Cresce atuação das mulheres na política da UFPR

Posse da vice-reitora no dia 8 de março chama atenção para as conquistas femininas dentro da universidade

Por Raisa Toledo Baptista

No último Dia Internacional da Mulher (8), trabalhadoras de 40 países ao redor do mundo participaram da Greve Internacional de Mulheres.  O slogan “Se nosso trabalho não vale, produzam sem nós” sintetiza algumas de suas demandas: o reconhecimento de seu trabalho e capacidades, e a possibilidade de participar da vida política e econômica de forma mais igualitária. Essa é também uma reivindicação nos espaços acadêmicos e universidades de todo o mundo, que não estão livres da desigualdade de gênero.

Das 63 universidades federais do Brasil, 19 são dirigidas por reitoras, o que equivale a um terço das instituições. Na região Sul, apenas duas de 11: a UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) e a FURG (Universidade Federal do Rio Grande), caracterizando-a como a região com maior disparidade entre administradores homens e mulheres.

Também no Dia Internacional da Mulher, em Curitiba, Graciela Inês Bolzón de Muniz tomou posse como vice-reitora da Universidade Federal do Paraná. Nascida na Argentina, ela se formou em Engenharia Florestal na Universidade Nacional de Santiago del Estero em 1977, onde deu aulas até 1993. Faz parte da UFPR há 23 anos, como professora, pesquisadora e coordenadora de programas de inovação, desenvolvimento tecnológico e captação de recursos.

Graciela é a quarta vice-reitora da Universidade Federal do Paraná. Além dela, Maria Amélia Zainko e Maria Tarcisa Bega já ocuparam o cargo na instituição, que só teve uma reitora em seus 112 anos de história: Márcia Helena Mendonça, vice de Carlos Augusto Moreira Júnior na gestão de 2006, que assumiu a reitoria de junho a dezembro de 2008, após a exoneração de Moreira.

Nova vice-reitora falou de sua história, carreira e desafios da nova gestão em discurso de posse (Foto: Marcos Solivan, Sucom UFPR).

Universidade caminha em direção a igualdade de gênero

Apesar de timidamente, a UFPR avança no quesito participação das mulheres em seu cenário político. É o que conta a professora Luciana Panke, especialista em Comunicação Política e Superintendente de Comunicação. “A Universidade está no mesmo caminho que várias outras universidades públicas, que é trazer mais mulheres para cargos gerenciais e políticos”.

Se, por um lado, apenas quatro dos dezesseis setores da Universidade são dirigidos por mulheres, elas ocupam hoje a Vice-reitoria, Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, a Superintendência de Comunicação e a do Hospital de Clínicas. Além disso, em um momento inédito, na Faculdade de Direito da UFPR ocupam os cargos de direção e sete dos cargos mais importantes da Graduação e Pós Graduação.

Graciela Bolzón de Muniz, que administrará a UFPR ao lado do reitor Ricardo Marcelo Fonseca, considera o novo cargo uma conquista significativa. A mulher na Universidade tem uma atuação muito humilde e deveria ser muito mais participativa, principalmente nas carreiras duras, de onde eu venho”, disse a professora.

Ela avalia que, apesar de longe de ideal, a participação feminina aumentou em seus 43 anos de trabalho em universidades. Hoje a Universidade Nacional de Santiago del Estero, onde Graciela iniciou a carreira, tem a primeira reitora de sua história, eleita em 2009 e reeleita em 2013. “Mas ainda tem muita coisa para superar, e temos que aprender a trabalhar lado a lado, homens e mulheres”, afirma.

O mesmo ponto de vista é defendido por Luciana Panke. “São visões diferentes de mundo entre homens e mulheres, formas distintas de tratar as coisas. Quanto mais a gente tiver igualdade de gênero, melhor administrada vai ser a universidade”, diz. Sobre a escolha da data da posse, Panke é categórica: “Programamos a posse para o Dia da Mulher para marcar a data e valorizar a presença da mulher na administração da Universidade, mas também para ser simbólico no sentido de que estamos aqui enquanto mulheres e temos uma pesquisadora de ponta representando todas as mulheres da Universidade”.

Conquistas e demandas dos estudantes

Para Maria Victória Ribeiro Ruy, integrante do DCE UFPR e militante feminista, o movimento estudantil também teve avanços importantes na caminhada pela igualdade de gênero. “Vem se discutindo cada vez mais os obstáculos que o machismo coloca às mulheres na universidade e como podemos nos organizar para combatê-lo. Isso vai desde as tradições machistas dos trotes, passando por comentários preconceituosos de professores em sala de aula, até a evasão de estudantes mães por falta de políticas de permanência”, afirma.

Segundo ela, a nomeação de Graciela deve ser sentida com mais cautela. “Ao mesmo tempo em que nos anima ver mulheres ocupando espaços antes ocupados apenas por homens, devemos ficar atentas para não cair numa lógica mecânica de representatividade. Uma mulher ocupar um cargo político não necessariamente garante políticas para as mulheres. Significativo vai ser ver as demandas das mulheres da universidade e dos estudantes em geral estarem no topo da lista de prioridades da reitoria”.

 

 

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