Dunkirk: Nolan te coloca no campo de batalha

Com grande imersão, filme traz a luta pela sobrevivência em um dos grandes capítulos da 2° Guerra Mundial

Por Arthur H. Schiochet

Dirigido pelo controverso Christopher Nolan (da trilogia Cavaleiro das Trevas), Dunkirk conta a história dos soldados ingleses na histórica evacuação da praia de mesmo nome, após os alemães cercarem a região nordeste da França. São três narrativas paralelas que mostram as dificuldades de cada frente de batalha para a evacuação da região. Na praia está o grupo de Tommy e Alex (respectivamente, os estreantes Fionn Whitehead e Harry Styles); no mar com Mr. Dawson (Mark Rylance de O Bom Gigante Amigo), seu filho Peter (Tom Glynn-Carney da série The Last Post) e George (Barry Keoghan de Não Ultrapasse); nos ares com Collins (Jack Lowden de Negação) e Ferrier (Tom Hardy de O Regresso).

A imersão proposta em Dunkirk é uma das mais sensoriais já vistas até hoje, comovendo até mesmo alguém que esteve na batalha em Dunquerque entre os dias 26 de maio e 4 de junho de 1940. O veterano Ken Sturdy declarou que a experiência foi semelhante a presenciar a guerra real.

Desde o primeiro momento do filme pode-se perceber que Nolan não fez esse filme à toa, mas sim com o propósito de mostrar o heroísmo em cada um dos soldados da guerra, que mesmo sem avançar posições ou conquistar território mostram atos de coragem. As histórias paralelas que cercam o evento, a montagem e a trilha sonora, semelhante a um bomba-relógio em determinados momentos,  deixam com que cada plano seja recheado de tensão. O filme possui ainda cenas tomadas por um silêncio ensurdecedor, que só é quebrado nos momentos em que balas são disparadas. O ritmo não cai durante as quase duas horas de projeção.

Fonte: Divulgação/Warner Bros. Pictures

O filme é um primor técnico, desde a fotografia, que mostra quadros lindos e preenche a tela de maneira brilhante. O diretor já provou anteriormente saber como trabalhar com efeitos práticos, como na cena em que tomba um caminhão em Batman-O Cavaleiro das Trevas, ou quando construiu um elevador para uma cena em A Origem. Porém o que mais chama a atenção é o som, durante a sessão podem haver vários sustos provenientes do estrondo de bombas, tiros e motores de avião. No contexto geral, esse é um filme que merece ser visto em IMAX, para que cada um se sinta dentro do campo de batalha e prenda a respiração a cada desafio para alcançar o objetivo principal: voltar para casa.

O filme peca apenas na caracterização de cada combatente. As motivações são claras, mas as personalidades pouco exploradas ou explicadas, não há nenhum personagem que será lembrado por seu nome.

Este filme será lembrado daqui a alguns anos como um dos maiores filmes da década e uma das referências no sub-gênero de guerra, ao lado de clássicos instantâneos como O Resgate do Soldado Ryan. Uma experiência cheia de hipérboles e emoções, talvez o melhor filme de Christopher Nolan. Imersivo, que merece ser visto na maior tela possível, com o melhor som possível, para não desperdiçar nenhum detalhe.

Nota: 9,5

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