Intervenções culturais podem revitalizar o São Francisco

O São Francisco, região histórica de Curitiba, é pauta de debate de integrantes do poder municipal, comerciantes, moradores e artistas. Um projeto de lei deve discutir uma série de intervenções no local para que se crie uma relação de equilíbrio entre as pessoas que têm um vínculo ao bairro, seja comercial, residencial ou mesmo de lazer. A redefinição do zoneamento, por exemplo, é uma das propostas; se isso ocorrer, o bairro pode se tornar um setor de produção cultural, reduzindo os índices de violência da região.

O projeto foca na ideia de que o São Francisco está diretamente ligado à história da cidade e consequentemente a sua movimentação cultural. Mas, ao mesmo tempo, os moradores e a cultura local devem ser respeitados também. A proposta regulamentaria, então, horários de funcionamento dos estabelecimentos, trânsito e criação de banheiros públicos, por exemplo. Outras mudanças discutidas são: a criação de galerias públicas para grafite e diversas outras ações que previnam a ação dos pichadores; um serviço de segurança coordenado pela Polícia Militar e Guarda Municipal para prevenir crimes; um projeto de melhoria da iluminação pública para os pedestres; e a criação de uma feirinha na região, que aconteceria mensalmente e teria parte dedicada aos moradores.

Público da Quadra Cultural 2013 atentos às atrações presentes; evento ocorreu na Rua Paula Gomes, no São Francisco


O poeta Rodolfo Jaruga, um dos participantes do projeto, defende que os investimentos na produção cultural do bairro certamente dariam retorno na infraestrutura do lugar como um todo, já que tudo está entrelaçado. Sem o comércio, por exemplo, a região seria entregue à marginalidade. “A ideia é harmonizar as funções do bairro. A função residencial, a função comercial diurna e a função comercial noturna. Essa última vem acompanhada de uma forte produção cultural, ao encontro de artistas, boêmios e universitários do bairro”, explica Jaruga.

O bairro, conhecido por promover eventos e festas, vem lidando com algumas críticas. No começo do ano, por exemplo, os moradores do São Francisco fizeram um abaixo-assinado pedindo a alteração do local de realização da Quadra Cultural. Eles alegaram que o local não suportava um evento desse porte; as ruas ficavam imundas e o barulho da música alta e das próprias pessoas incomodava. A Quadra Cultural foi criada pelo agitador Magrão – dono do bar O Torto – e chegou à quinta edição esse ano, reunindo cerca de seis mil pessoas. O evento oferece, gratuitamente, espetáculos teatrais e musicais para a população.Magrão defende com convicção a realização de eventos culturais. Além da valorização da cultura no bairro que deu origem à cidade de Curitiba, ele acredita que esse tipo de investimento atrai outros benefícios. A permanência de eventos culturais aumentaria a visibilidade do bairro e, consequentemente, questões públicas seriam mais desenvolvidas. “Os movimentos na área cultural estão isolados. Não está havendo uma ação conjunta, na verdade”, defende o dono d’O Torto.

De acordo com Vitória Benaci, estudante de Ciências Econômicas na UFPR, moradora do São Francisco, esse tipo de investimento na cultura não influencia apenas na produção cultural em si, mas também na questão da harmonia no bairro, entre moradores, comerciantes e agitadores. “Acho que o incentivo à cultura é o que mais pode ajudá-lo. Com mais eventos nas ruas do São Francisco, um nível maior de segurança e policiamento viria naturalmente. Além disso, uma movimentação maior de pessoas com boas intenções certamente traria mais vida ao bairro”, comenta a estudante.

O superintendente da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), Igor Cordeiro, disse que essa ação será realizada em conjunto com outras que já estão sendo feitas pela Prefeitura. Ele também revelou que diversas secretarias municipais – FCC, Urbanismo, Obras Públicas e Guarda Municipal – vêm debatendo os problemas no São Francisco e possíveis soluções pra eles. Para Igor, essa ação unificada é essencial para o sucesso na execução dos projetos e para o desenvolvimento do local.

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