K-POP conquista juventude Curitibana e domina os pátios do MON

Com a crescente popularidade do k-pop, mais pessoas fazem da cultura e dança sul-coreana um novo hobby

Por Pedro Macedo

Com colaboração de Cláudia Santos

Todos os domingos, o Museu Oscar Niemeyer (MON) recebe diversos grupos que ensaiam e apresentam coreografias de hits da música pop sul-coreana ou K-POP, como é popularmente conhecido. Com a ascensão do gênero no ocidente, principalmente depois que o clipe da música Gangnam Style viralizou na internet em 2012, cada vez mais jovens vêm se interessando pelas coreografias e ocupando espaços culturais da cidade.

Para muitos, a prática da dança é apenas um hobby que ocupa o tempo livre durante os finais de semana. Para outros, é coisa séria e profissionalizada: em certos grupos, existem até mesmo audições para a entrada de novos integrantes. O candidato precisa apresentar uma coreografia e ser avaliado antes de saber se pode ou não participar da equipe.

Vinicius Stenzel Ratti, mais conhecido pelo nome artístico Dimitri Verona, é professor de dança e já pratica as coreografias de K-POP há quatro anos. Ele conta que sempre participou de vários grupos, mas nunca sentiu que se encaixava perfeitamente em nenhum deles. Hoje, ele dança em um grupo cover chamado Cronos, que já existe há um ano e possui dez membros.

Para Verona, tudo em sua vida mudou depois que ele começou a dançar K-POP. Ele conta que perdeu a timidez e que hoje é uma pessoa muito mais solta. “Eu aprendi a fazer amigos no K-POP. Conheci pessoas que tinham um estilo parecido com o meu e que gostavam das mesmas coisas”, conta o dançarino. Verona também acredita no grande potencial que a prática da dança tem para melhorias na saúde: “Eu sempre tive problemas com dores no corpo, mas desde que comecei a dançar, eu quase quase não sinto mais”.

O estudante de psicologia Marcos Rogério Pereira também dança no Cronos e conta que ensaiar nos finais de semana lhe deu a oportunidade de ter um contato maior com mais pessoas. “É um hobby que a gente leva a sério. E é menos tempo que você fica em casa ocioso”, comenta. Para ele, outro fator importante é a oportunidade de praticar uma atividade física prazerosa, que ajuda na autoestima: “A pessoa se sente mais confiante dançando”.

Amizades a partir do amor pela dança

O nome “One Destiny” foi escolhido porque as integrantes acreditam que estão unidas por um único destino: o amor pela dança. O grupo foi criado há cerca de 1 ano e hoje possui 13 membros (Foto: Cláudia Santos)

A estudante Juliana Thomazi Jensen dança há dois anos no grupo Pandora, que também ensaia aos domingos no museu. O grupo tem mais de uma década de história e atualmente possui 13 integrantes. Jensen afirma que a prática da dança contribuiu para acabar com o tempo que ficava sem fazer nada em casa: “Agora eu espero a semana inteira para poder vir pro MON e ver minhas amigas. Você faz novas amizades e as pessoas são bem parceiras”.

Daiane Sophia é estudante e participa de um grupo cover chamado One Destiny. Ela conta que a dança e as colegas do grupo a ajudaram a superar a depressão e a ansiedade. “Durante as crises, elas [One Destiny] me ajudam. Eu acho que a dança uniu muito a gente e melhorou a vida de todo mundo”, conta.

K-pop na universidade

Desde agosto de 2017, o Clube de Dança da Universidade Federal do Paraná (UFPR) oferece aulas de de K-POP. No curto período de tempo desde que começaram, as aulas atraíram muitos interessados, e estão sempre cheias de alunos.

Isabela Passadore é estudante de Química e responsável por lecionar as aulas da dança coreana na universidade. A iniciativa partiu de seu professor de dança de salão, que sabia do interesse da estudante por K-POP e a convidou para ser professora. Ela ensaia os movimentos em casa e depois os ensina a seus alunos. “É bem pesado pegar as coreografias e repassar, mas é muito divertido e eu gosto bastante”, conta.

Passadore conta que as pessoas que passam pelo local ficam curiosas para saber sobre a dança (Foto: Pedro Macedo)

“Eu fiquei bem mais tranquila em relação a muitas coisas”, comenta Passadore sobre o que mudou em sua vida depois que passou a dançar K-POP. A estudante era muito ansiosa e a dança a ajudou a superar esse problema. Ela agora se sente menos tímida e passou a conhecer mais pessoas. A jovem diz que pretende continuar dando as aulas até se formar.

Estudante de Engenharia Ambiental na UFPR, Damaris Elisa Francisco resolveu participar das aulas de K-POP porque já era interessada na cultura sul-coreana e ficou com vontade de aprender as coreografias de seus artistas favoritos. Ela explica como as aulas de dança ajudaram a diminuir seu cansaço e melhorar sua concentração: “Eu fiquei mais disposta para as disciplinas da tarde. Eu costumava nesse tempo tirar uma soneca ou estudar, mas agora eu meio que dou uma relaxada antes das aulas”.

Para participar das aulas do Clube de Dança não é necessário fazer nenhum tipo de inscrição. As aulas são gratuitas e abertas à comunidade. Elas acontecem às quintas-feiras, entre 12h e 13h30, na sacada do bloco de Administração no Centro Politécnico. No dia 2 de dezembro, será realizada a primeira Mostra do Clube de Dança UFPR, na qual serão realizadas apresentações de todos os ritmos ofertados pelo clube: K-POP, Zouk, Forró, Dança do Ventre, Ritmos Gaúchos, Funk e Sertanejo. Os ingressos custam de R$5 a R$10 e estão sendo vendidos pelos integrantes do grupo.

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