“Meu Amigo Totoro” é destaque no Festival Olhar de Cinema

A cena em que Satsuki encontra Totoro na chuva é uma das mais famosas do cinema japonês (Foto: Reprodução)
A cena em que Satsuki encontra Totoro na chuva é uma das mais famosas do cinema japonês
(Foto: Reprodução)

A sessão devia ter começado às 19h15, mas as portas da sala só se abriram mais de quinze minutos depois. “Problema técnico na projeção”, foi a explicação dada pelos organizadores. Enquanto o filme não começava, uma multidão se formou em frente à sala 5 do cinema do Shopping Curitiba, onde, na última sexta-feira (12), em pleno dia dos namorados, foi exibida a animação “Meu amigo Totoro” (1988), do aclamado diretor japonês Hayao Miyazaki.

Desde que foi lançada a programação do 4º Olhar de Cinema, a exibição do filme era um dos eventos mais esperados do festival: apenas dois dias após o início das vendas de ingressos metade das poltronas para a sessão já estavam ocupadas. Ainda assim, embora a sala estivesse cheia, não chegou a lotar.

Grande parte do público consistia de pessoas que já eram fãs dos filmes de Miyazaki e de seu estúdio de animação, o Studio Ghibli. Não raros foram os casos de pessoas que já haviam visto o filme antes, como o ator Luiz Barotto. “Eu assistia [“Meu amigo Totoro] quando era pequeno, então estou empolgado”, relembra. “Eu adoro o Studio Ghibli desde sempre, acho muito interessante”, também comentou a estudante de design Daphne Pacheco.

Uma obra-prima de Hayao Miyazaki

A história de “Meu amigo Totoro” se passa no Japão pós-guerra e gira em torno de duas irmãs, Satsuki e Mei, que se mudam junto com seu pai para o interior para ficarem mais próximas da mãe, que está internada em um hospital devido a uma doença grave. Ao explorarem a casa e a floresta perto dela, as duas crianças descobrem que o local é habitado por vários espíritos, com as mais diferentes características: os Makkuro Kurosuke, pequenos espíritos que habitam casas abandonadas e são responsáveis por deixá-las empoeiradas; Totoro, o amigável espírito parecido com um coelho gigante que dá título ao filme; e o surreal gato-ônibus, que é basicamente o que seu nome diz: um enorme gato com o corpo de um ônibus, que transporta seus passageiros para qualquer lugar que quiserem.

O filme é considerado um dos melhores e mais icônicos de Miyazaki e há bons motivos para isso. Com nenhum antagonista, pouco enredo e várias cenas que se passam em silêncio, “Meu amigo Totoro” é uma animação infantil completamente fora dos padrões, deixando-se levar mais por emoções e situações do que por uma história concreta, com começo, meio, clímax e fim.

Seu objetivo, porém, jamais é contar uma história concreta, e sim mostrar os pequenos momentos mágicos na vida aparentemente comum das duas protagonistas. O resultado é um filme que, se for para ser descrito em um adjetivo, seria provavelmente “bonitinho”, no melhor dos sentidos, deixando o público com um sorriso no rosto do começo ao fim.

 

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