Elas querem ser prefeitas, mas não do mesmo jeito

Por Matheus Nascimento

A eleição para a prefeitura de Curitiba neste ano tem uma novidade: pela primeira vez, duas mulheres são candidatas ao principal cargo político da cidade. Maria Victoria (PP) e Xênia Mello (PSOL) erguem a bandeira da representação feminina na política em um momento onde a ausência de mulheres em cargos executivos por todo o país é bastante questionada.

Em suas plataformas de governo, as candidatas tratam de temas que falam diretamente ao eleitorado feminino, como a prevenção à violência doméstica e a ampliação de vagas em creches da cidade. No entanto, levantamento feito pelo Jornal Comunicação nos programas protocolados pelas campanhas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que as abordagens são bastante diferentes.

Mulher
O termo “mulher” aparece uma vez nas 19 páginas no documento que Maria Victoria apresentou ao tribunal. No de Xênia, são 200 aparições de “mulher” ou “mulheres”em 35 páginas.

Propostas
A principal proposta de Maria Victoria para as mulheres é a da continuidade da atuação da Patrulha Maria da Penha, para prevenir a violência doméstica. A Patrulha virou lei em março deste ano, com os votos favoráveis de 25 vereadores à manutenção de decreto do prefeito Gustavo Fruet (PDT) que criou o mecanismo. Fala-se, ainda, na ampliação do número de Centros de Educação Infantil (CMEIs), além da ampliação do horário de funcionamento, o que a candidata tem dito que beneficiaria as mães que precisam buscar os filhos depois do trabalho.

No programa de Xênia, além das citações a ações anti-violência contra a mulher, há uma série de propostas para outras questões, como a atenção à saúde feminina – fala-se em “saúde integrada” – e a necessidade de se dividir tarefas domésticas entre homens e mulheres de forma igualitária, para pôr fim ao que a candidata chama de à“dupla jornada”, tornando mais viável a participação feminina na política.

No documento apresentado por Xênia, a palavra “feminismo” aparece repetidas vezes, principalmente na sessão denominada “Contra as opressões”, que cita ainda ações para pessoas negras e LGBT. O programa de Maria Victoria não cita o termo “feminismo”.

Partidos
As campanhas da psolista e da pepista são financiadas, em sua maioria, por doações de pessoas físicas, mas as diferenças de arrecadação são bastante evidenciadas. Até o momento, a campanha de Maria Victoria arrecadou mais de R$ 790 mil, contra aproximadamente R$ 21 mil de Xênia. Além disso, o PP repassou cerca de R$ 300 mil para a sua candidata, enquanto que o PSOL não fez repasses à sua postulante.

O PP de Maria Victoria faz parte do chamado “centrão”, grupo de partidos políticos que não declara opção ideológica entre esquerda e direita. Um contraste com o PSOL de Xênia Mello, que reivindica posições de esquerda e se autoproclama socialista.

Na declaração de bens de Maria Victoria, consta um total de R$ 897 mil reais de patrimônio em nome da candidata, entre os quais ganham destaque R$ 700 mil conseguidos através de um empréstimo financeiro em 2015 e uma BMW X3 Xdrive, ano 2011, no valor de R$ 116 mil. Xênia Mello não declarou nenhum bem à Justiça Eleitoral.

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