Intercâmbio para países “menos convencionais” vale a pena?

Coreia do Sul, Egito, Irlanda e França; a experiência de quem fez intercâmbio para esses países, as vantagens e as desvantagens

Por Juliana Firmino

Já pensou em fazer intercâmbio? França e Irlanda talvez tenham sido suas opções, mas já cogitou Egito ou Coreia do Sul? A procura por países menos tradicionais tem aumentado entre os jovens, mas quais são as vantagens e desvantagens?

FRANÇA

Fernanda Pamplona e Juliana Pamplona 

Fernanda Pamplona em seu intercâmbio na França (Foto: Arquivo pessoal)

As irmãs Fernanda e Juliana Pamplona escolheram como destino a França. Segundo elas, um dos grandes benefícios são as ajudas de custo. O governo francês auxilia estudantes estrangeiros, pagando cerca de 60% do aluguel nas moradias estudantis. A locomoção também era barata. “Os estudantes podem fazer uma carteirinha que permite acesso livre aos meios de transporte, com uma mensalidade de 30 euros”, contam. Fernanda pontuou também o baixo custo para viajar entre cidades europeias: “cheguei a viajar para Lisboa por 1,99€”.

E as desvantagens? Na opinião de Fernanda, os franceses são pessoas “muito fechadas”, e até grossas em muitas ocasiões; apesar disso, ela pondera que “eles têm um senso de coletividade e uma mobilização de luta por direitos muito maior do que no Brasil”.

Depois de escolhido o destino, um dos pontos de maior importância em um intercâmbio acadêmico é a escolha da Universidade. Fernanda conta que em seu intercâmbio enfrentou problemas com professores e considera as universidades europeias menos críticas que as federais brasileiras.

 

Ela foi com bolsa de estudos da UFPR, mas a irmã, não. Por isso, para se manter, Juliana estagiava; e, para aumentar a renda, fazia “bicos”, digitalizando textos na faculdade.

Trabalhando o dia todo fora e morando sozinha em outro país, a estudante se viu sobrecarregada com a rotina, tendo que se alimentar nos restaurantes universitários. No entanto, conta que a comida da sua faculdade era gordurosa e pouco saudável, o que a fez ganhar peso.

 

 

EGITO

Thais Barbosa

Thais Barbosa em seu intercâmbio para o Egito (Foto: Arquivo pessoal)

Em seu intercâmbio, Thais Barbosa optou pelo Egito, onde trabalhou como voluntária, dando aulas de inglês para crianças.

A língua árabe foi um grande desafio no início. Thais conta que, nas primeiras semanas, não entendia nada, mas a receptividade do povo fez com que superasse as barreiras linguísticas rapidamente. “Além de receptivos, os egípcios são bastante generosos e felizes” relembra. E continua: “recebi muitos presentes das pessoas de lá”.

No entanto, um fato que a incomodou foram os hábitos de higiene, bem diferentes dos nossos. Ainda assim, a intercambista salienta que se sentia mais segura lá do que no Brasil, devido ao respeito do povo por causa da religião. “No Egito, violência nas ruas e assaltos são incomuns”, esclarece.

Com relação à alimentação, ela conta que engordou no período da viagem, por jantar constantemente em fast foods de redes locais, que tinham custos baixíssimos graças à desvalorização da moeda. A libra egípcia vale cerca de três vezes menos que o real; logo, o custo de vida para Thais era baixo. “Eu era rica lá”, comenta.

 

 

COREIA DO SUL

Selena Bortoletto

Selena e amigos em seu intercâmbio para a Coreia do Sul (Foto: Arquivo pessoal)

Selena Bortoletto está, agora, na Coreia do Sul: “eu estudo em uma universidade budista, no meio de templos e montanhas”. Em função do local isolado, ela enfrenta algumas dificuldades. “Não tem muitas opções para se alimentar por perto, apenas em regiões mais centrais; por isso, acabo comendo em restaurante universitário.”, explica.

Se, no Egito, os restaurantes têm preços baixíssimos, na Coreia do Sul a situação é completamente oposta. A estudante acredita que os custos variam de pessoa para pessoa. “A moeda daqui é quase o mesmo preço do dólar (estadunidense) no Brasil. Viver aqui com reais pode ficar pesado, mas depende muito do seu estilo de vida.”, compensa.

Uma das peculiaridades que descobriu vivendo no oriente foi o senso de coletividade e respeito pelos ambientes coletivos. “Não se pode falar alto nos metrôs, por exemplo, porque é um lugar público. Minha amiga coreana explicou que ‘em um lugar público, ninguém pode simplesmente fazer o que quer’, enquanto que, no Brasil, a lógica é quase oposta: todo mundo se sente livre para fazer o que quiser.” afirma Selena. E dá um exemplo: “por isso, se alguém faz algo inadequado no Brasil, dificilmente alguém repreende. Na Coreia não, as pessoas mais velhas sempre repreendem os mais jovens nessas situações”.

Ela ainda diz que os mais velhos são muito respeitados, a ponto de terem total liberdade – “inclusive gritar no metrô”, brinca.

 

IRLANDA

Daniel Pamplona

Galway, oeste da Irlanda (Foto: Arquivo pessoal)

A escolha de Daniel Pamplona foi bem direta: “fui para estudar línguas, mas meu objetivo era trabalhar – e a Irlanda é um dos poucos países da Europa a oferecer trabalhos legalmente para estrangeiros que estejam matriculados em cursos de línguas.” comenta.

No primeiro mês, ele ficou em uma casa de família; em seguida, utilizou um site para encontrar um local e repartir os custos da habitação. “Lá, eles têm o hábito de dividir a casa entre muitas pessoas. Na casa em que encontrei, moravam 7 pessoas”, recorda.

Porém, com tantas pessoas morando juntas (e também devido à rotatividade dos moradores), a divisão de tarefas era complicada. “Dividi casa com uma japonesa, uma polonesa, alguns brasileiros e um coreano. Era o tempo todo entrando e saindo gente” afirma Daniel.

Outra grande dificuldade foi o clima. “Nossa casa era muito fria, o aquecimento era à base de querosene, mas era muito caro e durava pouco”, reclama. Segundo ele, as prioridades eram outras: “como todo mundo tava ‘duro de grana’ e querendo economizar pra viajar, passamos um bom tempo sem aquecimento. A gente congelava dentro da casa”.

Uma curiosidade interessante sobre os hábitos irlandeses é a valorização maior do jantar como refeição principal, ao invés do almoço – o que fez com que o organismo de Daniel demorasse a se acostumar.

Apesar dos perrengues, o intercambista elogia a capital irlandesa (Dublin), com destaque especial para os transportes. Porém, alerta que o preço é alto, assim como o custo de vida em geral.

 

Aprendizado

Mesmo com todas as diferenças entre os países citadas até aqui, há um pensamento em comum entre os entrevistados: todos consideraram que a experiência valeu a pena por conta do aprendizado e da imersão cultural que um intercâmbio proporciona. Quando voltou para o Brasil, Fernanda sentiu que tinha um senso de pertencimento muito maior. “Talvez seja necessário, às vezes, a gente dar um passo pra trás e olhar de longe, pra conseguir ter uma noção do todo”, reflete.

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