Futebol europeu ganha torcedores e atenção cada vez maior da mídia brasileira

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Juliana Trombini, torcedora do Munique 1860, entrevistada para o documentário Fora de Casa. (Reprodução: Fora de Casa)

Como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), os jornalistas Lucas Leite e Leonardo Zacarin produziram um documentário chamado “Fora de Casa”. O documentário mostra conversas com torcedores de equipes europeias de futebol, como o Bayern de Munique, o Munique 1860, da Alemanha, e o Real Madri, da Espanha. Além dos torcedores, foram entrevistados jornalistas esportivos, que opinaram sobre essas transformações no Brasil quanto ao aumento de torcidas de clubes europeus.

Os documentaristas explicam o surgimento da ideia de falar sobre um assunto pouco abordado ainda em pesquisas e reportagens. “Percebemos que o número de torcedores de times estrangeiros vem aumentando e que essa relação ainda é pouco retratada e discutida pela mídia. Então, vimos a oportunidade de produzir algo diferente e relativamente inédito sobre futebol”, relata Lucas.

O futebol brasileiro vive uma crise técnica, pela revelação precoce de jogadores que vão ao exterior e pelos aspectos econômicos, devidos às más administrações dos clubes. Lucas afirma que o público mais jovem é o mais afetado, pois já cresceu no meio dessa crise de qualidade do futebol brasileiro. “A partir do momento que essa geração vai menos ao estádio, a relação com o clube será através da televisão, do computador e do videogame, seja um time nacional ou internacional. Cada um vai escolher o time que mais lhe agrada em relação à cor da camisa, aos ídolos, ao futebol jogado, e infelizmente hoje nós estamos atrás nesse placar”, explica.

Após as conversas realizadas com torcedores e jornalistas, Lucas acredita que há várias mudanças a serem feitas para o futebol brasileiro atrair maior atenção e voltar a ter um dos melhores campeonatos do mundo. “Nosso futebol é bem diferente do europeu. Precisamos melhorar o nível sim, mas não necessariamente fazer um futebol igual ao de lá. Acho que Confederação e clubes precisam se organizar melhor, definindo o que é responsabilidade de quem. Precisam dar mais valor ao torcedor, porque com as condições que temos hoje é preciso ter muita vontade de acompanhar o time de perto”, afirma.

Ainda sobre a crise futebolística brasileira, Leonardo, também autor do documentário, fala que pelas conversas com os jornalistas especializados, há certa preocupação com as consequências do desinteresse pelo futebol no país. “Eu não diria que eles estejam receosos quanto aos torcedores deixarem de prestar atenção nas equipes brasileiras, mas, justamente pelos problemas estruturais pelos quais o futebol brasileiro passa no momento. Os jornalistas concordam que o caráter mercadológico e organizado do futebol europeu pode catalisar o processo e fazer com que cada vez mais brasileiros escolham um time de fora para torcer – mesmo que isso não signifique, obrigatoriamente, um ‘esvaziamento’ das torcidas dos clubes daqui”.

Outro dos grandes fatores que atraem os torcedores mais novos é a possibilidade de atuar com as equipes europeias nos videogames. Leonardo vê isso como um grande incentivador, aliado aos canais de televisão fechada, que transmitem mais partidas estrangeiras. “Juntamente com o aumento do acesso a canais fechados de televisão especializados em esporte, o videogame é, sim, um grande facilitador desse processo. Se você pega um jogo de videogame e vai ver os times mais fortes, certamente vai jogar com um time europeu. Então, fisgar a atenção de uma criança ou adolescente e alimentar esse interesse com muitas informações é um processo cada vez mais comum”, conta.

Quem também acompanha o futebol europeu, especialmente o Manchester City, é o professor de Língua Portuguesa Javier Freitas. Ele relata que a paixão pela equipe surgiu por influência dos irmãos Noel e Liam Gallagher, líderes da banda Oasis e torcedores fanáticos da equipe. O amor pelo time cresceu com o tempo e hoje não é só pela banda que ele prestigia o City. “Era uma época bem mais difícil de acompanhar porque o time não tinha essa visibilidade (e esse dinheiro) que tem hoje, então, qualquer informação que dava pra buscar já valia muito. A TV a cabo não era exatamente fácil como é hoje. Na verdade, o maior contato que eu tinha com o time era jogar com eles num FIFA 2003 que eu tinha.Quando vi, o amor pelo time passava ao largo da admiração pela banda”.

Javier teve passagens por alguns sites sobre futebol europeu, sendo que atualmente escreve no maior portal do gênero, o ESPN FC, onde os próprios torcedores escrevem sobre as equipes do coração, sejam europeias ou brasileiras. O blogueiro fala que a atenção das grandes emissoras de televisão aberta, especialmente com a Liga dos Campeões, demonstra o interesse dos brasileiros pelo futebol do velho continente. “Ainda que eles só peguem a Champions League das oitavas pra frente, há uma cobertura muito grande. Não é com a mesma intensidade e qualidade com que os canais por assinatura fazem, mas essa mudança de abordagem significa que o consumidor de futebol como um produto tem percebido que o “enlatado” da Europa possui um apelo e uma qualidade muito maior”, conclui.

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