Crossfit: levando seu corpo ao limite

Seguindo as orientações corretas e adaptando movimentos e pesos segundo suas limitações, qualquer um pode praticar o Crossfit

Por Daniel Kei

O Crossfit, criado por Greg Glassman, é famoso pela união de três vertentes: variância, movimentos funcionais e alta intensidade. A consequência é de um treino curto e intenso. À primeira vista, as anilhas, barras e caixas podem parecer exigentes demais, mas o esporte também tem se mostrado plenamente adaptável para todas as idades e capacidades físicas.

O coach, treinador responsável por avaliar o treino de cada aluno, deve ser capaz de fazer adaptações necessárias para suprir limitações individuais, mudando os exercícios quando necessário. E, por isso, a modalidade vem crescendo e despertando a curiosidade pelo país.

Um exemplo da acessibilidade no Crossfit é o caso do acupunturista Diego Coelho, de 31 anos, que adotou a atividade em 2014 e hoje é um dos melhores do mundo entre os paraplégicos.  Nesse caso, a dificuldade dos exercícios é ainda maior, pois ele só conta com o auxílio dos braços e mãos. Nessa modalidade existem cerca de vinte atletas no país, mas nenhum alcançou tão boas classificações como Coelho.

Fisioterapeutas e médicos apontam os inúmeros benefícios da modalidade, como, por exemplo, a melhoria na coordenação motora e no equilíbrio, o aumento da agilidade e a maior precisão ao usar o corpo. “Por ser necessária a utilização de muita força e atividade aeróbica, (o Crossfit) proporciona uma definição melhor do corpo, e por se tratar de um trabalho funcional, o praticante sente muita disposição”, afirma a fisioterapeuta Karina Jorge.

Jackson Parolin, praticante do Crossfit há cerca de 2 anos, sente que sua qualidade de vida melhorou muito desde que começou a praticar. “Me tornei uma pessoa mais saudável, com mais força e disposição para enfrentar o dia a dia, pois além das atividades físicas regulares também melhorei meus hábitos alimentares”, diz. Jackson conta que, por consequência das altas cargas e quantidade de repetições, é comum surgirem dores, mas que com o tempo o corpo se acostuma e as dores diminuem. De acordo com ele, um dos principais comprometimentos ao se praticar o Crossfit é saber respeitar seus limites.

Karina alerta que o treino deve ser praticado com cautela e acompanhamento. “É comum pessoas se lesionarem por executar errado o exercício ou pelo excesso de carga”, diz ela. Um estudo americano publicado na revista The Orthopaeic Journal of Sports Medicine aponta que vinte por cento das pessoas que praticam a modalidade desenvolvem lesões, principalmente na coluna, confirmando as declarações da fisioterapeuta.

Além de ficar em 3º lugar no Brave Games, Jackson Paraolin também alcançou 2º lugar no ranking latino americano (Foto: Daniel Kei Nemise)

Uma das competições entre atletas de Crossfit é o Braves Games. O evento aconteceu nos dias 7 e 8 de abril, em Curitiba. A competição, que chega à sua terceira edição, reuniu centenas de atletas em provas que testavam suas capacidades físicas.

Jackson, que alcançou o 3º lugar em algumas modalidades do Brave Games, considera o surgimento dessas competições como uma consequência natural do crescimento do Crossfit no cenário nacional e internacional. “Como eventos desse tipo envolvem, além dos atletas, os amigos e familiares dos praticantes, a visibilidade da mobilidade é cada vez maior, o que acaba gerando interesse dos que ainda não ingressaram nesse fascinante mundo fitness”, explica.

Embora a modalidade ainda seja algo recente na capital paranaense, eventos desse tipo têm movimentado a economia desse mundo em São Paulo. A capital paulista é a cidade brasileira com o maior número de academias de Crossfit (conhecidas como bozes). E, do jeito que as coisas estão, não irá demorar muito para o Paraná chegar ao mesmo patamar.

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