A Esperança – Parte 1 garante ação e dinamismo em uma história sobre democracia

A primeira parte do fim da trilogia Jogos Vorazes chegou ao Brasil como a maior estreia de todos os tempos. E o filme superou as expectativas de toda essa antecipação. O ótimo trabalho dos escritores e atores, junto a cenários bem construídos – apesar de pecarem um pouco no realismo – somados a uma adaptação consistente da história contada no livro “A Esperança”, de Suzanne Collins, resultaram no sucesso indiscutível do longa já nas primeiras semanas de exibição. Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 mostra-se uma sequência digna das duas produções anteriores, e abre o fim da saga de forma bastante satisfatória.

Poster de A Esperança - parte 1 mostra Jennifer Lawrence, como Katniss Everdeen, e o Tordo, símbolo da revolução. (Foto: Divulgação)
Poster de A Esperança – parte 1 mostra Jennifer Lawrence, como Katniss Everdeen, e o Tordo, símbolo da revolução.
(Foto: Divulgação)

Terceiro filme

Nessa fase da série, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se encontra no Distrito 13 com a mãe e irmã, após ter escapado da arena dos Jogos Vorazes e, com isso, declarado guerra contra a repressiva Capital. Seu companheiro de Jogos, Peeta Melark (Josh Hutcherson), que não foi resgatado pelos rebeldes, é feito refém pelo Presidente Snow (Donald Sutherland) e causa grande preocupação para a personagem principal. Enquanto isso, a Presidenta do Distrito 13, Alma Coin (Julianne Moore) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) trabalham para transformar Katniss no Tordo, o símbolo de esperança da revolução. Os rebeldes buscam a recuperação da liberdade e da democracia após 75 anos de um governo ditatorial e desigual.

Considerando o ritmo lento e pouco empolgante do último livro da saga escrita por Suzanne Collins, a adaptação do longa teve boas justificativas para modificar um pouco mais os eventos do que fez nas duas outras produções. Na realidade, essa era a única forma de se esclarecer a decisão precipitada de dividir a história em dois filmes. Desta vez, não se foca o tempo todo nas ações de Katniss, o que colabora para o dinamismo do filme. Outros aspectos importantes, que contribuem para isso, são algumas cenas gravadas na técnica hand held, em que o cinegrafista apoia a câmera no ombro ou simplesmente segura ela nas mãos e caminha ou corre junto com os atores.

A luta pela Esperança

Várias cenas de ação que não estavam exatamente presentes no livro, juntamente com uma trilha sonora que dá um show à parte, transmitiram a ideia da busca por uma esperança, uma razão para lutar pela liberdade. O longa poderia facilmente ser considerado uma ode à Publicidade, pela forma como retrata a construção da personagem de Katniss, e do trabalho de toda uma equipe para torná-la a imagem do que ela precisa representar.

O tempo que o enredo concentra em mostrar os esforços dos sobreviventes em resgatar as pessoas amadas que ficaram em poder da Capital também é emocionante, e poderia até mesmo ter sido mais explorado pela produção. Nesse ponto, deve-se destacar o trabalho de Sam Claflin, que interpreta Finnick Odair e conseguiu criar um Vitorioso melancólico e muito preocupado com a vida de sua amada Annie (Stef Dawson) sem que o personagem se torne chato ou entediante.

A Esperança – Parte 1 chegou aos cinemas depois de muita antecipação, mas levantando alguns pensamentos de descrença sobre o filme por alguns dos leitores mais aficionados. Após assistir ao longa, porém, pode-se dizer que ele fez jus a toda a série, e manteve o mesmo nível de empolgação e adrenalina das outras produções da saga. A proposta de divisão da história ainda não parece completamente convincente, e é preciso esperar pela segunda parte para que se analise essa questão como um todo. Apesar desse detalhe, cada segundo de filme vale a pena.

Trailer

Ficha Técnica

Gênero: Drama

Direção: Francis Lawrence

Roteiro: Danny Strong, Suzanne Collins

Elenco: A. Michelle Harleston, Elden Henson, Evan Ross, Josh Hutcherson, Julianne Moore, Kim Ormiston, Liam Hemsworth, Lily Rabe, Mahershala Ali, Misty Ormiston, Natalie Dormer, Patina Miller, Philip Seymour Hoffman, Sam Claflin, Stef Dawson, Taylor McPherson, Wes Chatham

Produção: Jon Kilik, Nina Jacobson

Fotografia: Jo Willems

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