Comunidade Bahá’í realiza reunião inter-religiosa

O evento acontece no sábado (10/06) e tem o objetivo de promover a paz e unidade de todos os povos

Por Jessica Skroch

Reunião inter-religiosa recebe vários representantes religiosos em prol de um mesmo objetivo (Foto: Reprodução)

No dia 10 de junho, sábado, ocorrerá a reunião de oração inter-religiosa na sede da religião Bahá’í em Curitiba. O encontro terá a presença de 12 líderes religiosos e seus representantes, que irão participar (por meio de oração/mensagem/reflexão/mantra ou outra manifestação religiosa) pelo mesmo propósito: a paz e a unidade dos povos do mundo. O evento é organizado junto aos membros da Associação Inter-Religiosa de Educação.

 

Segundo Sylvio Gil Filho, professor de Geografia da Religião na Universidade Federal do Paraná (UFPR), pesquisador do Núcleo Paranaense de Pesquisa em Religião (NUPPER) e bahá’í responsável pela organização da reunião, esse é um dos eventos que comemoram o bicentenário do fundador Bahá’u’lláh e revela que a simples presença de diversos representantes religiosos é um testemunho importante de que um trabalho em conjunto é possível. Para ele, um encontro assim é muito raro no mundo. “É quase um milagre”, festeja a solidariedade dos outros religiosos para com o encontro.

Na fé bahá’í, Sylvio explica que existem concepções teológicas diferentes entre as religiões, mas que são interpretações humanas de acordo com contexto social e histórico. A concepção divina é sempre a mesma em qualquer crença. A data é importante para unir religiões e também para desmistificar preconceitos. “A unidade só é possível na diversidade. É ter a capacidade da alteridade, de se colocar no lugar do outro. O conhecimento é a chave disso, porque a ignorância afasta as pessoas. Por desconhecer, a tendência é negar o outro” diz o professor. Ele ressalta que só há comunhão quando se vivencia outras religiões.

O representante da Igreja Evangélica Confessional Luterana no Brasil no evento, pastor Jorge Schieferdecker, explica que Jesus pregava palavras de totalidade, como paz, educação, saúde e segurança. Essas questões “estão relacionadas a todas as pessoas, independente de crença, etnia, gênero; e devem ocupar a pauta das pessoas que professam uma fé”, explica.

Glaucia Brito será uma das representantes da fé bahá’í. Por acreditar que a humanidade passa por tempos difíceis, a unidade de “parar, repensar, refletir, orar e agir” é importante. Esses tempos difíceis, segundo ela, se devem ao “excessivo apego ao materialismo, profunda crise moral e ética, ignorância e fanatismo, preconceito, intolerância e corrupção”.

A fé Bahá’í

O  principal ensinamento da fé bahá’í é a unidade da humanidade e das religiões, pregada como a vontade de Deus. A religião Bahá’í nasceu na Pérsia no século XIX (atual Irã), e tem como seu fundador Bahá’u’lláh. No período, existia um movimento de expectativa messiânica em que Báb funda a fé babí, da qual os bahá’í são herdeiros.

Ele teria a missão de anunciar um novo manifestante de Deus, maior que ele mesmo, o fundador da fé Bahá’í que inaugura um novo ciclo profético. A religião mundial nasce independente quando Bahá’u’lláh, exilado em Bagdá, proclama-se o prometido das profecias das principais religiões mundiais, no ano de 1863. Leonora Armstrong foi a responsável por trazer a fé ao Brasil na década de 1920, considerada a mãe espiritual dos bahá’í na América Latina. Hoje, estima-se que a comunidade brasileira seja formada por 65 mil pessoas.

Essa crença tem as escrituras sagradas próprias do seu fundador, mas considera também outros exemplos como a Bíblia e o Alcorão. Além disso, para Bahá’u’lláh, Krishna e Buda são também profetas – e todos, seja do islamismo, judaísmo ou cristianismo, têm um objetivo comum. Eles não podem sofrer distinção porque proclamam a mesma fé. Segundo Sylvio, para os bahá’í, as religiões trabalham no sentido de um mesmo propósito. Por isso, é muito fácil para seus simpatizantes conviverem com outras religiões, além de se adaptarem a qualquer cultura.

“É uma religião moderna”, acrescenta. “Não há sacerdócio, clero, dogmas ou rituais pré-estabelecidos. Os princípios dizem que mulheres e homens devem ser iguais, que é preciso eliminar preconceitos, e que todos estão à serviço da humanidade de acordo com seus potenciais”, esclarece.

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