Descomplicando a Mobilidade Acadêmica na UFPR

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A Università di Bologna é uma das parceiras da UFPR e recebe estudantes brasileiros em mobilidade acadêmica Foto: divulgação

 

Muitos alunos da UFPR procuram os programas de intercâmbio da universidade, que abrem dois editais de Mobilidade Acadêmica por ano. As opções são muitas: mobilidade internacional, mobilidade nacional, Ciência Sem Fronteiras (CsF) e os programas da Associação de Universidades Grupo Montevidéu (AUGM), que envolve 32 universidades da América do Sul. Ao todo, a UFPR possui cerca de 200 acordos e 350 alternativas de destinos para seus alunos. A maioria dos acordos são bilaterais: assim como alunos da instituição passam algum tempo estudando em outras universidades, muitos estudantes estrangeiros são recebidos de braços abertos na UFPR.

Há quatro meses estudando na Universita di Bologna Alma Matter Studiotorium, o estudante de direito Mario Edson Passerino Fisher da Silva conta que, ao participar do processo de seleção para Mobilidade Acadêmica da UFPR, já enxergava o intercâmbio como um diferencial para quem quer se inserir no mercado de trabalho. Influenciado pela fama da universidade na questão do direito criminalista, área que pretende se especializar, e pela vontade de falar italiano, Mario não teve dúvidas ao escolher Bologna como destino do intercâmbio. “Acho que é uma boa oportunidade para fazer contatos. Quem sabe depois não rola um mestrado?”, diz o estudante.

Carlos Siqueira, assessor de Relações Internacionais da UFPR, explica que a competitividade do mercado é em escala global nos dias de hoje e por isso o intercâmbio é uma experiência enriquecedora para o aluno. “Se você expõe um aluno de graduação a um ambiente internacional, seja esse ambiente fora do país, seja na própria universidade, ele tem condições de se colocar no meio multicultural e passa a negociar com pessoas diferentes”, explica Carlos Siqueira. Para ele, é esse local que provoca o universitário a ser mais competitivo e se sobressaia em diversas situações. “Esse é um aspecto muito importante, tanto pra quem sai quanto pra quem fica, ter uma nova experiência humana e se adaptar ao mundo moderno”.

Os editais de mobilidade da UFPR geralmente não tem limite de vagas, basta haver interesse do aluno em realizar o intercâmbio, e ser bem-sucedido no processo seletivo. Porém, embora algumas universidades recebam enxurradas de propostas de intercambistas, muitos editais fecham sem nenhum concorrente às vagas. “Enquanto houver aluno candidato, a gente vai mandar. Mas alguns países e universidades não são procurados. Acho que os alunos se perdem com a quantidade enorme de destinos possíveis, e aí vão direto aos mais comuns”, comenta Siqueira. O destino mais procurado pelos estudantes são os Estados Unidos, que em 2014, foi a morada de 26% dos intercambistas. Depois dos Estados Unidos, os destinos mais disputados são Alemanha (12%), França (11%), Austrália (6%), Canadá (5%) e Portugal (3%).

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O hemisfério norte é o mais procurado pelos estudantes da UFPR. Arte: Maria Luiza Petranski

Confirmando essa porcentagem está a aluna de engenharia civil da UFPR, Luana Aparecida Correia da Silva, que vai para os Estados Unidos em agosto através do CsF. Luana escolheu o país porque, segundo ela, o mundo está concentrado lá, além de ser um ambiente favorável para aperfeiçoar os estudos na sua área “E é um país que fala inglês. Não gosto do sotaque britânico e a Austrália é muito longe. Sobraram os Estados Unidos, que eu sempre quis conhecer”, diz Luana.

A universidade oferece muitas vantagens aos alunos que desejam ser intercambistas. Os processos seletivos para mobilidade nacional e AUGM são facilitados, já que têm uma procura mais tímida perto de destinos do hemisfério norte. O CsF alavancou a procura dos universitários pela América do Norte. No último ano, 191 alunos foram para os Estados Unidos através do programa. Bolsas de estudo também são oferecidas pela UFPR, e muitas vezes disputadas à tapa pelos concorrentes.

Mario Fischer e Luana Aparecida acreditam que não viajariam sem as bolsas conquistadas. Elas também são variadas: existem bolsas distribuídas pela própria ARI (Assessoria de Relações Internacionais) e as distribuídas pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), a segunda é destinada à alunos com fragilidade socio-econômica e, que já recebem auxílios durante a graduação no Brasil.

Passo a Passo

Muitos estudantes da UFPR, porém, não tem acesso as informações necessárias de como realizar um intercâmbio pela universidade. Segundo Carlos Siqueira, essa é o primeiro requisito para quem deseja viajar: se informar e tirar as dúvidas que surgirem. Na ARI ou nas Comissões Setoriais de Relações Internacionais, é possível encontrar maiores informações. O Jornal Comunicação montou um pequeno guia para quem se interessou pelos programas.

Mobilidade Acadêmica: o edital sai com um ano de antecedência e permitem ao aluno escolher estudar um semestre, um ano ou então, estudar um semestre e estagiar no outro.

Todos os pré-requisitos para o processo seletivo da Mobilidade constam no edital, e são eles:

  • IRA (Índice de Rendimento Acadêmico) igual ou superior a 0,6000
  • Máximo de 4 reprovações (caso o aluno possua mais, é necessária uma carta de recomendação do coordenador do curso para que ele participe do processo)
  • Ter finalizado 3 períodos do curso (em técnologos, o número reduz para 2)

Para concorrer a uma bolsa, os critérios de excelência variam:

  • É necessário um IRA igual ou superior a 0,7000
  • Ter reprovação no máximo em uma matéria
  • Ter finalizado 3 períodos do curso (em técnologos, o número reduz para 2)

Além disso, o currículo do aluno é levado em conta, e o peso de seus itens são calculados de modo diferenciado de um setor para o outro. A apresentação dos certificados que constam no currículo é essencial. É necessária, então, a inscrição no site da ARI e o cadastro nas universidades pretendidas, já que cada aluno sugestiona três opções de destino, podendo ser selecionado ou não em cada uma delas, de acordo com seu perfil. É realizado então o teste de proeficiência na língua estrangeira para atingir o nível estipulado pelo país escolhido (ou, caso o aluno possua certificado, é preciso apresentá-lo).

Depois, uma entrevista com o professor avaliador é realizada, e muitas vezes, o desempenho dela vale mais em conta que o IRA do aluno.  Cumpridas as exigências, basta esperar e torcer, tanto pelo aceite da universidade quanto pela possibilidade de receber bolsa. Então, o visto, o passaporte e as passagens devem ser providenciados, com ou sem auxílio da UFPR, dependendo do edital.

Daí é só fazer as malas e aproveitar a viagem!

 

 

 

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