Lucho González ainda está na validade

Apesar das críticas, argentino vem sendo fundamental para o Furacão

Por Gabriel Muxfeldt

Com passagem por grandes clubes como Porto, Olympique de Marselha e River Plate, além de já ter integrado a seleção argentina, Lucho Gonzalez chegou ao Atlético-PR em setembro do ano passado. O experiente meio-campista, que já ganhou até medalha olímpica em 2004 e foi campeão da Libertadores em 2015, vem dividindo opiniões entre os torcedores e os críticos.

Chegou ao clube no final do brasileirão do ano passado, ajudando o Rubro-Negro a conquistar a sexta posição e a classificação para a Copa Libertadores da América. Se esperava que o argentino correspondesse às expectativas da torcida, já que o time precisava de um armador talentoso. Não foi o que aconteceu. Nem jogando adiantado, nem um pouco mais atrás, como vem atuando. No entanto, o técnico Paulo Autuori deposita muita confiança no veterano e acredita que sua experiência seja valiosa para a competição. Não é coincidência que tenha começado como titular nas últimas quatro partidas.

Lucho vinha sofrendo inúmeras críticas desde o ano passado por não apresentar um bom futebol: das 12 partidas que disputou, não marcou em nenhuma. Já neste ano, apesar de não exibir muita qualidade técnica, vem sendo fundamental para o Atlético. Das seis partidas que jogou, balançou as redes três vezes. Marcou, contra o Deportivo Capiatá, o gol da classificação para a fase de grupos. Balançou as redes, também, no empate com a Universidad Católica na Arena da Baixada. E novamente na vitória contra o San Lorenzo, na casa do adversário, assumindo a posição de artilheiro do time na competição.

De fato, Lucho González tem sido decisivo, apesar de não possuir mais o mesmo ritmo de jogo de anos atrás. Já é perceptível a falta de energia do jogador de 36 anos ao tentar acompanhar um elenco que é relativamente bem jovem. Lucho precisou ser substituído em todas as partidas que atuou como titular.

O meio-campo do Atlético-PR realmente estava precisando de uma reformulação no início do ano e outros dois reforços chegaram. Junto com o argentino, eles têm a missão de dominar o setor, conservar mais a posse de bola e armar o jogo com qualidade técnica. São eles Felipe Gedoz e Carlos Alberto. O primeiro, camisa 10, tem 23 anos e vem de uma temporada bem sucedida na Bélgica. O segundo já ganhou a Liga dos Campeões pelo Porto-POR, teve passagens por diversos clubes brasileiros e está em sua quinta Libertadores.

A eles também se deve parte do sucesso do argentino, que tem a oportunidade de se posicionar bem na área e a liberdade de sair para o contra-ataque enquanto os demais fazem a cobertura. É esta a aposta de Paulo Autuori. No jogo contra o Millionarios-COL, foi depois da substituição do atacante Crysan por Carlos Alberto, camisa 23, que o jogo começou a fluir para o Furacão. Com o trio comandando o meio campo, o gol da vitória veio alguns minutos depois.

O esquema 4-5-1 que o técnico do Rubro-Negro adota algumas vezes fornece as condições ideais para cada um dos três desempenhar o melhor de suas funções. Lucho é bom marcador, joga de forma inteligente e se posiciona com precisão. Carlos Alberto tem uma ótima visão de jogo e personalidade. Gedoz é ágil, técnico nos passes e habilidoso no drible. No entanto, o ataque do Atlético não é um dos mais fortes do torneio e, portanto, não é sempre que essa organização pode ser utilizada. O 4-3-3 também foi adotada pelo técnico em mais de uma ocasião, o que abriria lugar para uma disputa pela posição.

Em uma competição como essa, é indispensável que o jogador tenha experiência e calma para realizar um bom trabalho, principalmente fora de casa. Esse é o principal atributo que vem sendo exibido por González. Mesmo não desempenhando velocidade e drible, o meia sabe jogar com inteligência e cadencia o jogo. Além disso, está sempre bem posicionado e acompanha todas as jogadas. Marcou em todas as vezes que atuou como volante.

É tudo uma questão de desempenho. Tanto Lucho, quanto Carlos Alberto, têm na experiência seu ponto forte. Já participaram de grandes clubes e competições internacionais, mas agora sentem o peso da idade. Resta ao técnico do time saber extrair o melhor de cada um e acertar nas substituições. Ainda é cedo para criticar. É uma equipe nova que está em fase de construção, mas que possui peças interessantes para compor um grande elenco. À torcida: resta esperar e torcer para que a estrela do camisa 3 continue a brilhar, já que habilidade ele ainda não demonstrou.

O fato é que esta é a melhor equipe e o melhor meio-campo que o clube foi capaz de montar nos últimos anos. Uma equipe que necessita de vários ajustes, mas que está se consolidando e tem, sim, condições de lutar pela taça. Porém, o sofrimento a cada jogo é quase que certo.

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