Entenda a situação das ocupações das escolas estaduais no Paraná

O número de escolas ocupadas no estado do Paraná, de acordo com o site Ocupa Paraná (http://ocupaparana.org/), já ultrapassa de 800, tendo ainda onze Universidades e três núcleos nessa soma. Essa forma de manifesto, que começou no dia 3 de outubro, foi o meio que os alunos encontraram para protestar contra a Medida Provisória 746 – uma reforma no Ensino Médio que altera a obrigatoriedade de conteúdos e reformula formatos de aulas e a elaboração de vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O Colégio Estadual Arnaldo Jansen, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, foi a primeira escola a ser ocupada em todo o país. Atualmente, estima-se que mais de 300 mil alunos estejam sem aulas.

A Secretaria do Estado decretou recesso escolar entre os dias 17 e 21 nos colégios ocupados. Este período foi destinado para negociar a desocupação e diminuir os danos no calendário letivo. Porém, os estudantes seguem em ocupação. Este movimento, apartidário, mostra o engajamento dos alunos em promover mudanças. Por outro lado, uma grande quantidade de alunos segue sem aula. Para o aluno do Colégio Estadual do Paraná (CEP), Walter Ferreira Gibson Filho (17), o foco dos estudantes é uma educação de qualidade, uma escola livre, que aceite qualquer pessoa como ser humano, sem rótulos. “A partir da educação, o Brasil vai se transformar em algo melhor”, diz. Ele conta também ser contra a PEC 241, que congelará as despesas do Governo Federal e assim cortará investimentos em áreas como a saúde e a educação.

Alunos secundaristas ocupam escolas como forma de protesto contra a reforma do ensino médio (Foto: Francisco Rocha)
Alunos secundaristas ocupam escolas como forma de protesto contra a reforma do ensino médio (Foto: Francisco Rocha)

Porque Ocupar?

Para Mônica Ribeiro da Silva, coordenadora do observatório do ensino médio da UFPR, os estudantes escolheram essa forma de manifesto pelo modo como foi anunciada a adesão da medida provisória aqui no estado, sem prévia discussão com a rede estadual de ensino. “Entendo que os estudantes reconheceram a necessidade de se mobilizarem rapidamente a partir do momento em que a Secretaria Estadual de Educação anunciou que iria implantar a mudança no currículo antes mesmo da medida provisória ter sido analisada e votada pelo Congresso Nacional”, explica.

Em nota, a APP-Sindicato expressou apoio aos estudantes e repúdio às propostas do governo Michel Temer que prejudicam a educação. Em entrevista ao portal de notícias G1, o presidente do sindicato afirmou reconhecer o direito legítimo de protestar sobre o assunto.

Perspectivas

Após a morte de um estudante em uma das escolas ocupadas, a justiça estadual já emitiu mais de 50 mandados de desocupação. Movimentos contra as ocupações endossam as tentativas de retomada das escolas. Até o fechamento dessa matéria, 850 escolas seguem ocupadas e quase quinze cursos da Universidade Federal do Paraná organizaram o movimento “Ocupa UFPR”, uma tentativa de apoiar a resistência dos estudantes. Alguns pais de secundaristas se juntaram para apoiar o movimento. 

Em nota oficial, os estudantes afirmam que o movimento não irá enfraquecer com tentativas de repressão e as ocupações continuarão até que haja diálogo oficial com o Governo Federal. Em todo o Brasil, são mais de 1100 escolas ocupadas.

Os alunos afirmam que as escolas continuarão ocupadas até que haja conversa oficial com o governo federal (Foto: Francisco Rocha)
Os alunos afirmam que as escolas continuarão ocupadas até que haja conversa oficial com o governo federal (Foto: Francisco Rocha)

Professores

Os professores da rede estadual iniciaram, no dia 17, greve por tempo indeterminado por conta do não cumprimento de acordo por parte do governador Beto Richa (PSDB). Além de pagamento da data-base da categoria para janeiro de 2017, eles exigem a regularização do pagamento de promoções e progressões, reivindicam a equiparação dos salários de escolas, e reclamam do atraso no auxílio refeição para alguns funcionários. Walter acredita que a greve dos professores irá fortalecer o movimento dos estudantes. “Acredito que os movimentos vão entrar em conjunto e ficarão uníssonos em relação ao que todos nós queremos: uma educação de qualidade”, explica.

Para o governador do estado , os estudantes estão sendo doutrinados por movimentos sindicais ligados à CUT e ao PT e não sabem porque estão protestando. Em fala durante um evento com Agroindústrias em Guarapuava, Richa disse considerar as ocupações uma baderna e pediu aos pais para que conversassem com seus filhos. Em nota oficial, sindicalistas ligados à CUT, já esclareceram não serem mandantes dos manifestos, mas declararam apoio total aos alunos.

 

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