MC Mayara – A vida de uma funkeira fora dos palcos

Dominar o Eletrofunk no Brasil é apenas o começo. Os próximos passos são gravar em espanhol e se tornar delegada! Confira a entrevista exclusiva de MC Mayara para o Jornal Comunicação

Por Nicolle Schumacher

Colaboração de Kathleen Varela

MC Mayara foi uma das primeiras cantoras de Eletrofunk no Brasil, que em 2012 fez sucesso pelos temas de suas músicas. Foto: Kathleen Varela

Teoria da Branca de Neve: por que só ter um se eu posso ter sete?” é o refrão que tornou a funkeira curitibana MC Mayara nacionalmente conhecida há quatro anos. Mayara Juliana de Souza tem 23 anos e, em 2012, já tinha mais de 5 milhões de acessos nos vídeos de suas primeiras músicas: “Minha Primeira Vez” e “Ai Como Eu Tô Bandida“.

Antes do sucesso, Mayara Souza sonhava em ser médica legista, mas abandonou os estudos aos 16 anos. Aos 17 começou a frequentar as baladas de som automotivo da região Sul, que tocavam Eletrofunk – gênero que mistura o funk e a música eletrônica. “Foi quando tive o primeiro contato com o ritmo e com as MCs”, diz a cantora, que então decidiu seguir carreira artística.

Ela começou a cantar e gravar clipes caseiros, com poucos recursos. Procurou um assessor — Alexandre de Alves, que a acompanha até hoje —, mandou seus clipes e investiu no novo sonho.

“[Com o funk] eu aprendi a ter mais audácia, que se batalharmos por algo podemos fazer tudo e conseguir coisas melhores”

“Escrevo por inspiração e sobre coisas do dia a dia. Não canto o que eu não gosto”, afirma a MC, cuja caminhada na música teve um início turbulento. Além dos dislikes recebidos no Youtube, ela já chegou a ser convocada para comparecer ao Ministério Público do Paraná por cantar músicas com duplo sentido, de conotação sexual, numa época em que muitos achavam que ela era menor de idade.

A cantora cresceu ouvindo rock e MPB por influência do pai que tinha o sonho de fazer sucesso com sua banda. Foto: Kathleen Varela

Segundo Mayara, no entanto, o escândalo e a discussão a ajudaram a ser reconhecida. “Causando polêmica a gente chega mais rápido no sucesso”, declara. Só que o objetivo do conteúdo vai além disso. Em suas letras ela retrata temas como a igualdade de gênero e defesa de minorias, como por exemplo o movimento LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros -, seu maior público. Ao dançar grávida no clipe “Ela sabe rebolar” e de várias outras formas em seus outros vídeos, a cantora enfrenta preconceitos com a intenção de quebrar paradigmas.

Mesmo assim, MC Mayara sofre com o preconceito até hoje, até mesmo por parte da mídia. Com a fama repentina, teve que aprender a lidar com o sucesso, mas também com as críticas. É complicado ser uma mulher no funk, ainda mais em Curitiba, onde o estilo musical não é muito difundido. O que ajuda a cantora desde o início é a família, que sempre a apoiou.

“Gostaria de ter tido menos liberdade, me resguardado mais e vivido tudo no tempo certo, de acordo com minha idade. É isso que quero ensinar para minha filha: que tudo tem o momento certo”

Mayara Souza é filha mais velha de uma família de origem humilde e cresceu ouvindo Engenheiros do Hawaii e Legião Urbana. Mesmo com o carinho, a curitibana gostaria de ter tido uma criação diferente. “Minha mãe me liberou muito cedo para tudo e não abriu meus olhos para as malícias do mundo. Acho que isso às vezes é um erro”, pondera.

Um dos arrependimentos da cantora é ter parado de estudar, e gostaria que seus pais tivessem sido mais firmes neste quesito. “Educação é tudo. Para conseguir ser um exemplo e ajudar minha filha pretendo voltar a estudar”, acrescenta. Ela pretende fazer uma prova para conseguir terminar o Ensino Médio. Também gostaria de seguir carreira no Direito para se tornar delegada. Só não voltou a estudar antes por conta da rotina de shows, que durante o auge de sua fama era muito exaustiva.

Pensando nisso, a artista pensa em dar uma educação diferente da que teve para a sua filha, Manuella, de 3 anos. “Gostaria de ter tido menos liberdade, me resguardado mais e vivido tudo no tempo certo, de acordo com minha idade. É isso que quero ensinar para minha filha: que tudo tem o momento certo”.

Ainda assim, Mayara não deixa de ver o funk como um aspecto importante da sua vida. “[Com o funk] eu aprendi a ter mais audácia, que se batalharmos por algo podemos fazer tudo e conseguir coisas melhores”. Se Manuella quiser seguir este caminho, a mãe garante que vai apoiá-la. Só ressalta que a filha precisa estar madura o suficiente e não deve abandonar os estudos.

Projetos para o futuro

Ela é protagonista de clipes gravados em diversas cidades do Brasil. Dança no Jardim Botânico de Curitiba, no Espigão da Praia de Iracema, no Jardim Japonês e no Dragão do Mar de Fortaleza e também em Brasília. Só falta uma produção internacional. “Meu sonho é gravar ‘Bumbum’ em Paris, na Torre Eiffel”, comenta a cantora. Sua influência musical sempre foi a Valesca Popozuda, mas hoje aspira fazer um dueto com a Karol Conka ou com o MC Catra.

A MC define sua fase atual como uma redescoberta sobre ela mesma. No momento, dedica sua vida para a filha, mas continua fazendo em média três shows por mês e ensaiando uma vez por semana. Pensa em realizar novos projetos e regravar sucessos em espanhol para serem lançados na América Latina. Então enquanto não trabalha na delegacia, podemos esperar mais Eletrofunk de MC Mayara!

 

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