Depois de três meses, Área Calma trouxe mais segurança apenas para pedestres

Dados do Corpo de Bombeiros registraram uma queda brusca nos atropelamentos ocorridos na região central de Curitiba na passagem de 2015 para 2016. Foram apenas 11 ocorrências de novembro a janeiro deste ano, ante 39 no trimestre anterior e 40 no mesmo período de 2015–70% a menos, em ambos os casos. A redução coincide com a implantação da Área Calma pela prefeitura da cidade, que limitou a 40 km/h a velocidade máxima dos veículos que trafegam pelos 140 quarteirões do anel central.

Só que as estatísticas para colisões entre automóveis não variaram nos períodos analisados, com 14 choques por trimestre, em média. Ocorreram menos acidentes com motos nos últimos seis meses que no período anterior, 22 ante 62, mas os meses com poucos registros são anteriores à implantação da Área Calma. Também não há coincidência quando o assunto é bicicleta: de novembro de 2015 a janeiro de 2016, o Corpo de Bombeiros registrou 18 ocorrências. No mesmo período dos anos anteriores, 16.

Fonte: Bombeiros Cascavel

Segundo a Prefeitura de Curitiba, o objetivo da instalação da Área é criar um ambiente de melhor convivência no trânsito, estimular o compartilhamento do espaço por diferentes modais de transporte e aumentar a segurança para pedestres, ciclistas e motoristas, reduzindo o número de acidentes.

Em linhas gerais, a meta foi atingida: de novembro a janeiro, 71 acidentes foram registrados pelos Bombeiros — é um número 42% inferior ao mesmo período do ano anterior, com 124 ocorrências.

Placa na Rua XV indica início da Área Calma (Foto: Helena Salvador)

Arrecadação

Levantamento da Prefeitura de Curitiba mostra que, um mês após a implantação dos novos radares na região central, para vigiar a Área Calma, foram registradas em média 272 infrações por dia.

Foram 3.310 autuações por exceder o limite velocidade da via em até 20% além do permitido, 437 por ultrapassar entre 20% e 50% os 40km/h e 27 foram flagrados acima dos 60km/h. Também foram expedidas 198 multas por avanço de sinal vermelho, 103 por parada na faixa de segurança e 8 por conversão proibida. Em três meses, a Área Calma arrecadou perto de R$ 1,7 milhão.

(Setran/Curitiba)

Outros exemplos

Na cidade de São Paulo o mesmo projeto foi iniciado em outubro de 2013. A Área 40 e a Área 50 — como são chamados os perímetros que a circulação tem a velocidade reduzida naquela cidade — tiveram, em um ano, uma diminuição de 71% no número de atropelamentos. Apesar da queda na incidência de acidentes, o fluxo de veículos nas vias onde a velocidade média foi reduzida, aumentou.

Segundo a organização WRI Brasil Cidades Sustentáveis, em vias urbanas com a redução da velocidade de 50 Km/h para 30km/h, cai em 70% as chances de mortes de pessoas atingidas. Se o veículo estiver trafegando a 70 km/h, esse número pode aumentar até 100%. De acordo com a organização, em vias urbanas, onde a movimentação de pedestres é intensa e constante, a adoção de limites de velocidade seguros é necessária para evitar milhares de mortes no trânsito.

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