Anabelle 2: A Criação do Mal | Como um terror comum pode ser bom

Superior ao primeiro, mas com muitos recursos já conhecidos, Anabelle 2 está na categoria de filmes para se ver em galera

Por Arthur H. Schiochet

O gênero de terror tem ganhado atenção por novos exemplos de sucesso, seja por criatividade no roteiro, nas premissas ou até mesmo nas execuções. Por serem filmes mais baratos, os estúdios investem em ideias fora do padrão, como é o caso de “A Bruxa” (2016) ou “Corra!”(2017), que faturou 30 vezes o seu orçamento. Nesses casos o gênero foi subvertido, seja pelo tema de apresentação ou pelo modo como o filme foi conduzido. James Wan é um dos grandes nomes dessa nova geração do terror. Ele apresentou ao mundo o primeiro filme da franquia “Jogos Mortais” e depois trouxe “A Invocação do Mal”, dando origem ao spin-off “Annabelle” (2014) e a essa continuação.

Este filme serve como uma prequência para o anterior e conta o primeiro caso em que a boneca Annabelle assombrou seus donos, muito antes de conhecer o casal Ed e Lorraine Warren, protagonistas da série de filmes “Invocação do Mal”.

O filme conta a história de Samuel Mullins (Anthony LaPaglia da série “Without a Trace”) e sua esposa Esther Mullins (Miranda Otto de “Guerra dos Mundos”), que anos após a morte de sua filha decidem acolher em sua casa a Irmã Charlote (Stephanie Sigman de “007 Contra Spectre”) com seis meninas desalojadas de um orfanato. Perturbados pelas lembranças da filha, o casal ainda precisa lidar com um problema muito acima do que todos podem lidar.

O grande destaque é o elenco infantil, principalmente pelas meninas mais novas,  Linda (Lulu Wilson de “Ouija: Origem do Mal”) e Janice (Talitha Bateman de “Virei um Gato”), que constroem uma forte amizade e são excluídas das outras meninas. O diretor David S. Sandberg (“Quando as luzes se Apagam”), mostra que consegue trabalhar bem com um elenco infantil, um mérito para alguém escalado para dirigir o filme do herói “Shazam”, que tem uma criança como sua identidade secreta.

Fonte: Divulgação/New Line Cinema

Histórias de casas mal-assombradas, pais que buscam o retorno dos filhos e bonecos possuídos pelo demônio já foram utilizadas antes. Mas ao misturar um pouco de cada elemento, o filme consegue deixar o público tenso, com muitos sustos.

O fato das meninas serem menores, de Janice ter uma deficiência e dos adultos serem frágeis, são recursos que colocam mais perigo às protagonistas. Diferente de “Invocação do Mal”, onde o casal Warren é um porto seguro, em “Annabelle 2” esse aspecto não existe e a todo momento os personagens estão ameaçados. A curiosidade sobre a origem da boneca se torna apenas mais um dos elementos para prender a atenção. O fim não deixa muita interpretação para uma nova continuação, mas pode-se notar pequenos vestígios da criação de um “universo Invocação do Mal”, com a aparição de outras entidades ao longo da narrativa.

Annabelle 2 é um bom filme de terror, com muitos sustos e um clima de tensão. No entanto, o filme ainda é inferior aos que deram origem à franquia, principalmente pelos clichês, que distanciam este filme de voos maiores como os já citados “A Bruxa” e “Corra!”, que inovam e se mantém após tanto tempo de lançamento. O saldo é positivo e vale ir ao cinema, mas “Annabelle 2” corre o risco de ser esquecido em um curto período de tempo.

Nota: 7,5

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