Greve geral leva 40 mil às ruas de Curitiba

Trabalhadores de várias categorias endossaram o início da greve dos professores 

Por Raisa Toledo

A última quarta-feira (15) foi dia de protestos e paralisação em 25 estados do país e no Distrito Federal. O motivo é a PEC 287, a Reforma da Previdência proposta pelo Governo Federal. De acordo com a medida, homens e mulheres teriam direito à aposentadoria aos 65 anos, em caso de contribuição com a Previdência por, no mínimo, 25 anos.

Em Curitiba, o ato foi organizado pela APP-Sindicato em parceria com a FBP (Frente Brasil Popular) e a CUT (Central Única dos Trabalhadores), e segundo a APP contou com aproximadamente 40 a 50 mil pessoas. A concentração ocorreu na praça Santos Andrade e, de lá, os manifestantes seguiram até a praça Nossa Senhora de Salete, próxima ao Centro Cívico. Além de representantes das categorias paralisadas, estudantes, integrantes de movimentos sociais e coletivos participaram da passeata.

Nessa data os ônibus não circularam em Curitiba, devido à greve de motoristas e cobradores. Professores, funcionários da saúde, dos Correios, servidores municipais, bancários, metalúrgicos, petroleiros, trabalhadores da limpeza pública e agentes penitenciários também suspenderam suas atividades.

Cartazes mostram as demandas dos trabalhadores: Fora Temer e o fim da Reforma da Previdência (Foto: Raisa Toledo)

 

Da parte dos professores, a reforma da Previdência não é a única pauta. A categoria também protestou contra as ações do governador Beto Richa em relação à diminuição da Hora-Atividade e à distribuição de aulas do ano de 2017. Para Andréia Ramos, professora de dois colégios estaduais, “a distribuição de aulas esse ano foi uma vergonha. Muitos professores foram punidos ao longo de 2016, por ter tirado licença. Ficar doente não é crime.”

 

“Ao invés de lutarmos por direitos, estamos lutando para não perder os que conseguimos ao longo de toda uma história” – professora Andréia Ramos

Os servidores municipais também apresentaram demandas mais locais. O diretor do Sismuc (Sindicato de Servidores Públicos Municipais de Curitiba), Juliano Soares, conta que além da reforma da Previdência, o sindicato busca pressionar o Prefeito Rafael Greca, que alega não ter dinheiro para pagar o reajuste na data base dos servidores (31 de março). “Até agora, ele tem conversado com as redes privadas, com as empreiteiras e empresas terceirizadas da prefeitura, mas não com os sindicatos e não deu justificativas do porquê do descumprimento das legislações dos planos de carreiras”, reclama o diretor do Sismuc.

Larissa Rahmeier, ex-diretora da UNE (União Nacional dos Estudantes) e integrante do coletivo Rua – Juventude Anticapitalista, aposta na união entre as categorias como determinante da importância da data. “O 15 de março está sendo construído há algum tempo em unidade com várias organizações políticas, movimentos sociais e centrais sindicais, algo muito unitário que a gente não via há muito tempo.”.

 

“A unidade é importante porque vai ser com a força nas ruas que a gente vai conseguir derrotar essa medida” – estudante Larissa Rahmeier

 

A professora estadual Sidineiva Gonçalves também considera a Greve Geral um dia significativo: “nós temos que nos posicionar firmes para que a Reforma não seja aprovada. Esse é o primeiro ato, e muitos virão, porque nós não vamos descansar”, conta.

Em Assembleia do Comando de Greve da APP, realizada na tarde de quarta-feira, os professores concordaram que a greve continua por tempo indeterminado, decisão que teve adesão de 85% das escolas do estado.

“Nós temos que nos posicionar firmes para que a Reforma não seja aprovada. Esse é o primeiro ato, e muitos virão, porque nós não vamos descansar” – professora Sidineiva Gonçalves

 

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