Ato Contra Reforma da Previdência Movimenta a Rua XV

Convocada pela Frente Brasil Popular e centrais sindicais, manifestação ocorreu na tarde da última terça-feira (5) no centro de Curitiba

Por Daniel Tozzi

Militantes de diversos movimentos sociais se reuniram nesta terça-feira (05/11) no calçadão da rua XV de Novembro para protestar contra as medidas do governo do atual presidente Michel Temer (PMDB). Mesmo com o adiamento da votação da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, inicialmente marcada para o dia 5 de dezembro, os organizadores decidiram manter os atos em todo o país.

Em Curitiba, a mobilização ocorreu por volta das 17 horas no cruzamento da Rua XV de Novembro com a Monsenhor Celso. Participaram integrantes de diversas organizações, como a CUT-Paraná, APP Sindicato e o Conselho Regional de Serviço Social (CRESS-PR). Apesar do ato ter sido convocado por conta da movimentação governista em torno da questões previdenciárias, o discurso de seus participantes era de descontentamento generalizado com todas medidas tomadas pelo governo Temer. No local, havia uma tenda que colhia assinaturas para a Campanha Nacional pela Anulação da Reforma Trabalhista, encomendada pela CUT, e um equipamento de som onde líderes de centrais sindicais discursaram.  

A membra da APP Sindicato e uma das organizadoras do ato, Marlei Fernandes, afirma que as mudanças se inserem no contexto de retirada de direitos da classe trabalhadora, planejado pelo governo federal. Ela acredita na necessidade de eventos desse tipo para alertar a população. “É a nossa vida que está em jogo. Se a Reforma é tão boa, porque o deputado, o juiz e o magistrado estão fora dela?”, indaga. 

ElzaMaria Campos, militante da Frente Brasil Popular e professora filiada à APP Sindicato, reitera que o ato de terça-feira serviu para defender a previdência social e protestar contra medidas tomadas, anteriormente, pelo presidente – como o fim de alguns Ministérios, o congelamento das finanças públicas por 20 anos e a Reforma Trabalhista. “Somos contra essa reforma porque a previdência não é deficitária, como afirma o governo. Os grandes empresários e banqueiros é que tiveram suas dívidas perdoadas”, explica.

Além de militantes de movimentos sociais, a manifestação contou com a presença de estudantes e trabalhadores que passavam pelo local e decidiram se juntar ao ato. Luana Bach, estudante de História e militante do Levante Popular da Juventude, acredita que os interesses dos trabalhadores estão sendo renegados pelo Poder Público e, por isso, a população deve se movimentar. Ela, que assinou seu nome no abaixo-assinado pela revogação da Reforma Trabalhista, pensa que iniciativas como esta deveriam ser feitas para outras reformas que já foram implementadas. “Quem está pagando pela crise são os trabalhadores e as classes mais baixas. Essas reformas vão contra nossos interesses e precisam ser revogadas”, explica. 

Segundomembros da CUT-PR que estavam no local, durante o ato foram colhidas cerca de 100 assinaturas para a campanha.

A coordenadora geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPR, Ellyng Kenya, compareceu ao ato e explica que os estudantes que estão se formando dentro da universidade precisam se posicionar em um momento como este. “Há um processo de desmonte nas universidades federais que também está casado com a Reforma da Previdência”. Para ela, a PEC do teto dos gastos públicos (hoje, Emenda Constitucional 95/2016) e as reformas são um processo conjunto de retirada de direitos da população que também afetará estudantes. “Quando sairmos da universidade, não teremos acesso aos direitos trabalhistas e à aposentadoria. Enquanto isso, os próprios parlamentares que pretendem aprovar a reforma, não se incluíram no projeto de reforma”, contesta.

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