Depois de uma semana, chega ao fim greve nos restaurantes universitários da UFPR

Entenda o motivo da greve e o acordo firmado entre a os servidores tercerizados, a prestadora de serviços e a Universidade

 

Reportagem de Daniel Tozzi e Helena Salvador 

Após uma segunda audiência no Tribunal Regional do Trabalho, a greve dos trabalhadores terceirizados dos Restaurantes Universitários da Universidade Federal do Paraná chegou ao fim nesta segunda-feira (23), dia em que a paralisação completa uma semana.

Na manhã de segunda-feira passada (16) os alunos da Universidade Federal do Paraná foram surpreendidos com o repentino fechamento dos Restaurantes Universitários. Na entrada do RU central haviam faixas informando sobre a greve dos trabalhadores terceirizados que protestavam contra a diminuição do valor do Vale-Alimentação.

De acordo com estudantes da UFPR ligados a Frente de Apoio a Luta dos Trabalhadores Terceirizados (FALTT), a ideia da paralisação aconteceu após decisão conjunta entre trabalhadores insatisfeitos e estudantes da própria Frente, que desde o ano passado vem mantendo diálogo com todos os terceirizados da Universidade Federal do Paraná. A paralisação num primeiro momento, foi independente do SIEMACO (Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Curitiba), responsável pelos terceirizados das cozinhas dos restaurantes, mas agora é articulada pelo Sindicato.

Neste final de semana o RU central voltou a funcionar em seus horários normais. A interrupção da paralisação por dois dias nessa unidade foi acordada na sexta-feira (20), após reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) entre a empresa “Obra Prima S.A.”, encarregada das cozinhas dos RUs, representantes dos trabalhadores terceirizados e da UFPR

Durante a reunião no Tribunal representantes da UFPR afirmaram terem se surpreendido com a greve e que foi difícil identificar quem estava à frente do movimento, já que vários estudantes aderiram.

Em nova audiência realizada hoje no TRT em Curitiba, com a presença de estudantes, servidores, representantes da UFPR, do sindicato a empresa prestadora de serviços se comprometeu a manter o valor anterior do Vale-Alimentação dos funcionários. Desse modo, a paralisação deve ser interrompida e o restaurante pode voltar  a funcionar normalmente nesta terça-feira (24).

 

Entenda o caso

A Universidade Federal do Paraná tinha contrato com a empresa “SR Serviços Terceirizados LTDA”, responsável pela cozinha dos RUs até o final do mês de setembro. No dia dois de outubro foi feito um contrato temporário entre os trabalhadores terceirizados e uma nova empresa, a “Obra Prima S. A.”, com duração de três meses

Neste novo contrato, o valor destinado ao Vale-Alimentação dos trabalhadores foi reduzido de cerca de R$330 reais, para apenas R$180. A justificativa da empresa para a diminuição no valor dos VAs foi de que os trabalhadores já podem se alimentar nas dependências dos próprios RUs. Após esse período, já no ano de 2018, um novo contrato seria feito e os valores de salário e Vale-Alimentação seriam novamente discutidos.

O Jornal Comunicação conversou com  funcionárias terceirizadas do RU central da UFPR na última sexta-feira (20), que confirmaram essas informações e revelaram estarem cientes da redução nos valores do Vale-Alimentação no momento da assinatura dos contratos. Mesmo com a greve, as funcionárias permaneceram todos os dias nas dependências do restaurante e relataram que acabam gastando o próprio dinheiro para almoçar, uma vez que a cozinha está paralisada. As terceirizadas relataram que durante essa semana, uma grande quantidade de carne e verduras teve que ser descartada.  

Estudantes da UFPR ligados à Frente de Apoio a Luta dos Trabalhadores Terceirizados que não quiseram se identificar relataram que os contratos propostos pela empresa sequer chegaram às mãos dos terceirizados, que os assinaram sem conhecimento da redução nos valores do Vale-Alimentação. “Mesmo se os trabalhadores tivessem tido acesso aos contratos, essa luta continuaria sendo justa”, afirmam.  

 

Frente de Luta em Apoio aos Trabalhadores Terceirizados da UFPR

A Frente de Luta em Apoio aos Trabalhadores Terceirizados (FALTT), na configuração que é conhecida hoje, surgiu em maio de 2016 e se pauta por um diálogo constante entre estudantes e trabalhadores. A FALTT tem atuado no acolhimento e repasse de denúncias dos trabalhadores para a reitoria e feito panfletagens em defesa dos terceirizados. “Os trabalhadores se indignam, mas muitas vezes têm receio, ou não possuem os meios para lutar. Nosso papel é acolher essas pautas e demonstrar apoio”, concluem.

Segundo eles, o valor do Vale-Alimentação  foi reduzido para apenas R$180 reais por conta do edital de licitação divulgado pela UFPR. O edital previa que a empresa prestadora dos serviços de cozinha dos RUs deveria pagar o valor de VA referente ao previsto na Convenção Coletiva de Trabalho, acordo entre todos os trabalhadores que fazem parte da categoria e do sindicato, firmado após o rompimento do último contrato da UFPR com a “SR Serviços Terceirizados”.

“A questão do Vale-Alimentação foi a apenas o estopim para a paralisação. Há anos os trabalhadores terceirizados se queixam das condições precárias de trabalho, onde são submetidos a abusos e sofrem com descontos indevidos”, afirmou um dos estudantes da Frente. Para eles, o sindicato, a reitoria e muitos dos estudantes tem sido omissos na luta dos terceirizados.

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