As vozes da Rua XV: quem são os locutores que atraem clientes para lojas do centro de Curitiba

As histórias por trás dos alto-falantes do comércio da Rua XV de Novembro, que se tornaram ícones para quem transita pelo calçadão

Por Camille Alves

Eles já viraram um símbolo da cidade. Os locutores da Rua XV de Novembro, que passam o dia anunciando produtos, ofertas e estabelecimentos para os pedestres, são conhecidos dos moradores de Curitiba. Ao caminhar pelo calçadão, é fácil encontrá-los. Há quem reclame e há quem nem preste atenção no que dizem, mas os lojistas não abrem mão desses profissionais. É por meio da divulgação feita por eles que muitos pedestres são atraídos para as lojas e restaurantes da região e acabam se tornando fregueses.

 

“Amo ficar na rua”

De palhaço a locutor, Claudemir trabalha na Rua XV desde os 18 anos e não se vê em outro lugar. (Foto: Camille Alves)

 

Claudemir Marques começou a trabalhar na Rua XV com 18 anos, vendendo balões como palhaço de rua. Hoje, aos 29, é locutor para um restaurante. Começou na locução por acidente. Após ficar quatro anos no circo, não conseguiu emprego e decidiu se vestir de palhaço para vender balões na rua. Um dia, foi chamado para animar crianças como palhaço em uma loja de calçados. O locutor da loja não pode ir e o dono pediu para Claudemir assumir o posto. Acabou ficando seis anos no emprego, anunciando ofertas e produtos, mas abandonou o serviço por causa da depressão. Quando se recuperou, foi trabalhar para o restaurante.

Segundo ele, o trabalho dentro da loja e na rua é totalmente diferente. “Em 10 dias eu tirava o salário que eu tiro aqui, e na locução você usa um microfone, não precisa gritar”, explica. Por isso, pretende voltar a trabalhar em loja. Claudemir diz que não acha o serviço cansativo e hoje não consegue se imaginar trabalhando numa empresa, preso em uma sala. “Eu amo ficar na rua, amo esse espaço”, diz, sorrindo. Ele ainda trabalha como palhaço nas horas vagas, fazendo shows em colégios, festas e também na rua, onde as pessoas já o conhecem e o cumprimentam pelo nome.

 

“Quero fazer alguma coisa além”

Gabriel já foi vendedor e cantor. Hoje é locutor, mas seu sonho é ser repórter. (Foto: Camille Alves)

 

Gabriel Rabelo, de 18 anos, trabalha como locutor em uma loja de roupas há aproximadamente dois meses. Antes disso, era vendedor. Quando estava procurando outro emprego, encontrou uma vaga de fiscal de loja, mas logo descobriu que as tarefas incluíam também a locução. Topou na hora, porque considera sua oratória boa. Ele diz que a locução não é para qualquer um. Para exercer a função, precisa ter animação, espontaneidade e uma boa dicção.

Gabriel sempre trabalhou com a voz. Nasceu em Curitiba e era independente desde criança. Com 16 anos, começou a cantar em bares e sonhava em ser rico. “Meu sonho era ser cantor, um sonho meio adolescente. E não querendo me gabar, mas eu era bom. E por ser bom e não conseguir nada do que eu queria, eu desisti”, conta. Atualmente, tem vontade de cursar uma faculdade de jornalismo. Uma de suas maiores inspirações é Gil Gomes e, por isso, quer ser um repórter que se relaciona com o “povão”.  “Gosto da locução, mas quero fazer alguma coisa além”, sonha.

 

“Tudo depende do carisma”

Gustavo, que já trabalhou em uma rádio, é locutor na Rua XV e sonha grande. (Foto: Camille Alves)

 

Gustavo Araújo tem 20 anos e veio de Rio Branco do Sul, cidade que fica a 32 quilômetros de Curitiba, na região metropolitana. Há apenas 4 meses, veio para a cidade grande para ser locutor no restaurante em que sua mãe é cozinheira. “Se não fosse por ela eu não teria vindo para cá”, confessa. Ele trabalha de segunda a sábado, divulgando o restaurante e abordando passantes a fim de convencê-los a conhecer o estabelecimento. “Tudo depende do carisma e da simpatia para o pessoal não se sentir intimidado quando você conversa com eles”, explica.

A experiência de Gustavo com a voz vem de longa data. Trabalhou por mais de 1 ano na rádio comunitária da sua cidade como operador de som. Lá, aprendeu todas as técnicas que sabe, muitas delas com os próprios locutores da rádio, e até já falou na rádio para toda a cidade. Hoje, apesar de gostar do que faz, gostaria de continuar trabalhando com a voz em uma área diferente. Seu emprego dos sonhos é apresentar um programa. Em que meio de comunicação – se no rádio ou na TV – não importa. Pretende alcançar esse sonho se aperfeiçoando e dando o seu melhor em tudo.

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