Grande Hotel Budapeste conquista visualmente o espectador

Magia de cores em O Grande Hotel Budapeste
Magia de cores em O Grande Hotel Budapeste (Foto: Reprodução)

Elogiar a direção de arte de Wes Anderson é redundante. Todos os filmes lançados por ele possuem cores fortes e imagens que, se congeladas, se passariam por fotografias.

O filme “O Grande Hotel Budapeste” apresenta a história de um escritor (Tom Wilkinson) que revive o momento em que se hospedou no Grande Hotel Budapeste e conheceu seu dono (F. Murray Abraham) e este conta como o hotel ficou em sua posse. Uma narrativa com várias camadas, mas que não confunde quem está assistindo. O filme é levemente baseado na obra do escritor Stefan Zweig, poeta e dramaturgo austríaco que faleceu em Petrópolis/RJ na década de 40.

A história é ambientada na fictícia República de Zubrowka e conhecemos o senhor Gustave (Ralph Fiennes), antigo consierge do hotel, e Zero (Tony Revolori), um aprendiz que sonha em se tornar um consierge tão bom quanto o seu mentor.

Gustave é um ser excêntrico. Ele gosta de perfumes, poesias e senhoras mais velhas de cabelos louros. Tudo ocorria da maneira mais normal possível para um filme de Wes Anderson até que sua paixão, Madame D. (Tilda Swinton) é encontrada morta e os dois mordomos se veem em uma armação.

Essa sinopse pode não entregar o que o filme realmente é. Com cenas que beiram o ridículo, mas que fazem rir, o diretor apresenta uma obra que passa longe de ser apenas um portfólio de direção de arte.

Com tiradas absurdas e surreais, o filme faz rir e emocionar com as relações entre os personagens. Ralph Fiennes está excelente no papel, sem apenas um momento em que o público não goste dele. Alguns personagens aparecem por poucos minutos na tela, mas conquistam e fazem querer ver mais.

Em todos os momentos a atração visual marca o espectador. O diretor faz um brilhante trabalho ao não deixar que a ação e a comédia interfiram uma na outra, mas acima de tudo que sua arte gráfica não atrapalhe os conflitos.

Por fim, este trabalho se traduz como o mais maduro da breve carreira de Wes Anderson, que continua com maluquices visuais, mas enriquece um roteiro brilhante.