“Liga da Justiça” diverte com identidade própria

Fugindo do clima pastelão da Marvel, “Liga da Justiça” consolida o Universo Cinematográfico da DC nos cinemas

Por Arthur H. Schiochet

Fonte: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Após muita expectativa, “Liga da Justiça” finalmente chega aos cinemas, após problemas na produção, como regravações e após Zack Snyder (Batman vs Superman: A Origem da Justiça) se afastar por problemas pessoais e Joss Whedon (“Vingadores: A Era de Ultron”) assumir a finalização do projeto.

O filme conta como está a Terra após os eventos de “Batman Vs Superman” e com uma grande ameaça, o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds de “Game Of Thrones”). Para tentar deter essa ameaça global, Bruce Wayne, o Batman (Ben Affleck de “Argo”) e Diana Prince, a Mulher-Maravilha (Gal Gadot de “Velozes e Furiosos 5”) tentam recrutar outros meta-humanos. Entre eles estão Arthur Curry, o Aquaman (Jason Momoa de “Alvo Duplo”); Barry Allen, o Flash (Ezra Miller de “As Vantagens de Ser Invisível”) e Victor Stone, o Ciborgue (o estreante nos cinemas Ray Fischer).

A DC tinha uma dura missão com esse filme, que era de catapultar o universo compartilhado nos cinemas para outro patamar. No ano de 2016 foram lançados dois filmes que tiveram recepções negativas pela maioria da crítica. Tanto “Batman Vs. Superman” quanto o fraquíssimo “Esquadrão Suicida” não empolgaram e algo precisava ser feito à respeito. As mudanças vieram pelas mãos de três nomes: Patty Jenkins, diretora de “Mulher Maravilha”, filme que aumentou as esperanças para este longa; Zack Snyder, que repensou seu trabalho após as duras críticas feitas pela mídia especializada e principalmente dos fãs; mas principalmente Geoff Johns, que assumiu a cabeça do Universo Cinematográfico da DC.

Um dos grandes problemas nos filmes lançados no ano passado foi a montagem, que era confusa e deficitária em traduzir as ideias para a tela, as versões estendidas lançadas nos Blu-Rays eram uma tentativa de desfazer os erros exibidos nos cinemas. Os longas deste ano já são um grande avanço nesse quesito, tanto “Mulher Maravilha” quanto “Liga da Justiça” são muito mais organizados até mesmo nas cenas megalomaníacas de ação.

O clima das piadas, que era vendido nos trailers, não se transportou totalmente para o longa, até mesmo o Flash, que parecia muito forçado em cada peça publicitária acabou casando com o tom aventuresco do filme. Os personagens são um grande destaque do filme, todos os membros da Liga tem seu momento e sua importância, até mesmo Ciborgue e Aquaman tem seu papel no desenvolvimento do roteiro.

Fonte: Divulgação/Warner Bros. Pictures

As cenas de ação tem um grande peso. Várias delas são memoráveis, algo difícil para um filme de super-herói hoje em dia. Com destaque para a primeira cena cena da Mulher Maravilha, a cena das Amazonas e a cena no Porto de Gotham. Todas elas empolgam e fazem o lado criança aflorar dentro da sala de cinema, no mesmo nível de diversão do primeiro “Vingadores”.

Entre os defeitos está o CGI, em muitos momentos muito artificial, mas o que mais incomoda é o do rosto do vilão, que pouco pode se notar do trabalho do ator ou de expressão na hora da fala. Muitas vezes a boca não mexia junto com as palavras.

Outro ponto que diminui o ritmo do filme é a opção da DC de não lançar os filmes solo dos heróis antes desse. O primeiro ato inteiro é somente para introduzir personagens novos e tentar unir a Liga contra a ameaça de nível global. Ameaça esta que novamente toma conta de um local, enche de capangas e destrói tudo para pôr em prática o plano de dominação mundial, que já é um clichê batido a pelo menos cinco anos.

A cena pós-créditos é incrível para os fãs de quadrinhos, surpreendente e dá pistas sobre os próximos passos da DC nos cinemas. Não saia da sala até o final dos créditos.

Um filme balanceado, que tem seus tons épicos e cenas grandiosas, com um clima divertido sem apelar para piadas forçadas o tempo todo e principalmente deixa um caminho muito promissor para o futuro dos filmes da DC, com bons diretores nos filmes solo e um caminho aberto para o “Liga 2”. Não toma riscos como “Batman Vs. Superman”, mas é bem distinto em relação aos outros filmes de super-herói lançados esse ano. Um dos blockbuster mais divertidos do ano e que merece ser visto no cinema.

Nota 8/10

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