IT: A Coisa – Divertido, tocante e aterrorizante

Por Arthur H. Schiochet

Chega aos cinemas um dos filmes mais aguardados do ano. “It: A Coisa”, baseado no livro escrito por Stephen King, estreia quase um ano após a onda de palhaços assustadores que se espalhou pela internet, o que pode enganar os que associam esse fenômeno recente com o filme. Quem espera um terror comum, para levar sustos e ir embora pode se decepcionar, pois a obra é muito mais que isso.

A trama gira em torno do Clube dos Perdedores, um grupo de crianças que vivem na fictícia cidade de Derry, no estado do Maine, onde o número de crianças desaparecidas começa a chamar atenção. Cada um dos membros do clube se vê confrontando seus grandes medos, causados pelo bizarro palhaço Pennywise (Bill Skarsgård, de “Hemlock Grove”).

É bom dizer que quem sofre de coulrofobia (fobia de palhaços) deve evitar esse filme, pois a obra é bem aterrorizante. Mas o mérito de “It” é fazer com que as crianças do grupo sejam maiores que o monstro. Os momentos que mostram os dilemas de cada um são tão bonitos e engraçados que mesmo quem foi ao cinema com o intuito de ver cenas pesadas tem vontade de assistir mais deles.

O corajoso Bill (Jaeden Lieberher, de “Midnight Special”); o boca suja Rich (Finn Wolfhard, de “Stranger Things”); o gorducho Ben (Jeremy Ray Taylor, de “Alvin e Os Esquilos na Estrada”); o hipocondríaco Eddie (Jack Dylan Grazer, de “Contos do Hallowen”); o judeu Stanley (Wyatt Oleff, de “Guardiões da Galáxia vol. 2”); o garoto de fora Mike (Chosen Jacobs, de “Hawaii Five-0”) e a garota problema Beverly (Sophia Lillis, de “37”) roubam a cena, atraem os olhares em todas as cenas que estão e se desenvolvem para superar os estereótipos colocados no início da trama. Todas as vezes que os “perdedores” estão juntos, os momentos são especiais e a química entre eles é tão grande que parecem ser amigos na vida real.

O filme faz com que você se importe com os personagens e passe a sentir medo junto e por eles, um recurso que dá a cada cena um peso especial, pois quando o monstro ameaça um personagem que despertou simpatia, ele se torna ainda mais imponente.

A ambientação lembra muito a série “Stranger Things”, não só por ter o ator Finn Wolfhard, mas pelo clima de nostalgia que evoca. “It” também faz referência a outros filmes baseados na obra de Stephen King, como o clássico da Sessão da Tarde “Conta Comigo”, que está estampado em vários momentos de tela, seja pela amizade que ajuda a solucionar problemas, ou a localização em uma pequena cidade dos EUA nos anos 80.

Fonte: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Mas e o palhaço, é assustador? Sim, o filme se sai muito bem nos momentos em que quer assustar e deixar tenso. “A Coisa” é o famoso bicho-papão, que está presente no pesadelo de cada um. E o filme é brilhante em colocar em tela um conceito tão abstrato. Muito da literatura do horror que não é possível descrever está aqui, as bases de King e outros autores como H.P Lovecraft servem de inspiração.

Um pouco longo, “It: A Coisa” poderia ser mais enxuto, pois adiciona cenas que estão ali para agradar aos fãs do livro, mas que para os não leitores parecem ser apenas enrolação. O terceiro ato deixa o filme com alguns momentos desnecessários, que não são ruins, mas poderiam ser retirados para engrandecer o ápice final.

A primeira adaptação do livro para as telas, de 1990, ganhou no Brasil o subtítulo de “Uma Obra-Prima do Medo”, o que passa bem longe. O de 2017, sim, deveria se proclamar deste modo, não só por assustar demais, mas por passar a mensagem de que todos têm medo, mas o que importa é que os personagens conseguem admitir suas fraquezas, se unem com uma amizade sólida e vencem seus maiores desafios. Com certeza um dos grandes filmes do ano, seja pela sua qualidade como por sua importância.

 

Nota: 9

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