Investimentos em Cultura não alcançaram meta de 1% no estado do Paraná em 2016

Manoela Leão, criadora do Litercultura (Foto: Reprodução)

 

Cultura e investimento há tempos não andam juntas no Brasil. O estado do Paraná fez cortes de verba e não cumpriu a meta, e logo que tomou posse como presidente interino, Michel Temer não poupou esforços para cortar o Ministério da Cultura. A pasta só foi retomada após pressão da classe artística e da população.

O investimento para a Secretaria de Estado da Cultura representava 0,25% do orçamento total, em 2014, no Estado do Paraná. A verba ficou ainda mais baixa em 2015 e caiu para 0,21%. E mesmo com o acréscimo para 0,31%, em 2016,  ainda não foi suficiente para atingir a meta de 1% estipulada pelo Governo.

Curitiba recebeu o Litercultura em 2016, festival literário que reúne autores nacionais e internacionais, além de oficinas, palestras e workshops focados em literatura. Com as medidas do governo que não promovem apoio à cultura, o festival teve impacto em sua proporção. O evento que já ocorre há quatro anos, teve no ano passado uma edição voltada aos autores paranaenses. Manoela Leão, organizadora e criadora do Litercultura, relata que o impacto do corte de verba não foi diretamente na programação, já que o tema com escritores paranaenses vinha se desenhando desde a criação do festival, a consequência foi de fato na extensão do evento.

“O que o corte de verba impactou nesse ano foi que o evento tradicionalmente foi montado para ser dividido em capítulos. Esse é o mote do Litercultura. Esse ano a gente fez um capítulo, mas já tivemos edição que fizemos quatro.” explica Manoela.

Para ela o baixo orçamento destinado à cultura não afeta somente o mercado literário, mas sim todo espectro que abrange a cultura. “Uma das primeiras coisas que fazem corte é da cultura, muito embora o orçamento destinado a ela seja sempre pequeno, na história do país sempre foi isso, mas ainda assim se corta como se fosse algo supérfluo, o que não é verdade”, relata.

Cultura em Curitiba

O orçamento da cultura em Curitiba também está baixo. Em outubro de 2015, a gestão do prefeito Gustavo Fruet anunciou que o investimento em cultura tinha chegado ao patamar de 1%. “Porém, o 1% anunciado era na realidade 1% da receita líquida, valor aproximado de 2 bilhões abaixo do 1% do orçamento da cidade, sua promessa de campanha”, informa  o ativista cultural, Guilherme Jaccon.

Jacon explica que o pouco investimento em cultura vai além do orçamento, há falta de políticas públicas para nossa cidade. As alterações feitas no âmbito artístico são realizadas sem a participação dos cidadãos, como no caso da mudança do Museu da Fotografia, feita sem nenhuma consulta com a população ou com os fotógrafos da cidade.

Com relação aos editais, que atendem aproximadamente 90% da programação da Fundação Cultural de Curitiba, a gestão lançou o Edital Livre que não respeita as especificidades das áreas, faltando a visão de que Cinema tem características diferentes da Dança ou Artes Visuais.

Mas para Guilherme ainda há solução para as dificuldades que a cultura enfrenta: “A próxima gestão deve prezar pelo equilíbrio entre grandes e pequenos eventos, programas de formação de público e de incentivo aos artistas da nossa cidade. Prezar pelo diálogo tanto com os artistas do centro quanto da periferia, o que está faltando na gestão cultural da nossa cidade é exatamente equilíbrio.”

Jaccon conclui afirmando que são necessárias políticas públicas que aproximem a população da gestão do município, para que os rumos da cultura sejam decididos em conjunto e a voz do cidadão seja ativa. Realizando assim uma política de promoção e diálogo que privilegie Curitiba.

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