Influenciadores digitais enfrentam as consequências da superexposição

Através das redes sociais jovens buscam atingir o sucesso compartilhando os mais diversos conteúdos e exibindo suas vidas particulares

Por Anelize Visin

Os avanços tecnológicos e a popularização da internet, decorrentes da era digital, causaram o surgimento de uma nova cultura virtual, a chamada cybercultura. Parte marcante desse processo é a forte presença dos influenciadores digitais (ou digital influencers). São pessoas que, através das mais diversas redes sociais, como canais no YouTube, e contas no Instagram, Facebook, Twitter e SnapChat,  ganharam a confiança e o apreço de seus espectadores a ponto de se tornarem modelos de comportamento e formadores de opinião para muitos.

Esses influenciadores desenvolveram a capacidade de mobilizar um grande número de seguidores, orientando atitudes, falando sobre suas vidas e até indicando ou reprovando marcas e produtos do mercado. Com o conteúdo exibido principalmente nas redes sociais, eles são responsáveis pelo fenômeno conhecido como nanofama. Isso porque são muito conhecidos em determinadas plataformas digitais, mas praticamente desconhecidos além dos limites virtuais.

Segundo dados do Google, o Brasil está em segundo lugar na escala de países com mais tempo de visualizações de vídeos online. Ao levar em consideração que a cada hora são geradas, mundialmente, 500 novas horas de conteúdo no Youtube, é importante discutir o que está sendo publicado pelos influenciadores. Em busca de visualizações e repercussão, alguns destes produtores de material fazem vídeos completamente sem conteúdo e que beiram o ridículo. Cai no esquecimento o fato de que algo postado na internet pode afetar pessoas de diversas maneiras. Um problema que surge quando a fama deixa de ser consequência do sucesso e passa a ser o objetivo, a qualquer custo.

É papel fundamental dos digital influencers ter a consciência de que possuem uma responsabilidade com seus fãs. O público, formado por pessoas de todas as idades, deposita sua confiança neles, acredita no que dizem e muitas vezes reproduz suas opiniões e comportamentos. Dependendo do conteúdo que está sendo passado, isso pode ser muito perigoso. É necessário o desenvolvimento de um senso crítico, já que vídeos e postagens em redes sociais retratam um mundo de aparências e meias verdades, gerando no espectador uma insatisfação com a própria vida.

Quando a exposição em busca do sucesso ultrapassa certos limites, a vida real de ambas as partes pode ser comprometida. Para os influencers, o excesso de exposição pode atingir aspectos sérios relacionados à própria segurança. Isso porque, não é possível fazer um controle sobre quem assiste seus conteúdos, com o risco de exposição a pessoas mal intencionadas informações sobre suas famílias, seus ciclos de amizade, os lugares que frequentam, etc.

O fenômeno dos youtubers começou a crescer no Brasil nos últimos anos e estima-se que existam mais de 310 mil canais brasileiros (Foto Pixabay).

A superexposição é uma tentativa de horizontalizar a relação entre os produtores de conteúdo e seus seguidores. Cria-se uma imagem de “gente como a gente”, que atende o desejo dos jovens de se espelhar em figuras semelhantes a eles, com milhares de seguidores. Da mesma forma, os haters – pessoas que só estão na rede para difundir ódio gratuito -, sentem a liberdade de atacar esses produtores com críticas pessoais e xingamentos, que podem causar um abalo psicológico tanto a quem produz conteúdo quanto a quem o consome.

O excesso de exposição tem seu lado positivo de aproximação com o espectador, mas os contras são muito maiores, já que nem tudo deve ser tão escancarado na internet. Preservar a intimidade é necessário e saudável. É preciso impor certos limites de exposição para preservar aspectos físicos e, principalmente, psicológicos.

Um setor que tira proveito da fama dos influenciadores digitais é o das grandes marcas. Ao perceberem que os jovens trocaram a TV pela internet, passaram a direcionar suas ferramentas de publicidade a esse público. Através de acordos com seus influenciadores preferidos em troca de propaganda e promoção, essas empresas se aproveitam da confiança e apreço do público por seus ídolos para conquistar consumidores e vender seus produtos. Isso é uma ótima jogada de marketing do mercado, mas incentiva o consumo exagerado dos espectadores.

O mundo da internet virou um negócio envolvendo milhões de pessoas e os digital influencers viram nisso uma nova profissão. O objetivo de quebrar as barreiras da internet e atingir outros meios é cada vez mais evidente. Alguns desses influenciadores já estão lançando músicas, escrevendo livros, fazendo coleções de roupas e ganhando dinheiro com presença em eventos. Esse nicho se tornou uma fábrica de dinheiro e ganhou popularidade. Cada vez mais é necessário refletir sobre o limite entre a intimidade e a exposição, entre a fama e a extravagância.

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