Acessibilidade que ultrapassa os muros da escola

Curitiba tem hoje cerca de 140 mil estudantes matriculados na rede municipal de ensino. Em 2016 um número significativo foi alcançado; são 2669 crianças com algum tipo de deficiência que frequentam escolas, centros municipais de educação infantil e Educação de Jovens e Adultos. É a inclusão que acontece. Na ponta do lápis, a capital ainda possui 753 estudantes em escolas de educação especial. Ações que envolvem desde o ambiente físico até a aprovação da lei municipal 14.879/2016, que inclui a capacitação em Libras (Língua Brasileira de Sinais) no programa de formação continuada dos professores, impactam diretamente no aprendizado e nas condições de acesso e sucesso destas crianças nas instituições.

A Coordenadoria de Atendimento às Necessidades Especiais (CANE) é a responsável pelos programas destinados às crianças com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e necessidades educacionais específicas. Vinculado à Secretaria Municipal de Educação, o órgão entende que o primeiro passo da inclusão é a busca de estratégias para atender os alunos, mas não é o único. A Coordenadora de Atendimento às Necessidades Especiais, Susan Ferst, diz que a proposta é também minimizar o impacto das desigualdades na escola. “A acessibilidade começa incluindo o aluno com deficiência, para que ele seja bem recebido pelos outros alunos”, afirma.

Previsto no Plano Municipal de Políticas de Acessibilidade e de Inclusão para Pessoa com Deficiência, a educação especial e inclusiva de Curitiba tem metas a cumprir até 2017. Um verdadeiro “tic-tac” para as escolas, que devem permitir o acesso à educação básica e atendimento especializado a todos os estudantes com deficiência, com o compromisso da igualdade de oportunidades.

Na prática, quando identificada uma criança de inclusão, uma avaliação é feita e um profissional de apoio é encaminhado diante da sua necessidade. Além desse acompanhamento, a criança passa a frequentar a sala de recursos multifuncionais, onde é realizado o atendimento educacional especializado. No município de Curitiba existem 27 espaços como esse, que o estudante visita no contraturno do ensino regular. As atividades aplicadas na sala tem como função complementar o aprendizado do aluno com o auxílio de recursos, materiais pedagógicos e acompanhamento psicológico.

Como em uma equipe de futebol, na educação inclusiva o professor, a escola, a família e a gestão municipal têm sua função no aprendizado de um aluno com deficiência. E o time traça sua tática. Desenvolver métodos de ensino é importante para além do cumprimento das propostas curriculares. “Estratégias que eliminem as barreiras, promovendo a participação na sociedade, desenvolvem autonomia e independência na unidade educacional e fora dela”, afirma Susan.

Para assegurar o atendimento de qualidade aos estudantes, as escolas de Curitiba são atualmente construídas com projetos que contemplam a acessibilidade, com a eliminação de barreiras nas instituições. A Secretaria de Educação assegura encaminhar às instituições que atendem crianças com deficiência mobiliário adaptado, equipamentos como computadores e teclado colmeia, e sistema de comunicação informação (comunicação aumentativa ou alternativa).

A capital oferece ainda 8 Centros Municipais de Atendimentos Especializados (CMAES), que realizam um trabalho específico por meio dos serviços de Avaliação Diagnóstica Psicoeducacional e Atendimento Terapêutico-Educacional, e 87 Classes Especiais, um programa ofertado nas escolas municipais, que possui metodologia própria com foco na alfabetização do estudante com deficiência.

 

Salas de recursos multifuncionais possuem materiais adaptados, como jogos, livros e computadores, para o atendimento dos alunos (Foto: Emanueli Costa)

ACESSIBILIDADE QUE PROPORCIONA AO PROFESSOR APRENDER E ENSINAR

Curitiba oferece aos professores e pedagogos das escolas e centros municipais de educação infantil formação continuada para o atendimento de crianças com deficiência, efetiva inclusão deles no cotidiano escolar e desenvolvimento de trabalhos para auxiliar no ensino. Mas o interesse por essa via de mão dupla, do aprender para ensinar, também deve vir do educador. A pedagoga na rede municipal de ensino, Liliamar Hoça afirma que como servidora municipal há 27 anos, a sua contribuição é efetivar as ações de políticas implantadas no município com responsabilidade. “Isso significa estar atualizada das leis, das propostas, das ações, para eu fazer as orientações adequadas”, completa.

Mas não é somente de alunos com deficiência que a inclusão acontece. A rede municipal tem atualmente 39 profissionais com algum tipo de deficiência, segundo a coordenadora Susan Ferst. Destes professores, 16 são deficientes físicos, 10 são deficientes auditivos e 13 são deficientes visuais. A Coordenadoria de Atendimento às Necessidades Especiais coordena ações voltadas para atender esses professores nos momentos de formação continuada, disponibilizando um professor para apoio e recursos de acessibilidade.

A capital tem feito esforços para acompanhar e promover a acessibilidade nas escolas da rede de ensino. O currículo, a aplicação de novas metodologias, o espaço físico das escolas e materiais pedagógicos são partes de um quebra-cabeça com lados que se encaixam perfeitamente. “Cada professor e gestor tem feito esforços no sentido de compreender como modificar as estratégias pedagógicas para atender as pessoas com deficiência”, conclui Liliamar.

ACESSIBILIDADE DA CASA À ESCOLA

A Prefeitura Municipal de Curitiba realiza contrato de prestação de serviços com URBS (Urbanização de Curitiba S/A) para transportar alunos com deficiência ou transtornos globais do desenvolvimento. Uma frota de 62 ônibus transporta 2.248 crianças, segundo a Coordenadoria de Atendimento às Necessidades Especiais.

A Secretaria Municipal de Educação oferece ainda Crédito Transporte para 200 estudantes que possuem renda familiar inferior a três salários mínimos e que moram a mais de 3 km dos locais de atendimento, como por exemplo, os Centros Municipais de Atendimentos Especializados.

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