Curso de Artes Visuais atende a demanda estudantil e inicia processo de mudança de turno

A expectativa é de que o curso que hoje ocorre à tarde e não tem horários regulares passe a ser oferecido no período matutino a partir de 2018

Por Natalie Campos

Os cursos de Licenciatura e Bacharelado em Artes Visuais provavelmente serão oferecidos no turno matutino a partir de 2018, como foi discutido na Assembleia Estudantil que ocorreu no dia 19 de abril no Departamento de Artes. A insatisfação dos alunos com a dificuldade de encontrar estágios e empregos foi um dos principais fatores responsáveis pelo índice de quase 30% de desistência do curso em 2016.

Em pesquisa realizada no ano passado, respondida por um terço dos alunos, 97% se declararam a favor da mudança. Além de beneficiar os futuros calouros de Artes Visuais, a medida também favorecerá os alunos de outros anos. Ainda estão por acontecer reuniões que definirão como a mudança de turno será aplicada nas turmas já existentes.

A coordenadora do curso, Stephanie Dahn Batista, conta que alguns alunos trancam a matrícula para poder fazer o estágio obrigatório. A maioria das instituições culturais e museus da cidade, como o Museu Oscar Niemeyer (MON), tem horários coincidentes com o das aulas. “ Além disso, a irregularidade do horário dificulta a realização de outras atividades extracurriculares. A falta de horário fixo de saída é um dos motivos para que não haja um intercampi que passe pelo campus no fim do dia.

Outros problemas foram ressaltados na Assembleia. “Faltam salas adequadas para dar aula”, diz a vice-coordenadora, Tânia Bloomfield. Isso porque ocorre superposição dos cursos de Artes e Música. Já no período da manhã as salas ficam desocupadas.

A Assembleia

Assembleia reuniu mais de um terço dos 150 graduandos de Artes Visuais. Foto: Natalie Campos.

Compareceram 52 alunos, uma secretária e sete professores, incluindo a coordenadora e a vice-coordenadora de Artes Visuais. Foi averiguado que todos os presentes poderiam estudar de manhã e que a maioria estaria de acordo com a mudança.

Nas palavras da vice-coordenadora, a Assembleia “documenta e fundamenta o movimento”, já que foi uma confirmação de que a troca de turno seria a decisão repassada para o setor no final de abril. Esse prazo foi dado para que as informações possam ser divulgadas corretamente no processo seletivo deste ano. “É um processo simples burocraticamente”, explica Dahn. O departamento deu entrada neste processo de mudança de turno, que agora tramitará pelas outras instâncias da UFPR.

Graduandos de Música enfrentam o mesmo problema

Os motivos são os mesmos: a dificuldade de estagiar e de encontrar um emprego são fatores que preocupam os alunos de Música, por exemplo. Victor Kalckmann está a procura de emprego há meses. Encontrou alguns trabalhos esporádicos, mas nada que o sustentasse. “De manhã estou tocando na XV”, diz Kalckmann, se referindo à rua XV de Novembro, no centro de Curitiba. Diego Nunes está na mesma situação: “Dar aulas de inglês é a única coisa que eu posso fazer, já que pode ser em horários flexíveis”.

Mas, para os graduandos de Música, não há previsão de mudança. O coordenador do curso, Hugo Melo, justifica: “Desde 2001 o Curso de Música tem, na maioria, alunos para os quais o turno da tarde é o mais adequado”. De acordo com Melo, os alunos de Licenciatura atuam em escolas públicas de manhã, enquanto muitos dos de Bacharelado tocam em eventos noturnos, impossibilitando sua presença em aulas matutinas.

Reforma curricular poderá acontecer em breve

A partir das diretrizes de 2015 do Ministério de Educação e Cultura (MEC) para as licenciaturas, os dirigentes do curso de Artes Visuais começaram a refletir sobre o que deveriam mudar na graduação. O curso está sem transformações significativas desde 2008, quando de Educação Artística passou para Artes Visuais. “Há a necessidade de mais discussão, análise e reflexão”, defende a coordenadora, ressaltando que a reforma não acontecerá ainda neste ano.

Dahn dá a dica de que o fator da semestralidade será repensado, já que as disciplinas são anuais e não semestrais. Esse é um fator negativo para alunos que reprovam ou fazem mobilidade acadêmica. “O aluno vai para Portugal passar um semestre e quando volta passa meio ano sem aulas, só com optativas semestrais”, exemplifica.

Enquanto mais mudanças não acontecem, a possibilidade da troca de turno é a novidade no curso de Artes Visuais para 2018. A medida ainda tem de ser aprovada por outras instâncias da universidade, mas Dahn se mantém positiva: “Certamente dará certo”.

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