China será o país homenageado na Bienal de Curitiba em 2017

Cinema, literatura e artes plásticas do país asiático terão destaque no evento, que acontece no final deste ano e início do próximo

Por Pedro Macedo

Entre os dias 30 de setembro de 2017 e 25 de fevereiro de 2018 acontece a Bienal Internacional de Curitiba, que nesta edição terá a China como país homenageado. O evento vai expor obras artísticas, literárias e cinematográficas de diversos artistas chineses, promovendo o que há de mais importante nas artes plásticas e cultura do gigante asiático. A Bienal é financiada pelo Ministério da Cultura, sendo uma realização do Governo Federal através da Lei Rouanet de incentivo às artes e à cultura. Durante os seis meses de programação, ela ocupará mais de 100 espaços culturais da capital paranaense, como museus e galerias. O Museu Oscar Niemeyer (MON) será sede da maior exposição de homenagem à China durante o evento.

A Bienal é um evento de arte contemporânea que existe desde 1993. A cada dois anos, ela reúne artistas do mundo todo, realizando um recorte da produção artística mundial. Apesar da China ser o tema principal, haverá artistas de várias nacionalidades na exposição de 2017, não necessariamente sendo de ascendência chinesa. Dentro da Bienal acontece o Festival de Cinema e o Curitiba Literária, com destaque também aos escritores e aos filmes de origem chinesa.

Cultura Milenar

Carolina Loch, coordenadora da Bienal de Curitiba, afirma que a escolha do país asiático como tema principal se deu, principalmente, pelo aumento da produção de arte contemporânea na China, que se destacou muito nos últimos anos. Ela conta que museus e galerias do mundo inteiro estão dando visibilidade para artistas chineses que antes não tinham tanta visibilidade. “A China é um país com uma cultura milenar riquíssima. Não teria como ver o que eles estão produzindo e não desejar trazer para a Bienal”, conta Carolina.

A expectativa de público para essa edição, segundo a coordenação da Bienal, é de 1 milhão de pessoas, apesar de nas edições passadas o evento ter superado esse número. O acesso ao evento se torna fácil pelo simples motivo de as amostras não ficarem centralizadas em um único lugar e estarem espalhadas pela cidade. A lista de artistas sairá em breve, mas, de acordo com os curadores, essa será a maior exposição de artistas chineses na América Latina.

Para Carolina, a grande contribuição da Bienal para a sociedade é dar a oportunidade para os cidadãos curitibanos de verem artistas importantes de museus de fora na sua cidade. “A Bienal de Curitiba é um meio de conhecer o mundo e a diversidade de suas culturas”, completa. As expectativas só aumentam por conta da recepção positiva do público em relação ao tema, de acordo com a coordenação do evento.

museu oscar niemeyer
O Museu Oscar Niemeyer, palco da maior exposição sobre a China, recebe cerca de 300 mil pessoas por ano (Foto: Divulgação)

Carolina Loch lembra que Curitiba é uma cidade com diversas iniciativas relacionadas à arte em geral. “Temos museus muito importantes, que recebem exposições locais, nacionais e internacionais de tirar o fôlego”, diz Loch. Além das produções locais que invadem todos os dias diversos cantos da capital paranaense, surpreendendo cada vez mais com a qualidade e a relevância. Sendo assim, para a coordenadora da Bienal, todos os esforços de expansão da arte que está sendo realizados na cidade não fariam sentido se os curitibanos não consumissem arte. “Então, acredito que não há motivos para algum pensamento apocalíptico em relação ao consumo cultural aqui”, completa Carolina.

Gigante asiático

Lin Chun Hsien, professor de mandarim no Centro Ásia há três anos e nascido em Taiwan, conta que não sabia que a China seria homenageada na Bienal deste ano, mas que achou a escolha muito interessante, pois o país vem se tornando cada vez mais influente e importante, não apenas no Brasil, mas em todo o cenário mundial. Percebe-se que nos últimos anos o país asiático vem influenciando muitos outros, principalmente os asiáticos, em questões como exército, cultura, política e economia.

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A China vem crescendo economicamente, o que incentiva o aprendizado da língua por diversas pessoas muito a fora. Na foto Shangai, um dos principais centros financeiros do país. (Foto: Manuel Joseph/PEXELS)

Perguntado sobre o interesse dos brasileiros em ter contato com o mandarim, língua oficial da China, Hsien conta que o interesse em aprender o idioma surge por pessoas já interessadas pela cultura chinesa, mas principalmente das oportunidades no mercado de trabalho. De acordo com o professor, “muitos já consideram como a segunda língua universal futura, portanto, é um investimento para o próprio currículo”.

Apesar das enormes diferenças culturais entre China e Brasil, muitas coisas presentes no dia-a-dia dos brasileiros vêm de lá. “Desde a roupa que adquirimos numa loja até o mouse comprado na AliExpress”, diz Hsien. AliExpress é uma loja online com sede na China, conhecida pelos seus preços baratos e a variedade de produtos que se pode adquirir no site.

A China possui muito a oferecer em relação à sua cultura milenar, que influenciou diversos outros países. Trazer o país como homenageado para a Bienal desse ano é uma forma de colocar o povo brasileiro em contato com seu cenário, que aparenta estar tão longe geograficamente, mas pode estar muito perto artística e culturalmente.

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