Conheça as bitcoins, uma alternativa às políticas econômicas conservadoras

Bitcoins são uma alternativa rápida, barata, segura e anônima de fazer transações para o mundo todo

Por Anelize Visin

O Bitcoin (BTC) é a primeira moeda digital descentralizada do mundo, uma criptomoeda. Assim como o ouro, o Bitcoin é um artefato raro e deflacionário, ou seja, com estoque finito e demanda crescente. É uma rede que não depende de emissor central, é autossuficiente e diferente de outras moedas digitais, pode ser usada para comprar bens reais, digitais e pagar serviços.

Apresentada em 2008 por um programador japonês anônimo, conhecido pelo pseudônimo de Satoshi Nakamoto, a proposta do Bitcoin foi inaugurada em 2009. Ela pretende ser uma rede descentralizada e independente, então não responde a nenhum banco ou instituição. Quando a moeda não está ligada a uma central, ela não fica sujeita a inflação ou desvalorização, caso ocorra uma crise econômica, por exemplo.

Segundo Júnior Garcia, Doutor em desenvolvimento econômico, a crise econômica pela qual o país tem passado revela as falhas do sistema monetário tradicional. Essa situação “tem contribuído para que os investidores busquem ativos financeiros alternativos que lhes proporcionem maior confiança e rentabilidade, como a moeda digital”, complementa Garcia.

Como funcionam as Bitcoins?

Qualquer um pode utilizar as criptomoedas, basta ter um programa cadastrado no computador, smartphone, através de sites especializados (web wallet) ou por uma carteira de papel.

Ao entrar na rede, são gerados para cada pessoa dois endereços bitcoins, que são códigos com até 34 caracteres alfanuméricos. Neles serão armazenados os BTCs. Cada endereço é um par de chaves, uma pública, que pode ser passada para outras pessoas fazerem depósitos e transferências. A segunda, privada, é uma espécie de senha e é usada para acessar e gastar os próprios BTCs.

A rede funciona através de uma corrente de blocos, um banco de dados distribuído, que é atualizado a cada 10 minutos e contém todas as transações realizadas naquele momento. Esse método torna praticamente impossível reverter ou estornar uma transação anterior. A corrente de blocos é pública e postada na rede P2P do Bitcoin, isso é o que garante que o dinheiro não seja utilizado duas vezes, pois pode-se checar se aquela transação já foi realizada antes.

Outro fator do protocolo do Bitcoin é que todas as transações são anônimas. Como os endereços são todos criptografados, não estão associados a uma pessoa, é quase impossível saber se João transferiu 1 milhão de BTCs para Pedro, a menos que um dos dois esteja sendo muito bem investigado.

Contudo, esse anonimato também pode ser um facilitador de ações ilícitas. Alguns traficantes de drogas e armas já viram nisso uma oportunidade para realizar comércio online com pagamentos exclusivamente por bitcoins.

Como conseguí-los?

Existem duas formas para conseguir BTCs: compra e venda ou por mineração. A compra ou venda de BTCs é feita com a moeda do país (real, dólar, euro, etc), em casas de câmbio ou diretamente com outros usuários, através de anúncios em sites direcionados ao assunto. Como qualquer outro produto, alguém anuncia o valor e os interessados tentam negociar para finalizar a transação.

A mineração é um processo mais complicado e exige um processador muito bom para dar resultados. É um processo computacional em uma rede P2P, onde os mineradores estão competindo para descobrir o próximo bloco, quem descobre recebe uma recompensa (atualmente 25 BTCs por bloco).

Conforme os avanços tecnológicos, a dificuldade tende a aumentar e a recompensa, diminuir. Isso também consta no protocolo do Bitcoin, sendo um processo automático. É preciso deixar claro: não é fundamental minerar para fazer uso da rede Bitcoin, minerar é muito difícil e requer um alto investimento em equipamentos para haver um retorno.

Por quê usar?

O uso dos BTCs como investimento a longo prazo e o uso da rede como forma de não depender de bancos e instituições financeiras e um dos principais motivos para a adesão. Além disso é mais prático e menos burocrático fazer as transações, principalmente internacionais, com um custo muito menor. “Eu arrisquei tudo, as respostas vieram naturalmente e me surpreenderam, não me arrependo e hoje tenho o maior portal sobre o assunto do Brasil”, afirma Jansen Grizenti, usuário e administrador do portal Guia do Bitcoin.

Por se tratar de uma tecnologia relativamente nova e envolver questões monetárias, o receio inicial é natural. Não aceitar ajuda de terceiros para administrar sua carteira, saber todos os detalhes de cada movimentação realizada, não fazer em hipótese nenhuma transações em computadores ou celulares compartilhados e desconfiar de empresas que prometem retornos exorbitantes diminuem as chances de fraudes. “Uma regra primordial do mercado financeiro é ‘Não existe almoço grátis’, se algum indivíduo ou instituição prometer rentabilidades incompatíveis com as praticadas no mercado financeiro tradicional, a probabilidade de estar diante de uma fraude é alta.”, afirma Rafael Herrera, Arquiteto de Infraestrutura em Cloud Computing.

Contudo, é possível relacionar as maiores vantagens e desvantagens do Bitcoins. Os principais pontos positivos são o investimento financeiro, especulação financeira, economia com taxas bancárias, anonimato, segurança, possibilidade de microtransações (inclusive a transferência de centavos) e a facilidade de integração em sistemas atuais.

Como aspectos negativos, pode-se relacionar a facilitação de atividades ilegais (venda de armas/drogas, financiamento de grupos terroristas, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraudes financeiras), e o fato de ainda ser um sistema pouco difundido, portanto ainda existe muita desinformação e dificuldade por conta da sua complexidade.

Com uma tecnologia rápida, barata e segura, é esperado que cada vez mais pessoas conheçam, entendam e façam uso da nova tecnologia das criptomoedas. “A aceitação das moedas digitais é uma tendência mundial. As pessoas estão exigindo liberdade para escolher qual dinheiro querem usar em suas vidas.”, conclui o especialista Júnior Garcia.

Uma nova geração de pessoas nascidas em um mundo digitalizado, o avanço das transações digitais, a criação da moeda digital sem a contrapartida no endividamento e a ampliação de sua aceitação como meio de pagamento ou troca em compras virtuais e reais, são alguns fatores que tem contribuído para que o Bitcoin se torne uma tendência cada vez mais real.

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