Esta é Regiane Ribeiro, candidata da chapa ConTextura para as as eleições do Setor de Artes, Comunicação e Design

Chapa que também conta com a presença da professora do departamento de artes, Stephanie Batista, luta por um setor inclusivo, aberto e plural

Por Pedro Macedo

No dia 22 de novembro acontecerão as eleições para direção do Setor de Artes, Comunicação e Design (Sacod) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A eleição conta com duas chapas inscritas para direção.  Uma é a chapa Convergência, tendo o professor do Departamento de Música, Maurício Dottori como diretor, e Carol Calomeno, professora no Departamento de Design como vice. E também a chapa ConTextura, encabeçada pela professora do Departamento de Comunicação Social, Regiane Ribeiro e Stephanie Batista, professora no Departamento de Artes, como vice.  Ambas as chapas discutem em suas propostas pautas como maior integração entre os cursos, melhoria na infraestrutura e melhoria nos investimentos do ensino na universidade pública.

Após uma reformulação da quantidade das chapas, a ConTextura disputa uma eleição em um período conflituoso para a universidade pública. Foto: Divulgação

Regiane Ribeiro tem 43 anos e há sete ministra aulas na UFPR. Sua infância foi marcada pela paixão pelo balé clássico e a morte de um irmão quando nova. “Regi”, como é chamada pelos alunos e pessoas mais próximas, é natural de Ponta Grossa, no interior do Paraná. Ela cursou Relações Públicas na Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde cursou e fez seu primeiro estágio na comunicação interna e institucional de um hospital da cidade. Após formada, começou a trabalhar num instituto de pesquisa na área de clima organizacional e pesquisa de mercado.

O interesse pela docência começou a se desenvolver em 1998, mesmo ano em que começou seu mestrado, quando quando Regiane foi chamada para dar aula numa universidade particular em São Paulo. Foi um período de crescimento, marcado pela sua gravidez e a morte de seu marido. “Nesse processo da perda e de ficar perdida em relação ao que fazer nessas situações, eu me apeguei ao estudo e ao trabalho”, conta. Regiane voltou para Londrina e durante os seis anos que passou na cidade, foi deixando o mercado de trabalho e focando no trabalho na universidade e na docência.

A história na UFPR começou em setembro de 2010, depois de ser aprovada no concurso para docência. Regiane já tivera a sua segunda filha, Luiza, e havia se mudado para Curitiba para respirar os ares de uma nova vida e uma nova carreira.  Além de professora, entrou no mestrado pela UFPR, coordenou um projeto de extensão para alunos chamado Prattica, foi vice-coordenadora de curso e participou da coordenação do Programa de Pós Graduação em Comunicação (PPGCOM). Em janeiro de 2017, virou diretora de comunicação institucional na Superintendência de Comunicação e Markenting da UFPR, a Sucom, a convite da professora Luciana Panke.

O interesse em compor uma chapa para o setor surgiu a partir do trabalho que Regiane exerceu na Sucom. Depois de conversar com algumas pessoas próximas que lhe apoiaram, o segundo passo foi encontrar alguém que tivesse um perfil parecido para ser seu vice.

De acordo com Regiane, já existia um plano interno de que o próximo diretor do Sacod  seria da área de comunicação e o vice das artes. Esse rodízio, não firmado em cartório, contribuiria para a representação dos cursos dentro do setor, principalmente por conta da separação geográfica em que os campi do setor estão submetidos. Tentando seguir o acordo, ela afirma que tentou buscar alguém parecido com ela. “Desde o início eu sempre pensei em alguém que tivesse uma característica próxima a mim que é de tentar agregar pessoas“, conta. “Se a gente não conseguir, a partir das pessoas, agregar grupos para pensar esse projeto coletivo [um Sacod mais integrado], a chance da gente ter um resultado eficiente é muito menor”, finaliza.

 

Registro no dia em que Regiane e Stephanie inscreveram sua chapa. Foto: Divulgação

Assim, ela conheceu o trabalho de Stephanie no DeArtes na reestruturação do curso de artes visuais. Regiane fala que preferencialmente gostaria de trabalhar com uma mulher como vice, principalmente pela inclusão da mulher na gestão de um setor da universidade. Stephanie não aceitou o convite para ser vice na primeira vez, mas  conta que continuou conversando com a professora. Após vários cafés tomados e discussões sobre a representatividade do Sacod, Stephanie aceitou. Regiane ainda brinca que se não der certo, pelo menos a parceria entre as duas ainda vai continuar por muito tempo.

A chapa

A chapa ConTextura expõe em seu design com tons de laranja, cor favorita de Regiane, propostas que englobam uma gestão mais colaborativa. Se a candidata a diretora pudesse definir a chapa em algumas expressões, ela falaria diversidade, coletividade, expansão e valorização das pessoas. Ela não tem medo de enfrentar a burocracia extensa e acredita que o setor demanda muito pouco da Universidade.

Para isso, a ConTextura trabalha com o eixo da gestão e planejamento estratégico e coletivo, buscando o desenvolvimento de novos projetos, captação de recursos e o diálogo político com a administração central da universidade. Nesse casamento de quatro anos, como definiu a relação entre ela e Stephanie caso ganhem a eleição, elas pretendem propor um SACOD mais relacionado e integrado, seja entre eventos acadêmicos e as famosas festas, e, principalmente, garantir uma melhor infraestrutura e valorizar a pesquisa e produção acadêmica do setor.

O medo de assumir a direção do setor não assusta Regiane, porém ela comenta sobre uma insegurança, não em relação ao cargo, mas sim a conjuntura política e econômica que o país enfrenta. “O grande desafio hoje para quem está nesses cargos de gestão é ter sempre a preocupação de defender a universidade pública e aquilo que ela faz de importante para a sociedade”, afirma. A ansiedade em relação ao cargo também diz respeito a conseguir cumprir e colocar em prática as propostas e tudo aquilo que o gestor possui em mente.

Dentre as propostas mais importantes se destacam pautas relacionadas sobre infraestrutura, como a fomentar estratégias mais viáveis para a construção da nova sede do Sacod, além da própria melhora dos espaços da universidade. Além disso, também estão inclusos propostas para auxiliar a saúde mental e combater o assédio sexual e moral. Compreender e melhorar o modelo de alocação de vagas para docentes também é pauta para a ConTextura. Por conseguinte, também existe o incentivo aos alunos em eventos acadêmicos, culturais e festas de integração dos cursos.

Para Regiane, a UFPR possui todas as possibilidades de fazer da universidade um lugar favorável para todos. A ConTextura é otimista e visa nos próximos quatro anos um trabalho mais coletivo, que reafirme o Sacod para toda a UFPR. A ideia é pensar um plano estratégico para o setor a curto, médio e longo prazo, de forma transparente e mensurando resultados.

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