes sociais e possuem o objetivo de criar mudanças positivas nas sociedades em que vivem, preservando o anonimato pela eficácia da luta sem perseguição. “É muito injusto tudo o que acontece, é inaceitável, por isso busco fazer justiça”, afirma Ana Beatriz, participante recente da Anonymous em Curitiba. Juntos, o grupo busca transformar a realidade brasileira. “E nós vamos conseguir”, garante Ana.

“Vamos todos juntos a favor do Brasil, contra a corrupção!”, é o que diz a página oficial da Anonymous Brasil. É contra a corrupção que eles novamente invadem as ruas do país. Muitas cidades já tinham sido tomadas por revoltas populares em junho desse ano. A “Revolta do Vinagre” ou “Revolta dos 20 centavos”, como ficaram conhecidas, pararam o país e causaram inúmeros conflitos com a Polícia Militar, embora tenham começado de maneira pacífica.

Os protestos foram motivados pelo aumento da passagem de ônibus em São Paulo e se alastraram pelo país na luta contra a corrupção e descasos com a saúde e a educação. A Anonymous Brasil participou amplamente dos protestos e se organizou para obter maiores resultados. Começaram com ataques hackers contra sites governamentais brasileiros e, no site oficial do grupo, postaram textos contra o reajuste da passagem e a corrupção. Também foi por meios online que marcaram horas e datas para os protestos. No dia 20 de junho, a Anonymous organizou a maior manifestação dos últimos vinte anos do país, levando mais de um milhão de pessoas para as ruas em dezenas de cidades do Brasil.

Há cerca de seis anos no grupo, “Anti” define a atuação na capital paranaense nas “Jornadas de Junho” como fundamental na propagação de informações, divulgação e organização dos protestos, ressaltando a segurança e os atendimentos de primeiros-socorros durante os protestos.

 

Sem alinhamento ideológico

Segundo o professor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emerson Urizzi Cervi, a OP7 já nasceu com a certeza de que não seria a maior do Brasil. “As mobilizações de junho não foram resultado de nenhuma organização específica, as organizações se aproveitaram delas”, explica o professor.

Para Cervi, a Anonymous não está preocupada em se alinhar com ideologias ou atitudes políticas. O postura apartidária – contra os partidos convencionais – defendida por alguns integrantes do grupo ainda é muito recente para se afirmar como negativa ou positiva. “É preciso saber o que se propõe em substituição aos partidos, mas, de qualquer maneira, defender o fim dos partidos achando que nada virá no lugar deles é muita inocência ou desconhecimento”, afirma Cervi. “Na ausência de instituições de representação cortam-se os canais e podemos ter retrocessos democráticos”, conclui.