Conheça Maurício Dottori, candidato à direção do Setor de Artes, Comunicação e Design pela chapa Convergência

Professor da UFPR desde o ano de 2002 e chefe do Departamento de Artes por quatro mandatos, Dottori traz como principal proposta a integração entre os cursos que compõem o setor

Por Gabriel Muxfeldt

(Foto destacada: arquivo pessoal)

Nascido na cidade do Rio de Janeiro e criado no Cascadura, bairro de classe média na zona norte da cidade, teve contato com a música desde menino. A primeira lembrança que carrega é a de estar ao piano logo aos 6 anos de idade, mas essa relação já existia há mais tempo. Dottori é um homem articulado, com uma visão ousada e inovadora e que defende com veemência seus pontos de vista.

A personalidade forte, a simpatia e o jeito de falar não escondem as marcas da criação na cidade maravilhosa. Prestou o vestibular e se formou em Geologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um curso que gostava, mas que não tinha tanto a ver com suas reais aptidões artísticas. Nunca deixou a música de lado e partiu então para a especialização em composição musical na cidade de Florença, na Itália, nos anos de 1988 e 1989. Ao retornar, cursou Artes na Universidade de São Paulo (USP) e iniciou sua carreira como professor da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP), em 1992. Cinco anos depois, concluiu seu doutorado em musicologia, no País de Gales.

Em 2001 prestou concurso público e assumiu a cadeira na UFPR. Entre idas e vindas, teve a oportunidade de assumir a chefia do Departamento de Artes por quatro mandatos, totalizando 8 anos de administração. Desde então, vem lecionando matérias de composição, contraponto e eletroacústica, aliando a esta última seus conhecimentos da área de geologia.

Dottori tem muito orgulho em ressaltar suas conquistas como chefe de departamento. Entre elas, a criação de 12 novas salas de aula e a implementação de 4 vagas de docência – num departamento que ainda hoje carece de professores, este é um número bem expressivo. Além disso, participou também da elaboração do projeto de mestrado em música, até então inexistente. O professor afirma que sempre lutou com o máximo de esforço pelos interesses e necessidades do departamento a qual pertence. Esteve presente nas discussões a respeito da separação dos cursos de Artes, Comunicação e Design, que pertenciam à Faculdade de Ciências Humanas, Línguas e Artes e que culminaram na criação do SACOD – setor ao qual Dottori concorre à direção.

Faltam menos de 2 anos para que o professor possa pedir a aposentadoria e, por isso, sua principal proposta é deixar um legado de integração entre os cursos, algo que atualmente se dá de maneira bastante dificultosa. As três áreas de conhecimento foram agregadas em um setor à parte justamente por possuírem diversas afinidades entre si, característica que poderia trazer maiores benefícios e melhor formação aos alunos de todos os cursos que o compõem. No entanto, a má distribuição entre os campi da Universidade tornam essa interação muito complicada, já que cada curso está localizado em um campus diferente: Comunicação no bairro Juvevê, Artes no campus do Batel e Design no prédio da Reitoria, no centro.

A chapa Convergência é encabeçada por Dottori e traz a professora Carolina Calomeno, do curso de Design, como candidata à vice-diretora. Caso sejam eleitos, buscam convocar os coordenadores de curso para que, de uma forma mais lógica e sensata, seja possível otimizar a integração entre os cursos. Isso através de uma melhor montagem das grades-horárias e de uma distribuição dos laboratórios mais eficiente.

O professor Maurício Dottori acredita ser a pessoa mais adequada para assumir o cargo devido à sua grande capacidade de interceder pelos interesses de seus alunos. Ele afirma não possuir maiores pretensões quanto à cargos de reitoria ou outros no âmbito universitário, além de sempre ter mantido boas relações com o reitorado. Também acredita que sua experiência adquirida nos quatro mandatos como chefe de departamento seja imprescindível para a conquista de melhorias para o setor. Quando perguntado a respeito de sua postura em relação à gestão vigente, declarou não possuir problemas pessoais com os atuais encarregados, mas que o setor como um todo acabou perdendo por omissão. Em sua opinião, por vezes o que faltou foi pró-atividade, insistência e visão de futuro, o que acabou por acarretar na perda de possíveis oportunidades de desenvolvimento estrutural dos cursos em questão.

Dottori é flamenguista, pai de 5 filhos, gosta de viajar e nas horas vagas tem por hobby montar miniaturas de veículos e maquetes. Seu espírito audacioso e visionário fica explícito ao contar de uma viagem que fez de carona indo de Instambul, na Turquia, até a capital inglesa, Londres, aos 24 anos de idade. O estilo de música que mais o agrada é a contemporânea de vanguarda, em que se destaca o compositor japonês Toru Takemitsu. Ele concluiu seu livro “A Noite, A Música, Ensaios Sobre A Filosofia da Criação Musical” há pouco tempo e atua também na composição de música para espetáculos, como o do ballet “Águas do Hades e do Éden”, que desenvolveu em conjunto com outros compositores e foi exibido no mês de agosto. Há 10 anos, está entre os 25 premiados da Bienal de Música Brasileira Contemporânea da FUNARTE (Fundação Nacional de Artes), ganhando em cinco categorias diferentes.

 

A luta pelo improvável

 

O SACOD foi criado no ano de 2012 e desde 2015 está pronto o projeto da construção de um novo prédio, onde se instalariam os três departamentos e seus respectivos cursos. O complexo seria construído onde hoje está o Departamento de Comunicação Social (Decom), na Rua Bom Jesus, 650 – Juvevê. Com visual moderno e progressista, o edifício viria com a proposta de representar um pólo de inovação dentro da UFPR, que tem sofrido cada vez mais cortes nos repasses do governo federal. Nunca foi feita uma avaliação oficial de quanto seria necessário para a construção do conjunto, mas Dottori afirma que seriam necessários cerca de 15 milhões de reais para o primeiro bloco e 30 milhões para o restante.

Esta é a principal luta da chapa Convergência, que almeja otimizar e aproveitar ao máximo os recursos destinados ao setor, bem como melhorar a integração entre os cursos, que seriam objetivos completamente atendidos pela construção do empreendimento. Quando confrontado sobre a captação dos recursos, Dottori é incisivo em dizer que através da pressão contra o governo federal será possível desenvolver o projeto. Além disso, o professor tem a convicção de que outros trâmites dentro da Universidade podem dar origem a parte dos recursos. Um exemplo seria a venda em leilão do campus Batel que, segundo a avaliação do candidato, poderia trazer, pelo menos, cerca de 19 milhões de reais para a construção.

O mandato de diretor setorial tem o período de 4 anos e Dottori sabe que, nesse tempo, será impossível começar e terminar a obra. Porém, acredita que pode agilizar e alavancar o processo de modo que se torne concreto em um futuro mais próximo.

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