Curso de Jornalismo da UFPR completa 50 anos

O curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) está fazendo, no ano de 2014, 50 anos de existência. Fruto de um projeto feito no governo de João Goulart, o documento que tornava oficial a existência do curso foi assinado apenas no dia 1º de abril de 1964, pelo então ministro da educação e cultura Pedro Aleixo.

As primeiras aulas foram realizadas na reitoria, sendo transferidas para o Prédio Histórico anos depois. O motivo da mudança foram desavenças entre os estudantes de Jornalismo e de outros cursos de humanas. No edifício da Praça Santos Andrade, permaneceu até o ano 2000.

Aula de “Ética e Legislação dos Meios de Comunicação”, ministrada pelo professor João Feder. Um dos poucos retratos do curso de jornalismo em seus primeiros anos no Prédio Histórico. (Foto: Acervo pessoal / José Wille)

 

Em 2001, o curso foi transferido mais uma vez: agora para o Campus Juvevê, onde permanece até hoje. Apesar de isolado em relação aos demais campi da universidade, houve ganhos significativos na infraestrutura com a mudança.

 

“Na época da Santos Andrade, o atendimento aos alunos era feito nos corredores, pois não havia lugar para fazer isso. Nós nem sonhávamos em ter gabinetes como temos hoje”, conta o professor Jair Antônio Oliveira. Na foto, fachada do Campus Juvevê. (Foto: Rodrigo Juste Duarte / Universidade Federal do Paraná)

Relatos dos velhos tempos

A ex-aluna do curso de jornalismo e professora Kelly Prudêncio recorda as dificuldades que ela e seus colegas de classe enfrentaram. “Naquela época, ano que não tinha greve acontecia incêndio ou algo do gênero. Mesmo assim, éramos uma turma muito dedicada. Quando não tinha aula, ficávamos estudando na cantina, correndo atrás do prejuízo”, afirma.

Outro ex-aluno é o professor José Carlos Fernandes. Ele confirma a situação precária daquela época. “Era um período de transição, pois os professores estavam se aposentando. As aulas, quando aconteciam, tinham esse ritmo desleixado. Foi o momento que mais li em toda minha vida, estudei muito por conta”, explica.

Já o professor Mário Messagi Júnior, também ex-aluno do curso, lembrou a precariedade em números. “Tive três aulas de fotografia, um encontro de telejornalismo e um encontro de rádio na minha graduação inteira. Era um curso muito omisso, que não fazia discussão sobre o jornalismo nos dois primeiros anos”, conta.

Em relação à situação atual, os professores concordam que houve uma grande melhoria no curso de lá para cá. “Até porque não tinha como piorar”, brinca Messagi.

Já o estudante do terceiro ano de Jornalismo e vice-presidente do Centro Acadêmico de Comunicação Social (Cacos), Rafael de Andrade, crê que o curso segue com os mesmos problemas relatados pelos professores. “Talvez os problemas existam em uma menor escala do que era antes, mas ainda em níveis alarmantes. É possível que hoje os professores discutam mais sobre a profissão do que faziam lá atrás, mas ainda assim é necessário que exista um incentivo maior ao debate”, argumenta.

Comemoração pelos 50 anos

Nesta quarta-feira (14), às oito horas da noite, será realizado um jantar para comemorar o meio-centenário do curso de jornalismo. O local em que ocorrerá a confraternização é o Restaurante Madalosso, localizado no bairro Santa Felicidade.

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