Ato pacífico contra aumento da tarifa reúne mais de 500 manifestantes

Foto: Mário Messagi
Foto: Mário Messagi

Estava tudo lá, em menor escala, em menor número: os mesmos atores sociais, os cartazes individuais, a quase ausência de líderes, muitos jovens estudantes e a pauta que iniciou as jornadas de junho, em 2013: o aumento da tarifa, ainda não anunciado. O ato marcado para a Boca Maldita, a partir da 18 horas, ontem, 2, foi convocado pelo Facebook, por alguém desconhecido pelos coletivos de esquerda. Tinha 32 mil confirmados, mas a estimativa da Polícia Militar dava conta de cerca de 300 na concentração. Perto das 20 horas, depois de atravessar a Westphalen e a André de Barros, esta estimativa otimista da PM tinha virado realidade e até ultrapassado os 500 participantes. O principal alvo: o prefeito Gustavo Fruet (PDT).

Um boneco de um Fruet-Judas foi malhado, literalmente no começo do protesto. Verbalmente, o prefeito foi malhado durante todo ele. Os gritos de guerra, puxados por um quase-líder com megafone, entoavam: “Ôôô Fruet, não sou otário, tem que tirar do bolso do empresário” ou “Quem não pula quer aumento” ou “Mãos ao alto, a tarifa é um assalto”.

Um dos quase líder é Luan de Rosa e Souza. Ele não participa de nenhum dos coletivos que estavam ali presentes, pelo menos não declaradamente. Não é do Quebrando Muros, Outros Outubros, Frente de Luta pelo Transporte, Movimento Passe Livre, nem de partidos como o PSTU ou Psol, ou da central sindical CSP-Conlutas, nenhuma das organizações presentes no evento. “A estratégia é pressionar para o cancelamento da licitação e do contrato com as empresas de transporte público. O TCE (Tribunal de Constas do Estado) já condenou a licitação feita em 2010”, explica Luan. “Está provado que o preço deve ser R$2,25. O ato é pelo congelamento da tarifa”, defende. Segundo ele, há dois segmentos com objetivos diferentes no movimento: um é pelo passe livre para estudantes e desempregados e outro pelo passe livre geral.

De Beto à corrupção

Foto: Mário Messagi
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Mas os motivos que levaram os jovens para a rua foram diversos. Segundo Daniela Medeiros, estudante de Psicologia da UFPR, a razão é ser “contra o aumento”. Fruet foi o alvo preferencial, mas Beto Richa (PSDB) também entrou na mira. Uma estudante de direito da Fapar – Faculdade Paranaense – que preferiu não se identificar, disse que protesta contra o governador pois tirou o subsídio e acabou com a integração do transporte na região metropolitana. Ela mora no Rebouças, mas se diz solidária com quem mora nas cidades vizinhas. “Protesto tem que ser tudo irmão”, argumenta.

Cláudia Rabelo, estudante de Ciências Sociais da UFPR, explica que “o protesto é contra o superfaturamento da tarifa e a desintegração da Rede Metropolitana de Transporte”. Nem todos, porém, tem este nível de debate. Marcos Alexandre, estudante de segundo grau do colégio Leôncio Correia, afirma que o protesto é contra o governo. Pergunto: “qual governo?”. Ele responde: “Tudo. Só roubam. Enquanto não parar de roubar não vai abaixar a passagem”.

O único material impresso que circulou no protesto traz motivos bem claros: o atraso nos salários do motoristas e cobradores, a licitação feita em 2010, com fortes suspeitas de direcionamento e sob investigação de vários poderes públicos, o cartel da família Gulin e, fundamentalmente, o direito de ir e vir. Transporte público, defende o movimento, é como saúde pública. Todos têm direito; cabe ao poder público garantir isso.

Sem violência

O ato transcorreu sem incidentes. Apenas uma viatura da PM com dois soldados acompanhou o início da manifestação, bem como um viatura da Guarda Municipal, também com dois soldados. Quatro motos da Setran (Secretaria de Trânsito) orientaram a caminhada e bloquearam o trânsito. As câmeras da Prefeitura também foram usadas para monitorar o protesto.

Antes da caminhada, o Comunicação conversou, em off, com um efetivo da PM, que garantiu que estavam ali para proteger os manifestantes. “É o direito de manifestação. Nós estamos aqui para garantir a segurança deles e das pessoas que passam por aqui”, disse o policial. “Eles vão ficar até meia-noite? Tudo bem. A Setran vai orientar. Nós só queremos evitar depredação de patrimônio”, concluiu.

Do lado dos manifestantes, os poucos black blocs se comportaram. A PM também. Quinta tem mais. No evento no facebook, o ato marcado para as 18 horas, na Boca Maldita, ainda são menos de 700 confirmados. Se a caminhada pacífica de hoje é o começo de uma nova jornada, ainda veremos. Mas não para por aqui, isso é certo.

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