Altas taxas de inflação e reformas periódicas prejudicam o funcionamento dos restaurantes universitários da UFPR

A troca de cardápios diária é uma das principais reclamações dos estudantes. (Foto: Valsui Júnior)
A troca de cardápios diária é uma das principais reclamações dos estudantes. (Foto: Valsui Júnior)

Após a greve dos caminhoneiros no início de 2015, outro fantasma parece rondar o trabalho dos restaurantes universitários: a inflação. É o que afirma a nutricionista do Restaurante Universitário (RU) do campus Politécnico, Kelly Reis. “Um quilo de coxão mole que antes custava R$15,00 hoje custa R$40,00. O que está acontecendo é um realinhamento dos preços dos gêneros alimentícios, em especial as carnes.”, exemplifica Kelly.

Já com relação à troca de cardápios alegada por muitos estudantes diariamente, o auxiliar administrativo da empresa fornecedora de alimentos Seletiva, Augusto Bortolotto, diz que varia muito com o contexto climático. “Às vezes nós temos problema com muita chuva, por exemplo, e não conseguimos levar o alimento que foi pedido”, relata o auxiliar. “Se não há jeito de reverter a situação, pedimos para trocar e enviamos o que temos para ser feita a entrega”, reitera Augusto.

De acordo com o administrador dos restaurantes universitários da UFPR, Bernardo Villanueva, os planos de contenção às trocas de cardápio diárias são “como uma operação de guerra”. Por conta da falta de entrega dos alimentos das empresas fornecedoras, Villanueva conta que a administração sempre tem de achar novos fornecedores. “Há ainda casos em que nós nos programamos para 10 mil refeições e por algum motivo ocorreu algo na Universidade que aumentou este consumo além do que tínhamos projetado”, relata.

RU Botânico e reformas

Desde o dia 12 de dezembro do ano passado o RU do campus Jardim Botânico havia sido fechado para reformas e voltou a funcionar no dia 04 de março de 2015, porém servindo apenas 500 refeições controladas por meio de senhas. Segundo a secretária de Pró-Reitoria de Administração, Luci Leni Santos, a medida ocorreu porque o restaurante ainda estava apresentando algumas rachaduras. De acordo com a secretária, após laudo do professor engenheiro responsável, Mauro Lacerda, não há mais riscos e o RU voltará a funcionar normalmente para as três refeições diárias no dia 19 de março.

Isabela conta que já chegou atrasada em sala de aula porque tinha de comer em casa e voltar para a universidade. (Foto: Valsui Júnior)
Isabela conta que já chegou atrasada em sala de aula porque tinha de comer em casa e voltar para a universidade. (Foto: Valsui Júnior)

Durante o período de fechamento, muitos alunos foram prejudicados. É o caso da estudante do terceiro período de Terapia Ocupacional, Isabela Rizzi, 18. “Muita gente trazia marmita para o almoço, mas quando a coordenação deixou de liberar o micro-ondas, a situação só piorou”, relata. Isabela ainda conta que a fila para o restaurante universitário mais próximo, o do campus Politécnico, ficou insuportável, uma vez que os alunos tinham de esperar pelo menos uma hora debaixo do sol. “Desde que o Botânico voltou a funcionar, quem quiser almoçar lá ainda precisa chegar 11 da manhã para conseguir senha”, afirma a estudante.

Segundo o pró-reitor de Administração, Álvaro Pereira, a reforma do RU do campus Jardim Botânico é apenas mais uma das muitas que ainda serão feitas ao longo do ano. “Isso é apenas a manutenção mais pesada da estrutura predial, mas ainda tem os ajustes de equipamento”, conta o pró-reitor.

Pereira ainda cita a futura criação da Superintendência de Infraestrutura, que irá reestruturar prédios como o restaurante universitário do campus Politécnico e o Diretório Central dos Estudantes, o DCE. “A universidade está tendo bastante cuidado com as questões de utilização de todas as áreas. Não deixamos passar nada”, conclui Pereira.

Entenda como funciona

A compra da comida pela administração dos restaurantes universitários da UFPR é feita por meio de pregões eletrônicos, uma atividade licitatória que permite que um maior número de empresas possa negociar com a universidade. “Medimos três valores e a média será nosso valor de referência para abrirmos o pregão, desta forma qualquer empresa do Brasil pode entrar nele e pode vencê-lo”, explica Bernardo Villanueva, administrador dos restaurantes universitários da UFPR.

No caso dos campi em Curitiba, Villanueva conta que existem três pregões: um para carnes, um para semiperecíveis e outro para hortifrutigranjeiros. Embora já tenha sido fornecido alimentos de cidades como Capanema e Erechim, no Rio Grande do Sul, a administração ainda está em fase de análise da compra de produtos provenientes de agricultura familiar. “Nós estamos pensando em uma forma de contemplar mais locais, pois assim se acontece algo emergencial, podemos agir mais rapidamente”, conclui Villanueva.

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