Limite de dados para internet fixa no Brasil pode mudar costumes do brasileiro

Desde que a operadora Vivo anunciou que passaria a adotar franquias para a internet fixa surgiu a preocupação com o futuro da internet. Não apenas os usuários, mas também empresas e produtores de conteúdo poderão ser afetados.

Anatel

A Anatel — Agencia Nacional de Telecomunicações — publicou algumas normas que as operadoras devem seguir se oferecerem pacotes de internet com franquias, como deixar explícito na oferta e na publicidade a existência de franquias e possibilitar aos clientes um acompanhamento da utilização de dados. No dia 18 de abril a Anatel publicou no Diário Oficial da União a decisão de que as operadoras estão proibidas de limitar o acesso à internet fixa ou reduzir a velocidade da internet por tempo indeterminado.

Operadoras

A opinião entre as operadoras não é unanime. A Vivo, que deu início a polêmica, pretende adotar a franquia de dados de internet fixa para novos clientes. A empresa não irá fazer cobranças adicionais até dia 31 de dezembro, pois, durante este período será realizado um trabalho educativo para que o cliente possa medir o seu consumo. A TIM não pretende adotar os planos com franquias. Já a OI afirmou possuir em seus contratos uma franquia de dados, mas atualmente não interrompe a navegação nem reduz a velocidade de seus clientes, sendo que o acesso pode ser suspenso, com um aviso prévio para o cliente de, no mínimo, 30 dias.

A Copel Telecom que possui uma distribuição diferenciada das demais conversou com o Jornal Comunicação. A empresa afirma que por distribuir internet 100% fibra óptica, fica mais fácil a entrega sem franquias, pretendendo continuar sem a implementação delas. Foi então, criada a campanha “Na sua vida não é assim, por que a internet tem que ser?”. A Copel Telecom possui rede corporativa em todos os municípios do Paraná, porém, rede residencial em apenas 51 municípios, pretendendo lançar até o final deste semestre em mais dez cidades. Em Curitiba, 48 bairros possuem rede domiciliar.

Impacto em empresas

Nilton Kleina é jornalista e trabalha como redator na NZN, empresa produtora de conteúdo para internet, que possui entre tantos os sites: Baixaki, Mega Curioso e Tecmundo, sendo este último onde Nilton é atuante. Ele prevê o impacto da limitação de dados em empresas e para tanto traça dois cenários: aquele em que as operadoras vão cortar a conexão, caso o limite de dados seja ultrapassado, ou reduzir a velocidade depois de extrapolada a franquia.

“O mundo corporativo tem muito gerenciamento de arquivos em nuvem, transferência de dados, comunicação e, dependendo da área, consumo de vídeo por streaming. Planos com limites modestos com certeza seriam ultrapassados.” antecipa Nilton. Ainda segundo o jornalista, como o ambiente de trabalho não pode parar, seria necessário adquirir pacotes extras de dados, o que geraria mais gastos para a empresa.

Já o segundo cenário é mais animador para ele. “Se as operadoras de fato ofereceram um plano ilimitado, como a Vivo tem sinalizado, esse é um pouco mais otimista, embora sem dúvidas o preço será menos acessível do que os pacotes vendidos atualmente, possivelmente o mais caro de toda a operadora”, presume. Para Nilton, as pequenas empresas e estabelecimentos que compartilham o WiFi, seriam obrigados a mudar o orçamento para se adequar aos novos planos.

Impacto para produtores de conteúdo:

A YouTuber Lari Arlequina possui seu canal desde 2012, alcançando hoje a linha dos 36 mil inscritos. O YouTube não é sua única fonte de renda mas ajuda muito e o limite de dados tornaria essa atividade impossível. Larissa possui uma preocupação a mais, vive em Manaus, e conta que a internet que possui hoje já é de baixa qualidade. Com a franquia ficaria insustentável, uma vez que as operadoras que oferecem um pacote maior não tem alcance por lá. “Sem muito o que fazer, uso da #InternetJusta para alertar as pessoas que com a internet limitada menos pessoas vão conseguir acessar a internet e assim o Brasil sofrerá um retrocesso de tecnologia”, afirma.

Impacto para usuários

Lucas Bordignom é usuário constante de serviços de streaming, como Netflix, e com frequência joga online ou faz downloads. Para ele o futuro é desanimador: “Na minha casa todos assistem Netflix e provavelmente os pacotes de limites acabariam rapidamente. Pelo que eu vi, os pacotes que serão oferecidos vão ser muito baixos”, prevê Lucas. Para ele, mesmo os planos sendo justificados por existirem em outros países, não é a mesma proposta para o Brasil. “Querem implantar isso aqui usando exemplos de outros países, mas lá fora os limites são maiores do que os especulados para o Brasil e por preços mais justos”, analisa Lucas.

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