Homem-Aranha: De Volta ao Lar | O filme definitivo do “amigão da vizinhança”

Resultado de uma parceria entre dois grandes estúdios, o filme soube abordar um herói em desenvolvimento sem deixar de lado as características que o humanizam

Robinson Samulak

Os filmes baseados em HQs de heróis passam por um certo esgotamento. Enquanto a Marvel Studios vem consolidando seu universo há quase uma década, a DC, em parceria com a Warner Bros., entre erros e acertos, vem tentando algo novo. A Fox, detentora dos direitos de X-Men e Quarteto Fantástico tenta se renovar, assim como a Sony. A esta última coube a difícil missão de levar para os cinemas um dos personagens mais adorados dos quadrinhos.

Com filmes que ou buscavam atingir um público muito mais amplo que o dos quadrinhos, ou focavam em cenas magalomaníacas demais para um personagem tão contido dentro se seu próprio mundo, a Sony conseguiu entregar filmes que apresentavam momentos marcantes (seja pela famosa cena do beijo de Peter Parker com Mary Jane, ou da excelente batalha do teioso com Doutor Octopus), mas sempre deixavam de lado algo muito essencial de um personagem tão importante para as histórias em quadrinho: o Homem-Aranha é, antes de mais nada, o “amigão da vizinhança”.

Foto: Divulgação

É nesse detalhe que “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” se apega. Dirigido por Jon Watts (“A Viatura”), a trama se passa 8 anos após os eventos de “Os Vingadores”. Peter Parker (Tom Holland) está se preparando para retornar aos estudos, enquanto tenta convencer seu mentor Tony Stark (Robert Downey Jr.) de que está pronto para entrar definitivamente para o super grupo de heróis. Porém, ao se deparar com um contrabandista de armas, Parker vai ter que enfrentar uma ameaça que parece ser muito maior do que ele está acostumado. O título do filme é uma tradução literal do termo em inglês Homecoming e funciona como um jogo de palavras. O termo é usado para se referir ao tradicional baile de volta às aulas das High-Schools (um equivalente norte-americano ao nosso ensino médio). Também funciona como um lembrete de que o Homem-Aranha voltou à Marvel.

Um dos detalhes mais importantes ao se falar de Homem-Aranha, é entender que ele é um herói completamente urbano. Seja quando veste sua roupa para enfrentar criminosos, seja quando está no seu dia-a-dia como um cidadão comum, o personagem sempre foi conhecido por se relacionar diretamente com o Queens, região onde Parker mora. Por mais que tenha havido uma tentativa de mostrar esse lado nos filmes anteriores, ela sempre foi subaproveitada. Era tudo muito grandioso, o que deixava o Aranha do cinema mais distante do que deveria do seu bairro e das pessoas que ele conhecia e buscava cuidar e defender quando comparado aos quadrinhos. Desta vez, o que temos é um herói que se preocupa em garantir que todos estejam a salvo, seja impedindo um assalto, ou ajudando uma velhinha a atravessar a rua.

A Sony soube aproveitar muito bem o universo já criado pela Marvel Studio, e usou Tony Stark como um recurso narrativo que conduz muito bem cada um dos atos. Ao mesmo tempo, sua participação é pontual e seu protagonismo se resume às poucas cenas em que aparece, mas sem tirar o destaque do excelente Tom Holland. O jovem ator entrega da maneira mais autêntica possível o verdadeiro Homem-Aranha. Holland sabe ser dramático quando a cena exige, mas, de forma geral, ele é o adolescente que conta piadas o tempo todo, o nerd que está descobrindo os seus verdadeiros poderes – alguns que vão muito além de ser um herói que precisa de um uniforme para fazer algo grandioso, como o próprio Stark reforça numa das cenas.

Foto: Divulgação

 

Ainda cabe destacar a presença de Jacob Batalon como um fiel Ned, que consegue descrever a reação que qualquer adolescente teria ao descobrir que seu melhor amigo é o Homem-Aranha. Ao mesmo tempo, não se limita a idolatrá-lo, mas se mostra um braço direito que, como um verdadeiro amigo, está o tempo todo por perto.

Mas nem tudo é perfeito. Num dos poucos exageros que atrapalham a trama, o uniforme do protagonista num determinado momento torna-se uma espécie de variante da armadura do Homem de Ferro usada por Tony Stark. Numa tentativa de torná-la interativa, o uso exagerado mais atrapalha do que ajuda na narrativa. Existem bons momentos de diálogos, mas é nítida a forma como o recurso foi usado para tentar recriar cenas famosas de Stark em sua armadura, o que não funciona com o estilo deste filme.

Por fim, temos um vilão que serve principalmente como recurso de roteiro. Michael Keaton entrega um Abutre que é limitado pelo próprio ator. Como seu objetivo principal é fazer a história acontecer, sua participação é pouco mais do que pontual. Um personagem não tão desenvolvido (embora muito bem utilizado), que se aproveita do fato de ser um vilão e, como tal, seu propósito é a vilania (apesar de possuir uma justificativa). Não é possível entender o quão mal ele de fato é. Cabe ao público a tolerância de entender que nem todo vilão precisa de uma razão para se opor ao herói.

Em determinado momento, enquanto Peter Parker testa seu novo uniforme pelo bairro, “Blitzkrieg Bop” dos Ramones entra como trilha. Talvez seja essa a melhor forma de resumir o filme. Simples, direto e extremamente urbano, como sempre deveria ser. O filme ainda  conta com duas cenas pós-créditos, uma que prepara terreno para filmes futuros do Homem-Aranha e outra que… deixo como uma divertida surpresa para os que aguentarem esperar. O que não tem como esconder é que, depois de tanto tempo, é realmente muito bom ver o amigão da vizinhança de volta ao seu lugar de origem.

Nota final: 9,0

SalvarSalvar

You May Also Like

One thought on “Homem-Aranha: De Volta ao Lar | O filme definitivo do “amigão da vizinhança”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *