A crise política deixa a dúvida: Trump ou Macron?

Impeachments, Lava Jato e ex-presidente liderando o ranking das pesquisas de opinião formam um dos cenários mais incertos da política no Brasil. Estariam os brasileiros mais inclinados a escolher um Donald Trump ou um Emmanuel Macron?

Por Bruna Falce

No meio do que parecia ser um avanço de políticos conservadores, como Donald Trump e a francesa Marine Le Pen, o moderado Emmanuel Macron tornou-se presidente da França. Já no Brasil, com o impeachment de Dilma Rousseff, a Lava Jato e os áudios comprometedores de Michel Temer, fica difícil imaginar o que pode acontecer nas eleições presidenciais de 2018. Quais são os possíveis candidatos?

Especulações indicam nomes como o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado federal Jair Bolsonaro, o prefeito de São Paulo João Doria e a ex-senadora Marina Silva. Pelo último Datafolha, Doria ocupa a quarta colocação, Marina e Bolsonaro disputam o segundo posto e a liderança dos votos fica para o Ex-Presidente Lula. Cada um dos possíveis candidatos tem um motivo distinto no quesito aceitação do público. Mas eles merecem um voto de confiança da população?

Apesar de o ex-presidente Lula ser réu na Lava Jato, ele ainda é uma figura popular, fato comprovado pela alta intenção de voto que possui. Para Tairon Villi Neves da Silva, mestrando em História, o político corrupto faz parte do imaginário popular. “É praticamente aquela ideia de que como todos os políticos roubam, a melhor solução é escolher aquele que rouba menos ou o que rouba, mas faz alguma coisa pela população”.

Para Eric Gil Dantas, doutorando em Ciências Políticas pela UFPR, a liderança de Lula é resultado da decepção com o impeachment. “Apesar de Dilma ter perdido muita popularidade no pré-impeachment, o atual governo não foi popular o suficiente para que o eleitorado continuasse a repelir o PT e o seu principal nome, Lula. A Lava Jato também ajudou eleitoralmente o ex-presidente, pela contestação de arbitrariedades nos processos, principalmente com o Lula”.

Marina Silva ocupa a terceira colocação há algum tempo. Ainda segundo Dantas, “na eleição de 2014, após a morte de Eduardo Campos, ela passou a aparecer como a candidata que iria para o segundo turno”. Não foi o caso, a disputa ficou entre o PT e o PSDB, mas “ela se preservou, não esteve no olho do furacão da Lava Jato, e continua como uma opção”. Quanto a Bolsonaro, seu crescimento nas pesquisas “tem a ver com a descrença com a política e um avanço mundial da direita. Com declarações grotescas contra ‘minorias’, ele consegue crescer com base no descontentamento geral e no conservadorismo, agora mais explícito, do brasileiro”. De toda forma, o discurso extremista de Bolsonaro ainda tem muita rejeição

Já o Doria tem um discurso de “não-política” e se posiciona como um gestor. Está prestes a tirar Alckmin (que seria o candidato do PSDB à presidência no ano que vem), mas ainda é cedo para definir. Para Tairon Villi, qualquer pessoa sensata não se posicionaria em relação a nenhum dos candidatos nesse momento. Também depende muito do que ocorrerá nos próximos meses com a saída ou permanência de Temer. Nos resta aguardar os próximos desdobramentos. Até 2018, podem acontecer muitas mudanças no cenário da política brasileira.

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