Estudantes da UFPR realizam projeto para promover a utilização responsável de recursos naturais

Intitulada “Benefícios da Floresta”, a iniciativa deve desenvolver exposições para estimular a conscientização ambiental durante todo o ano

Reportagem e fotografia por Vinícius Moschen

A natureza não é inimiga. Essa é a mensagem que os alunos do curso de Engenharia Florestal querem passar com o Benefícios da Floresta, projeto que teve início há mais de dez anos. Por meio de eventos como palestras e exposições, o laboratório tem o objetivo de mostrar que, apesar do cuidado necessário com o meio ambiente, o ser humano necessita extrair recursos para a sua sobrevivência; afinal, tudo que é utilizado no dia a dia veio das florestas. A questão é retirar com responsabilidade.

A inspiração para o projeto foi a desinformação, como conta Vitor Afonso Hoeflich, professor coordenador do projeto. “Em um evento, reparei em um cartaz com os dizeres ‘cortar árvores é crime’. Não é”, recorda. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) determina regulações para corte e exploração sustentável, criadas justamente para separar o que é permitido do ilegal. Além disso, o Serviço Florestal Brasileiro publica boletins de monitoramento periodicamente, para garantir que não aconteçam abusos:

 

Também é meta do Benefícios da Floresta identificar e reconhecer problemas causados pela extração indevida e desastres ambientais, como tempestades ou formações de desertos. Mas, acima de tudo, passar a mensagem de que o cidadão comum não tem tanta participação nessa extração quanto as grandes indústrias e, mesmo assim, recebe a ideia de que toda forma de retirada de madeira é indevida.

Por exemplo: cadeiras, mesas, portas e outros diversos utensílios não existiriam sem o corte de árvores, caracterizando um processo natural no qual o ser humano faz parte, e do qual se desenvolve social e economicamente. A sustentabilidade florestal depende de interações entre diversos elementos – como a água, o solo e o clima. O importante é entender que o próprio ser humano também é um desses elementos, como explica o professor.

 

EM PRÁTICA

Entre suas realizações, o laboratório já produziu exposições em locais de grande visitação e valorização da natureza, como o Jardim Botânico de Curitiba. Também ultrapassou as divisas paranaenses, ao ir para cidades como Blumenau para realizar exposições.

Para este ano, ainda não foi determinado um calendário completo, mas a ideia é realizar cerca de duas ações por mês, com divulgação nos diversos campi da UFPR. Porém, como explica o professor Hoeflich, é difícil manter um projeto como esse economicamente. “Nos sentimos relativamente frágeis, mas isso não significa eliminar atividades, e sim ter clareza na hora de fazê-las”, esclarece.

Exposição contendo objetos que demonstram a importância dos recursos retirados das florestas, em Blumenau. Foto: Divulgação

 

Desenvolvimento dos alunos

Alunos de quaisquer cursos, de dentro ou fora da universidade, podem participar do laboratório. Basta se voluntariar – assim como fez o estudante de Engenharia Florestal, Gabriel Araújo. Segundo ele, é uma chance para descobrir oportunidades que a UFPR oferece. “Abre portas para conhecermos novas pessoas, nos envolvermos com outros cursos”, conta. Também é uma vantagem o fato de que os estudantes vão além do puro conhecimento técnico aprendido na sala de aula, e criam uma cultura de aprendizagem voltada para a sociedade, disseminando a informação verídica.

Os estudantes Gabriel Araújo e Gabriela Maia participam do projeto, coordenado pelo professor Vitor Hoeflich, ao centro. Foto: Vinícius Moschen

 

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