Grupo de pesquisa da UFPR desenvolve software educacional para escolas públicas

Iniciado pelo MEC e agora nas mãos da instituição paranaense, o projeto busca utilizar a tecnologia como forma de melhorar o ensino em escolas públicas

Por Pedro Macedo

O Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL), Grupo de Pesquisa do Departamento de Informática da Universidade Federal do Paraná (UFPR) é responsável por desenvolver o projeto Linux Educacional (LE) desde 2010. O software visa o melhor aproveitamento dos ambientes de informática nas escolas públicas do país, além de promover a inclusão de estudantes na área de tecnologia.  

O sistema Linux é baseado em Software Livre, que pode ser utilizado, estudado, modificado e distribuído de maneira livre e sem custos. Sendo assim, a base do Linux Educacional é o sistema operacional Linux, mas alguns diferenciais foram agregados para que o LE se adequasse ao ambiente escolar e se tornasse uma plataforma de integração social e tecnológica para as escolas públicas.

Como exemplo do que foi desenvolvido, temos a existência de um usuário específico para o aluno, que não permite que ele modifique aspectos gerais do sistema. “O estudante pode fazer qualquer alteração durante o uso, assim que ele sair do computador, a máquina voltará ao seu estado original”, conta Diego Pasqualin, estudante de doutorado no Departamento de Informática da UFPR e gerente no C3SL. Ele explica que essa ferramenta garante que o usuário não danifique de alguma forma o computador, reduzindo o custo de manutenção.

Outro instrumento de adequação é a Edubar, uma barra de ferramentas que permite busca de conteúdo educacional e que fica fixada na área de trabalho do computador.

O LE também oferece um recurso que auxilia em caso de  dificuldade de boa conexão com a internet. Por exemplo, se um estudante decide baixar algum conteúdo educacional no laboratório, um outro aluno, de outra escola, que queira usar o mesmo conteúdo, não precisa baixar diretamente da internet. O sistema é capaz de “copiar” o arquivo do computador em que foi previamente baixado e transferir para o outro computador. Esse sistema alivia a carga de internet que a escola precisaria demandar para fazer o download do arquivo. Para Pasqualin “essas alternativas precisam ser pensadas para que o LE possa ser usado em computadores que não são tão avançados ou em escolas em que a conexão de internet não é boa”.

Desenvolvimento

O projeto é desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação e atende o país inteiro.  A nova versão do Linux Educacional, o LE6, foi lançada em outubro de 2017 após um ano de desenvolvimento e teve participação de aproximadamente 10 bolsistas e estudantes do Departamento de Informática.

No desenvolvimento da versão Beta (uma versão de teste) o fórum, que recebeu sugestões e problemas, teve papel fundamental na evolução da nova versão.  Embora tenha ações desenvolvidas para o ambiente escolar, é livre e pode ser instalada e utilizada por qualquer pessoa que tenha interesse.

De acordo com Todt, os alunos que aprendem a mexer no computador pelo Linux, conseguem se adaptar facilmente aos outros sistemas operacionais, do que quando ela é alfabetizada pelo Windows. Foto: Pedro Macedo

MEC e UFPR uma via de mão dupla

A principal participação do Ministério da Educação (MEC) no projeto é financeira. A continuidade do projeto para o C3SL aconteceu em 2010, quando o MEC passou a financiar o desenvolvimento.

A UFPR participa com espaço físico, os bolsistas que trabalham no C3SL e todo o desenvolvimento do LE que tem interferência e suporte da universidade. “A gente usa a estrutura da UFPR, o telefone, a água, a luz e isso custa uma fortuna. É uma contribuição muito grande”, conta Eduardo Todt, professor no Departamento de Informática e pesquisador do C3SL.

Essa parceria traz também vantagens para a universidade, grande parte dos computadores e da infraestrutura de alto nível que o Departamento de Informática possui é resultado de parcerias com o C3SL.Todt explica que a cada nova parceria firmada o departamento recebe um servidor específico – e também máquinas específicas – e quando o projeto chega ao fim esse equipamento continua com a universidade. “Assim, é gerada toda uma infraestrutura e conseguimos aliviar a nossa demanda dentro da UFPR”, conta Todt.

Resultados

O sistema de monitoramento instalado nos computadores indica que o LE está presente em mais de 100 mil computadores ao longo do território nacional. “Isso implica em aproximadamente 5 milhões de usuários”,afirma Pasqualin.

Durante a aplicação do Linux Educacional 5, o C3SL realizou uma pesquisa na qual aproximadamente 700 pessoas responderam sendo a maioria das respostas e avaliações  positivas com respostas como “Bom” ou “Excelente”.

Todt também conta que eles recebem feedbacks das escolas e de técnicos que cuidam dos computadores, o que garante a usabilidade do LE nas escolas públicas nacionais, e a garantia de que os resultados são satisfatórios.

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