Acupuntura: fluxo de energias do corpo e da mente

O método terapêutico ajuda a encontrar o equilíbrio entre as forças yin e yan, necessário para uma boa saúde segundo a medicina chinesa

Por Jessica Skroch

Cólicas, rinite, fibromialgia, insônia e depressão. Desde os problemas mais simples aos mais complexos, a acupuntura pode ajudar no tratamento de diversas doenças- e sem usar nenhum remédio. O método terapêutico introduz pequenas agulhas metálicas em determinados pontos do corpo, os chamados pontos de acupuntura. Mesmo que sua origem seja milenar, baseada na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), os benefícios da terapia foram testados cientificamente.

A Organização Mundial de Saúde publicou um documento com os resultados de 25 anos de pesquisas na área, atestando a melhora ou eficácia similar com a acupuntura comparada com tratamentos tradicionais para 147 doenças e condições de saúde. Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (National Institutes of Health, NIH), também divulgaram um consenso sobre a recomendação da acupuntura isolada ou como tratamento complementar. No Brasil, a acupuntura é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como especialidade médica desde 1995.

 

 

Há mais de 5 mil anos, na China

A MTC é baseada nos ensinamentos do Taoísmo. De acordo com essa filosofia, a energia do universo, chamada de “qi”, é formada por dois pólos: o yin, uma energia mais fraca e passiva, e o yang, uma energia intensa e ativa. As doenças, para a medicina chinesa, são desencadeadas quando o fluxo de energias do corpo é bloqueado, ou seja, quando há um desequilíbrio dessas forças. As “picadas” das agulhas serviriam para estimular os canais de energia.

Corpo e mente são considerados inseparáveis para as terapias chinesas, assim, as emoções têm relação direta com as doenças físicas. No livro “Nei ching”, considerado o livro de ouro da medicina chinesa e o primeiro a falar sobre acupuntura, o câncer é descrito como uma doença que pode ser ocasionada por emoções de estresse que afetam o baço, prejudicando a produção de energia “qi”.

A acupuntura foi aprimorada com o desenvolvimento da medicina e ganhou outros significados. Hoje, sabe-se que a pressão das agulhas nos pontos certos estimula as terminações nervosas do sistema nervoso central, liberando hormônios e endorfinas que aliviam a dor e ajudam o sistema imunológico. Os pontos de acupuntura são originalmente 365, um para cada dia do ano. Atualmente, acredita-se que existam mais de 2 mil pontos em que se possa aplicar as agulhas e, para se tornar acupunturista, os cursos mais renomados exigem uma formação na área da saúde.

Como funciona?

As sessões de acupuntura costumam durar um pouco mais de uma hora. Antes de qualquer coisa, o profissional irá escutar os sintomas do paciente, que podem ser físicos ou emocionais. A quantidade de consultas depende do caso. No início, recomenda-se uma consulta por semana, preferencialmente no mesmo dia da semana, ou com no máximo um dia de distância. A quantidade mínima é de 10 sessões no tratamento. Após esse período, pode-se realizar sessões a cada 15 dias, ou uma vez por mês. As agulhas serão aplicadas de acordo com a necessidade do paciente, que deverá ficar deitado e relaxado por aproximadamente uma hora após a aplicação.

O acupunturista sempre checa o fluxo de energia, pelo pulso ou pela língua. Francisca Auxiliadora de Lima, faz acupuntura há 5 anos, uma vez por semana. Ela conta que depois da sessão, tudo muda. “Chego lá (no consultório) e não estou bem. O médico pega no pulso e diz “a energia está muito baixa”. Depois, eu saio de lá outra pessoa. A acupuntura tira as dores na hora”. Para ela, que não gosta dos medicamentos convencionais, a homeopatia e a acupuntura já são suficientes para estar bem cuidada. Francisca relata que sua imunidade aumentou depois que começou a terapia.

Na medicina alternativa, o paciente precisa estar engajado no tratamento. Vilma Serra, formada em enfermagem, se especializou em acupuntura na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Ela explica que o paciente deve querer se tratar e acreditar que vai dar certo: “A medicina chinesa ajuda o paciente a se tratar, mas ele mesmo que se cura. Eu tenho o papel de orientar para que a pessoa entenda o processo, mas as energias são dele e só ele sabe a causa de suas dores”.

Apesar de tantos benefícios, a acupuntura não agrada a todos. Existem pessoas que não acreditam e preferem a medicina tradicional, ou que têm medo de agulhas. Marilene Pasqualotto, 55 anos, considerou o tratamento fraco. “Eu sentia muita dor nas articulações. Já tinha feito fisioterapia, e nem com as medicações a dor parava. Tentei acupuntura, mas não senti melhora” explica. Ela ressalva que após as 30 sessões, percebeu que o método do seu médico era diferente daquele presente no relato de outras pessoas que já fizeram a terapia. Francisca também ressalta a dificuldade em encontrar um profissional bom, com o qual ela pudesse ver efeito no tratamento.

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