Associação dos Deficientes Físicos do Paraná promove a superação por meio do esporte

Com quase 40 anos de existência, a instituição busca a reabilitação social e profissional de pessoas com deficiência

Por Ian Batista

Todo mundo já ouviu falar de alguma pessoa com deficiência física que superou as dificuldades por meio do esporte, mas como são as associações que potencializam essa mudança? Fundada em Curitiba, no ano de 1979, a Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP) é uma organização movida pelo objetivo de instituir e coordenar amplos serviços de assistência e reabilitação aos indivíduos com algum tipo de deficiência.

Com a missão de desenvolver a independência e autonomia da pessoa com deficiência, a organização tem como prioridade o respeito ao ser humano. (Foto:Reprodução/ADFP)

Embora trabalhe também com o aspecto social propriamente dito — através da assistência no mercado de trabalho, por exemplo –, a organização surgiu voltada ao esporte. Com o passar do tempo, esse ramo foi se desenvolvendo dentro da ADFP, e hoje atende 70 atletas em seis modalidades diferentes.

De acordo com Clodoaldo Lima, presidente da instituição há mais de um ano, a procura pelo esporte é maior do que a busca por terapia ou oportunidade de emprego. “Temos dezenas de histórias de pessoas na organização”, revela Clodoaldo. “Cada um que entra na ADFP passou por um trauma ou uma limitação e está buscando se recuperar pelo esporte”, completa.

Entre as modalidades oferecidas estão o basquete, o atletismo, o tênis de mesa, o tiro esportivo, a esgrima e a bocha. Entretanto, mesmo sendo um dos motivadores para a qualidade de vida, o esporte ainda reflete o panorama geral da sociedade ao impor dificuldades aos deficientes.

“A pessoa com deficiência no esporte tem um espaço a ser conquistado, hoje temos opções, mas não muitas”, afirma Clodoaldo, que possui mielomeningocele, uma má formação na espinha medular. Atleta de esgrima de rodas há oito anos, o presidente da ADFP declara que as maiores dificuldades enfrentadas são a baixa quantidade de modalidades esportivas oferecidas e a dificuldade em conseguir recursos para manter as atividades.

Apesar da positiva repercussão da Paraolimpíada, realizada ano passado no Rio de Janeiro, com mais de quatro mil atletas participantes, os deficientes físicos ainda enfrentam muito preconceito no Brasil. Na visão de Dennys Alves, também atleta de esgrima de rodas, as barreiras dizem respeito tanto a vida particular quanto a inclusão social. “A sociedade não está preparada para aceitar o deficiente físico”, conta ele. “Muitos lugares não tem acessibilidade e muitas empresas não são adequadas para receber um deficiente físico como colaborador.”

Embora não pratique mais nenhuma modalidade com frequência desde que optou por trabalhar e cuidar da família, Dennys ressalta que apenas por meio do esporte é que começou a viver de verdade. “Antes do esporte eu tinha uma vida sedentária, não me locomovia sozinho, não tinha vida social”, revela. Além disso, Dennys relata a importância de perspectiva que o mundo esportivo lhe ofereceu após conhecer lugares e pessoas novas. “O esporte, para mim, significa saúde. Com isso, pude perceber que minhas limitações eram pequenas perto de muitas que conheci”, conclui.

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