Big data: como a internet sabe tudo sobre mim?

Através dessa tecnologia, empresas monitoram os usuários na internet e armazenam seus dados

Por Camille Alves

Você já percebeu que após pesquisar um produto na internet, os anúncios que você recebe são desse mesmo produto? Ou que às vezes o seu smartphone mostra notificações sobre o trânsito ou o tempo da sua cidade sem você pedir?

Tudo isso é possível graças ao big data. De forma simples, big data é a análise de uma grande quantidade de dados que são coletados em vários lugares a todo instante. Especialistas resumem esse conceito em três palavras-chave: volume, velocidade e variedade. Ou seja, são muitos dados variados processados rapidamente.

Mas que dados são esses?

“Todos os possíveis, imagináveis e não imagináveis”, responde João Eugenio Marynowski, professor do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da UFPR. Toda a nossa navegação na internet é facilmente monitorada e gravada pois existem tecnologias avançadas que permitem coletar, armazenar e processar grande volume de dados de forma rápida.

Infográfico Camille Alves

A função do big data é ajudar na análise e solução de problemas. As empresas, por exemplo, usam esses dados para aperfeiçoar a experiência do usuário, alavancar suas vendas e superar a concorrência. “As que não fazem isso perdem clientes. Elas analisam esses dados para oferecer melhoreA ins produtos cruzando seus interesses, suas vontades e seus gostos”, explica João Eugenio. Enquanto navega na internet, todas as suas ações são monitoradas e armazenadas, permitindo que as empresas saibam quais são os produtos mais procurados e desejados do momento. Por isso, quando você está pesquisando sobre um determinado tópico, os anúncios que irão surgir serão justamente de produtos relacionados a esse assunto.

Além disso, através das redes sociais, as empresas obtêm dados muito mais específicos e precisos e, portanto, conseguem traçar um perfil mais detalhado sobre o usuário. “Elas conseguem te oferecer produtos com uma eficiência muito maior baseada nas suas experiências e vivências que você publica na rede social”, explica o professor. Como tudo o que é feito online é monitorado e gravado, é fácil verificar os hábitos, preferências e padrões de comportamento dos internautas, e isso permite às empresas verificarem tendências de consumo e compreenderem melhor seus clientes.

Segundo João Eugenio, o governo também tem um papel na utilização do big data. “Assim como as empresas têm o objetivo de serem eficientes e venderem mais, o governo também, com base nessas informações cruzadas de vários setores e instituições, consegue fazer uma administração mais eficiente e proativa”, argumenta. Através do big data, o governo pode melhorar a administração pública e a manutenção da cidade. Por exemplo, através de comentários no Facebook, a prefeitura poderia identificar os lugares da cidade onde a iluminação pública não funciona e consertar o problema mais rapidamente, agilizando o processo.

Essas informações podem ser armazenadas e compartilhadas pelas empresas sem dificuldades. Isso porque o usuário, ao fazer o cadastro em um site ou instalar um programa, declara que concorda com os termos de privacidade da empresa. “Quando clicamos em ‘sim’ para instalar um aplicativo sem ler o que vai acontecer, nós estamos correndo esse risco”, explica. Na maioria das vezes, as empresas têm permissão para que os dados pessoais de seus clientes sejam usados. Por isso, João Eugenio diz que o acesso a essas informações pode representar uma ameaça à privacidade, já que com isso é possível identificar seus pontos vulneráveis e talvez usar uma informação que você não gostaria. “Nós usamos muitos recursos que colocam em risco a nossa privacidade porque nós permitimos isso. Então temos que cuidar e diminuir a nossa exposição o máximo possível”, alerta.

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