Festival de Inverno da UFPR chega à 27ª edição

O evento cultural sediado em Antonina terá mudanças e adaptações para a edição deste ano

Por Jessica Skroch

O Festival de Inverno da Universidade Federal do Paraná (UFPR) acontecerá mais cedo em 2017, entre os dias 14 e 19 de julho. Além de ocorrer tradicionalmente em Antonina, também haverá ações culturais nos municípios litorâneos de Paranaguá, Pontal do Paraná e Matinhos, também sedes da UFPR, a fim de expandir o festival. O evento é organizado pela universidade através da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) em parceria com a Prefeitura Municipal de Antonina.

A equipe de organização fica responsável por todas as demandas de cada atividade, como os espaços utilizados, materiais e programação. Hospedagem, transporte e alimentação dos ministrantes de oficinas e organizadores também são planejados. Os preparativos iniciam logo no começo do ano letivo, ocupando todo o semestre.

Todos os grupos artísticos da UFPR se apresentam no festival: a companhia de teatro PalavrAção, a companhia de dança Téssera, o Coro da UFPR, a Orquestra Filarmônica e o Grupo de MPB da UFPR. Professores e estudantes também fazem parte da organização.

Ana Carolina Maoski, que foi parte do núcleo de comunicação da PROEC, fez a cobertura em 2014, ano em que foi bolsista. “Eu amo o festival, por várias razões. Primeiro que Antonina é um lugar muito especial, a comunidade é super envolvida com o evento e os dias que a UFPR sobe para lá são bem intensos, mas muito agradáveis”, comenta. Entretanto, a jornalista também lamenta que o envolvimento dos alunos da UFPR com o festival tenha diminuído.

Mayara Mello, graduada em Tecnologia em Produção Cênica, foi bolsista na 25ª e 26ª edições. “Acredito que o festival, além movimentar a cidade de Antonina trazendo estudantes da UFPR e litoral, atrai para a cidade alguns turistas para acompanhar as apresentações”, conta. Em sua experiência, usou dos conhecimentos do curso até no momento de pós-produção.

Ana Carolina Maoski, ex-bolsista da PROEC, fez a cobertura do Festival de Inverno de 2014, quando era graduanda em Jornalismo (foto: Ana Carolina Maoski)

O festival conta com oficinas, espetáculos e atividades paralelas — como rodas de conversa e exposições — que entram com a participação da comunidade acadêmica e da população litorânea. As oficinas podem abranger as áreas de artes cênicas, artes visuais, dança, música e comunicação, e se encaixar nas categorias infanto-juvenil, adulto, adulto aprimoramento, educação especial, arte educação e maturidade.

Quebrando os muros da academia

A extensão universitária é um conceito que prevê ações que levam os conhecimentos adquiridos no meio acadêmico para se relacionar com a comunidade. Pesquisa e ensino desenvolvidos na universidade são colocados em prática na sociedade — o Festival de Inverno é um exemplo disso. Segundo a produtora cultural da PROEC, Patricia Salles, o propósito do evento é refletir a arte e a cultura fora do ambiente formal, a fim de possibilitar uma troca mútua da academia com a sociedade.

Salles afirma que o evento é muito importante para a população antoninense, que se apropriou do festival em suas falas, chamando-o de ‘Festival de Antonina’. O Festival de Inverno agrega valor à cidade, oferece a oportunidade de estar próximo com a arte de forma gratuita. “Estar lá abre uma perspectiva e possibilidades para os jovens”, diz a produtora, que acredita que a presença da UFPR incentiva o contato com o estudo e a cultura, acessos que são direitos de cidadania.

Oficinas específicas para a comunidade são ofertadas, como as atividades realizadas no Patronato do Idoso de Antonina. Outro exemplo da relação entre a cidade e a universidade é a Filarmônica Orquestra Show, que se apresentará no festival com regência do maestro Cainã Alves, mestre em música pela UFPR e natural de Antonina. A produtora cultural também comenta que o festival é uma forma de abrir outros horizontes a partir do novo mundo que surge através da arte. Para ela, ver o brilho nos olhos dos meninos que talvez nunca tenham assistido uma peça de teatro não tem preço.

Resistência

A primeira edição do Festival de Inverno foi em 1991 — era um momento de crise política e cultural. O Ministério da Cultura havia se dissolvido pelo governo Collor, e encabeçar um evento cultural era complicado mas também um ato político. Em 2016, o mesmo ministério foi extinto e recriado, mostrando que as preocupações com a cultura também estão instáveis. Para Patricia Salles, conseguir manter o festival nas atuais condições já é uma forma de chamar atenção para a relevância da cultura, sendo assim, um meio de resistência.

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