Entre festas e presentes, ações simples que surgem da universidade provocam sorrisos no Dia das Crianças

Duas instituições que surgiram do meio acadêmico ajudam a comemorar este dia trazendo alegria às crianças carentes e com deficiência

Por Pedro Macedo

Entende-se que a universidade possui um papel importante na formação dos jovens brasileiros, e que o grande desafio é colocar em prática o que os estudantes aprendem em sala de aula. Assim, existem ações que nascem de uma simples ideia acadêmica e ocupam um lugar importante na sociedade. É o caso do Projeto A Festa e da ONG Caminhando Juntos, que levam alegria aqueles que precisam, dentre eles o público infantil.

No dia 12 de outubro é, oficialmente, comemorado o dia da Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil pela lei 6.802/80 de 1980. Porém, em 1920, o deputado Galdino do Valle Filho propôs a ideia de celebrar, nesta data, o dia das crianças. No entanto, a data comemorativa ganhou mais reconhecimento após uma campanha da Johnson & Johnson com a marca de brinquedos Estrela, na década de 60. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Criança (UNICEF), o dia 20 de novembro é considerado a data universal do dia das crianças, em decorrência de ser o mesmo dia em que foi oficializado a Declaração dos Direitos da Criança.

 

Projeto A Festa

A história do projeto começa quando um dos alunos da professora Susan Blum, docente nos cursos de Publicidade e Propaganda e Relações Internacionais pela Universidade Positivo (UP), em Curitiba, foi até sua casa, em julho de 2013, sugerir a ideia d’A Festa. “Que tal se a gente visitasse asilos, orfanatos, pessoas com deficiências e levar alegria para elas?”, conta Blum, reproduzindo a fala do estudante. A iniciativa partiu do princípio de que os alunos do curso de Publicidade também tivessem a chance de treinar vídeo, fotografia e outros meios digitais, aprimorando as habilidades acadêmicas e contribuindo de forma solidária para a sociedade.

Blum conta que A Festa era originalmente para os alunos de Publicidade, mas que hoje o projeto conta com estudantes de diversos outros cursos. FOTO: Projeto A Festa/Divulgação

A professora abraçou a ideia e o projeto começa suas atividades em dezembro do mesmo ano. Assim, A Festa começou a passar por vários lugares. “A gente brinca, canta, leva presente, conversa, desenha… são várias atividades mesmo”, conta Blum. “Vamos em diversos locais fazer, literalmente, a festa”, finaliza.

As ações feitas pelo projeto variam de acordo com o local, que pode ser desde creches infantis até asilos. “A  gente foi no asilo das senhoras e lá fizemos maquiagens e levamos bijuterias para colocar nelas. No dos senhores levamos roupas, cantamos e também ficamos jogando baralho”, explica a professora, que agora é a atual coordenadora do projeto. Para definir o público alvo, Blum responde, com um tom de orgulho, que o projeto visa alcançar qualquer um que precise de um sorriso. “Partimos do princípio de semear e colher sorrisos”, diz.

Geralmente, o projeto realiza atividades em datas especiais, como natal, dia das crianças ou eventos que duram um período específico, como a festa junina. Blum conta que, no início, A Festa ia apenas até as instituições que a chamava ou nas escolas e asilos que algum aluno indicava. Hoje, o projeto realiza seu trabalho por conta própria, sendo que, às vezes, Blum e alguns estudantes tem de arcar com o pagamento de bexigas e doces.

Hoje (12), A Festa vai realizar uma comemoração de dia das crianças na Universidade Positivo para arrecadar dinheiro para duas campanhas. Uma para conseguir leites especiais para crianças com câncer da Universidade Paranaense (Unipar), sendo a doação em lata de leite ou em dinheiro. A outra em colaboração com o Projeto Pegaí, na qual os alunos estão recolhendo gibis, novos ou usados, para fazer com que as crianças leiam mais. Blum reforça que qualquer pessoa que queira contribuir é bem-vindo. Os alunos da UP conseguem horas complementares colaborando com o projeto.

Fabricando Sorrisos é o nome da campanha de arrecadação dos presentes para o Vivian Marçal. FOTO: ONG Caminhando Juntos/Divulgação

 

ONG Caminhando Juntos

Idealizada por cinco estudantes do curso de Relações Públicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a  ONG Caminhando Juntos surgiu através de um projeto interdisciplinar, no qual uma professora sugeriu a criação de uma campanha pelas redes sociais ou de um evento. Assim, de acordo com a estudante e coordenadora de eventos da ong, Isabele Teixeira, o grupo resolveu juntar tudo em uma coisa só. “A gente fez a conscientização pelo Facebook e, como evento, escolhemos entregar presentes”, conta. “A ideia de trabalhar dando presente às crianças surgiu porque queríamos uma data que fosse no meio do semestre”, finaliza Teixeira.

O projeto tem por objetivo entregar brinquedos para crianças especiais na Escola de Educação Especial Vivian Marçal, no bairro das Mercês. De acordo com Teixeira, a escolha desta escola seu deu por dois motivos: não ter ajuda do governo e o fato da irmã de Isabela ser especial, facilitado seu acesso ao colégio. Para Jacqueline Nogueira, responsável pelas mídias sociais da ONG, um dos objetivos é conscientizar as pessoas de que as crianças com deficiência gostam de ganhar presentes, e que a doação ajuda a trazer alegria a esse público.

O ambiente universitário serviu como catalisador de campanhas solidárias para crianças e pessoas com necessidades através de ações simples que levam alegria a muitos. FOTO: ONG Caminhando Juntos/Divulgação

Nogueira conta que, até o momento, elas não receberam nenhuma ajuda para levar os brinquedos até a escola ou para participar da campanha, então, tudo que vem sendo feito foi a partir das próprias estudantes. Teixeira conta que, na criação da campanha, elas receberam apoio da professora Denise Stacheski, docente no curso de Relações Públicas pela UFPR. No entanto, a maior parte das coisas foi pensada por ela. A ONG Caminhando Juntos também possui um contato com a diretora e com a pedagoga do Vivian Marçal, que dão dicas quanto aos tipos de brinquedos que são acessíveis para cada deficiência. “A criança que tem deficiência visual, por exemplo, a gente pede um brinquedo sonoro”, exemplifica Nogueira.

A arrecadação aconteceu através de um mural localizado no campus Juvuvê da UFPR, onde estão os cursos da área de comunicação. Foram colados papéis com o nome das crianças e o que elas gostariam de receber. Após alguns dias, as meninas da ONG ficaram surpresas com o resultado e com quanta gente se dispôs a ajudar. A escola Vivian Marçal vai realizar um evento no dia 17 de outubro, data em que as meninas da ONG irão fazer a entrega dos presentes recolhidos. Para o evento, elas estão pensando em se fantasiar para alegrar ainda mais as crianças.

As meninas do projeto contam que o público que mais colaborou com a campanha foi o público feminino da UFPR. Foto: ONG Caminhando Juntos/Divulgação

Em relação ao aprendizado que é participar de um projeto desses, a resposta é unânime. Valeu a pena. As meninas da ONG admitem que é difícil trabalhar com causas sociais, ainda mais pela falta de apoio, mas que pretendem continuar com o projeto. Jacqueline Gomes, responsável pelo cargo de atendimento da ONG, conta que gosou da experiência, principalmente por nunca ter tido contato antes com crianças especiais. “A gente gostaria de poder ajudar outras instituições também, quando isso estiver em nosso alcance”, conta Gomes. “O orçamento foi difícil, a gente corria atrás de vender as coisas para arrecadar dinheiro, saímos na rua para arrecadar brinquedo e as pessoas negavam. Essa parte era meio frustrante”, desabafa. Apesar das dificuldades, elas ficam felizes ao perceber que a campanha funcionou e que muita gente ajudou com os presentes.

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