Curitiba aponta como interessante polo no desenvolvimento de jogos digitais

Descubra como se encaixa a capital paranaense frente a um mercado que já vale bilhões e que cresce exponencialmente ano após ano

Por Osmar Filho

Há mais de 10 anos, o renomado e agora finado crítico de cinema Roger Ebert proclamava uma frase polêmica: “Videogame nunca será arte”. A descrença na indústria dos jogos digitais pelo analista ficou clara e mais tarde, insensata, já que no mesmo ano, a mesma acabou superando a indústria do cinema pela primeira vez na história. Os games faturaram cerca de US$ 30 bilhões contra apenas US$ 19 bilhões dos filmes.

Pesquisas apontam que área está em crescimento constante. Só em 2016 foram movimentados quase US$ 100 bilhões segundo a Newzoo, uma das principais pesquisadoras do nicho. A empresa também previu um aumento de 6,9% no lucro para 2017.  Um quarto de todo o dinheiro vem da China e outro dos Estados Unidos. A américa latina, por sua vez, concentra apenas 4% do montante.

O Brasil lidera o mercado desse continente, com aproximadamente US$ 1,3 bilhão, o que representa uma pequena porção, tratando-se de um dos países que mais se destaca no consumo dos games – está em 11º do ranking mundial. Já são 59,2 milhões de jogadores brasileiros (28% da população). Entretanto, a indústria nacional ainda não conseguiu assegurar seu lugar na produção em escala global.

De acordo com estudos do BNDES, praticamente metade dos desenvolvedores brasileiros no segmento começaram suas agências nos últimos 4 anos e a maior parte delas tem receitas anuais de menos de R$ 250 mil. Isso representa um crescimento no interesse por esse mercado, mas um cenário ainda pouco competitivo com o internacional, como as gigantes americanas e japonesas.

Estas empresas estão divididas principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Contudo, cursos de desenvolvimento de jogos digitais, assim como certos desdobramentos de design, são ofertados por faculdades de todo o país, o que não é diferente em Curitiba.

Curitiba no cenário dos games

A cidade não é considerada um centro importante no mercado de games, mas tem bastante potencial, como explica o gerente de projetos da empresa Freddy Bear Games, Rafael Lopes Lagos: “A minha percepção é que isso aqui [Curitiba] é uma bolha prestes a estourar, tem tudo pra virar um polo, falta só um ‘start’ pra começar a reação química que vai gerar essa proliferação de empresas”.

A produtora, conhecida por seu projeto “Paranismo: uma jornada por Curitiba”, é filiada à Universidade Positivo e é uma das pequenas que tentam sobreviver no mercado hostil de games da capital paranaense. Segundo Lagos há muitos profissionais bons saindo das universidades curitibanas, mas eles não são aproveitados pois o mercado ainda está começando.

Quanto a falta de investimento dos órgãos públicos, uma das dificuldades encontradas pela equipe da empresa, o gerente apresenta otimismo: “Agora eles [Prefeitura] começaram a se ligar que jogo também é cultura”. Outra dificuldade é a competição desigual com o mercado estrangeiro, ao que Lagos rebate: “A gente tem que fazer o que o brasileiro faz de melhor: se virar nos trinta”.

Mesmo o cenário curitibano parecendo irremediável, tempos melhores virão, à medida que se em cinco anos até Roger Ebert mudou sua opinião: “Videogames podem ser elegantes, sutis, sofisticados, desafiantes e maravilhosos visualmente”, Curitiba pode, com os investimentos certos, se tornar um grande polo da produção de jogos digitais.

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