Entenda a relação entre as ocupações e a greve dos professores estaduais

A proximidade dos eventos fez surgir dúvidas sobre a ligação entre eles. O Jornal Comunicação conversou com representantes das categorias sobre o assunto

Por Júlia Ledur

No último dia 17, professores e servidores da rede estadual de ensino do Paraná deflagraram greve por tempo indeterminado. A paralisação reúne cerca de 40 mil funcionários e deixa aproximadamente um milhão de estudantes sem aula.

O principal motivo da greve, segundo a APP-Sindicato, é o fato de o governador Beto Richa (PSDB) ter desistido de realizar o pagamento da data-base da categoria para janeiro de 2017. “O principal ponto da greve foi por conta do envio de projeto de lei com o texto que retira os direitos dos servidores. Isso representou uma quebra de compromissos do governo”, afirma o presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão.

Cerca de quinze dias antes, estudantes da rede pública iniciaram ocupações de escolas estaduais no Paraná, em protesto contra a medida provisória 746 que determina uma reforma no ensino médio no país. Até o momento, segundo o último balanço do movimento Ocupa Paraná, estão ocupadas 850 escolas, 14 universidades e 3 núcleos.

O Colégio Estadual do Paraná é um dos maiores ocupados no estado. Foto: OCUPA CEP
O Colégio Estadual do Paraná é um dos maiores ocupados no estado. Foto: OCUPA CEP

Devido à proximidade dos acontecimentos, questionou-se a relação entre os eventos. A greve dos professores foi uma manifestação de apoio aos estudantes? Eram movimentos articulados pelas categorias? A professora Vanessa Collere, do Colégio Estadual Arnaldo Busato, em Piraquara, diz que não. “A gente tem que tomar muito cuidado, porque as pessoas acham que a nossa greve está sendo articulada junto com a ocupação dos estudantes, e na verdade não está”, desmente. “É um movimento legítimo dos estudantes na esfera federal, e a greve é um movimento dos professores contra o governo estadual”, esclarece.

O presidente da APP-Sindicato aponta que há itens que coincidem nas pautas dos dois movimentos. “A greve dos estudantes tem acontecido pela pauta da MP-746 e essa pauta também é nossa. Nós temos posição contrária a essa medida provisória”, explica Hermes. “Mas a nossa relação com as ocupações é de apoio, de diálogo, não de execução. O movimento estudantil é que organiza as ocupações”, destaca, atribuindo os créditos aos alunos.

Apoio

O apoio dos docentes é reconhecido pelos estudantes. “O movimento inicial e que protagoniza isso é o movimento estudantil e a greve dos professores está apoiando a gente, como movimento secundário”, diz o estudante do 1º ano do ensino médio integrado do Colégio Estadual do Paraná, Pedro Carvalho. “Muitos professores que davam aula pra gente se propuseram a vir fazer oficinas aqui”, exemplifica.

Para Vanessa, a força para derrubar a MP-746, pauta em comum na greve dos professores e nas ocupações estudantis, vem majoritariamente dos alunos. “Eu acho que a nossa luta [dos professores] está até muito fraca. Deveria ser muito mais forte. Os estudantes é que estão lutando para que essa MP caia”, afirma a professora.

“Os estudantes estão dando a cara a tapa pela educação. E a maioria está lutando pelo futuro daqueles que estão vindo, porque essa MP vai valer a partir de 2018. Muitos deles nem vão estar mais no Ensino Médio”, diz a professora. “Então eles estão lutando pelo futuro da educação”.

 

Saiba mais:

You May Also Like

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *