Dietas rígidas e treinos fazem parte da rotina dos lutadores de MMA

Atletas estiveram em Curitiba para evento internacional

Por João Cubas e Giovanna Fantinato

Para um atleta de alto rendimento, não existe sábado, domingo ou feriado. No caso dos lutadores de MMA (abreviação do inglês mixed martial arts, em português artes marciais mistas), a preparação envolve as diversas modalidades de luta que o atleta pode utilizar numa competição – jiu-jitsu, judo, wrestling, muai-thai, entre outros. Isso sem contar as dietas restritivas e a pressão psicológica que aumentam nas últimas horas antes da luta.

No último dia 12, Curitiba sediou o Brave 8: The Rise of Champions, evento que trouxe como luta principal a disputa pelo cinturão da categoria peso meio-pesado. A luta foi vencida pelo brasileiro Klidson Abreu, em confronto com o alemão Timo Feucht, invicto até então.

A rotina de Klidson, lutador amazonense que treina em Curitiba, começa com uma corrida de 10 km no começo do dia, treino de muai-thai até a hora do almoço, musculação à tarde e jiu-jitsu a noite. No sábado e domingo, permanecem as corridas. A dieta é restritiva, para garantir o peso da categoria, de até 93 kg. “A gente faz um trabalho de desidratação, entra na dieta, só com frango, ovo, salada e açúcar zero. Já estou até enjoado”, brincou o lutador, dois dias antes do combate no Brave 8.

Klidson conta que, após uma luta, há um descanso de duas semanas antes de recomeçar os treinos. “Nesse período, volto a Manaus para ficar com a família. Porque depois, são mais quatro meses de preparação até a próxima luta”, explica o lutador, que tem treze lutas, com onze vitórias no currículo.

Já o inglês Carl Booth, que viajou oito mil quilômetros para participar do Brave 8, costuma dividir a sua rotina em três treinamentos. A primeira é semelhante a de Klidson, um treinamento cardiovascular em jejum. “E aí eu vou pra casa e como alguma coisa. A tarde eu não tenho treino, mas a noite tenho dois em seguida”, revela o lutador, que divide os treinos noturnos entre jiu-jitsu, muai-thai e luta olímpica.

Klidson Abreu treina em Curitiba desde 2015, com foco na trocação – parte da luta em que os combatentes trocam golpes em pé – Foto: João Cubas

Entre crianças e imprevistos

A preparação também envolve a participação em eventos e o envolvimento com o público. Foi o que fez Carl Booth, durante o treino aberto dos competidores do Brave 8, no último dia 10, em Curitiba. O atleta chamou as crianças que acompanhavam o treino para fotografar com ele e chegou a fingir ser nocauteado por uma delas.

Na ocasião, Booth disse ao Jornal Comunicação que seu corpo já estava praticamente pronto só. Faltava apenas perder 1,2 Kg até o momento da luta. “É possível perder isso em uma hora. Em um ritual feito em uma sauna, cubro o corpo todo com roupas grossas, faço um treino aeróbico dentro do espaço, e assim perco esse peso”.

Porém, na preparação de Booth ocorreu um imprevisto – a troca do adversário. O libanês Mohammad Fakhreddine passou mal durante o corte de peso para a luta contra Carl no Brave 8, e com isso, foi obrigado a se retirar do combate. O substituto, o lutador guianense Carlston Harris surpreendeu o inglês e o impôs a segunda derrota na carreira.

Berço do MMA

A escolha do local para sediar o Brave 8 não foi por acaso. Curitiba é o “berço” do MMA no Brasil. Desde os anos 1990, a cidade é formadora de praticantes de lutas, sobretudo entre praticantes de muai-thai e capoeira.

Durante o início dos anos 2000, a academia curitibana Chute Boxe foi protagonista no cenário internacional, revelando nomes que brilharam no esporte – como Wanderlei Silva, Anderson Silva e Maurício Shogun. Para completar, em maio do ano passado, a cidade recebeu um evento do UFC, que foi o terceiro maior da história, com mais de 45 mil espectadores. História esta que Abreu, Booth e tantos outros também querem escrever.

You May Also Like

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *